Orçamento Familiar

Como entrar em 2023 com a carteira arrumada

Quer entrar em 2023 com o pé direito e carteira arrumada? Saiba o que pode esperar do novo ano e como começar a poupar.

Orçamento Familiar

Como entrar em 2023 com a carteira arrumada

Quer entrar em 2023 com o pé direito e carteira arrumada? Saiba o que pode esperar do novo ano e como começar a poupar.

Para entrar no novo ano de carteira (e cabeça) arrumada, é importante rever despesas e antecipar o que vai mudar em 2023. Não só os rendimentos vão mudar para a maioria dos trabalhadores, como é expectável que a inflação e o aumento de juros se mantenham.

Neste artigo veremos o que vai acontecer aos rendimentos dos portugueses em 2023, o que se espera quanto à inflação no próximo ano, e como cortar despesas para alcançar uma folga mensal no orçamento familiar.

O que vai acontecer aos rendimentos em 2023?  

O primeiro passo que deve dar para poder arrumar a carteira é saber o que vai acontecer aos seus rendimentos em 2023. É importante informar-se sobre quanto vai receber de salário líquido no próximo ano e perceber se chegará para cobrir as despesas do agregado familiar. Sabendo os seus rendimentos, é mais fácil de começar a construir o orçamento mensal da família. Dependendo da sua situação profissional, se é pensionista ou está desempregado, vamos ver o que pode mudar no próximo ano.

Trabalhadores por conta de outrem

Uma das alterações previstas para 2023 é o aumento do salário mínimo nacional em 55 euros. Se os trabalhadores por conta de outrem, seja em entidades públicas ou privadas, receberem o valor mínimo, o seu ordenado passa de 705 para 760 euros.  

Assim, não existindo outros rendimentos ou complementos salariais, na prática, vão receber um salário líquido de 676,40 euros. Isto contabilizando o desconto de 11% para a Segurança Social (83,60 euros), visto que têm isenção da retenção na fonte de IRS. 

Além disso, o Governo aprovou a subida do subsídio de alimentação para a Função Pública de 4,77 euros por dia, para 5,20 euros. Se os trabalhadores receberem este benefício em vale ou cartão refeição, o valor mínimo passa de 7,63 euros para 8,32 euros. No total, considerando 22 dias de trabalho efetivo ao final do mês, os trabalhadores passam a receber 114,40 euros em dinheiro, ou 183,04 euros em vale ou cartão refeição. De realçar que as empresas privadas não estão obrigadas a subir este valor, uma vez que o pagamento deste complemento salarial não está previsto no Código do Trabalho. 

É também importante referir que o subsídio de alimentação não está isento de impostos. A isenção de IRS está associada ao valor mínimo do subsídio de alimentação, o que significa que o subsídio passa agora a estar isento de IRS até 5,20 euros em dinheiro e 8,32 euros em vale ou cartão refeição. Mas, uma vez que este subsídio é considerado um rendimento de trabalho dependente, a parte que excede o limite legal mínimo (5,20 euros), ou que excede em 60% esse valor em vale ou cartão, fica sujeito ao pagamento de IRS.

Depois, decorrente da subida do mínimo de existência, da atualização em 5,1% dos escalões de IRS e da redução de 23% para 21% da taxa marginal do segundo escalão de IRS, pode ainda sentir um aumento no seu salário líquido em 2023. Isto porque as novas tabelas de retenção na fonte de IRS em 2023 acabarão por diminuir o valor a descontar em vários escalões. Trabalhadores e pensionistas que recebem um rendimento bruto inferior a 762 euros ficam isentos da tributação.  

Pensionistas

As pensões vão subir entre 3,89% e 4,83% a partir de 1 de janeiro de 2023, acima do inicialmente anunciado por causa do valor final da inflação de novembro. Também o Indexante dos Apoios Sociais (IAS) vai aumentar mais que o inicialmente previsto pelo Governo, no Orçamento do Estado: a subida será de 8,4% em janeiro, passando de 443,20 euros para 480,43 euros.

Assim:

  • Pensões até 960,86 euros (dois IAS) aumentam 4,83%
  • Entre 960,86 euros e 2.882,58 euros (entre dois e seis IAS) aumentam 4,49%
  • Entre 2.882,58 e 5.765,16 euros (entre seis e 12 IAS) aumentam 3,89%
  • Pensões acima de 5.765,16 euros não terão aumento

Desempregados

Com o aumento do IAS também os limites do subsídio de desemprego serão atualizados em 2023: 

  • Limite mínimo do valor mensal do subsídio de desemprego, sendo 1,15 vezes o valor do IAS: era 509,68 euros em 2022 e atualiza para 550,5 euros em 2023 (+40,8 euros); 
  • Limite máximo do valor mensal do subsídio de desemprego, equivalente a 2,5 vezes o valor IAS: era 1.108 euros em 2022, e passa para 1.196,7 euros em 2023 (+89 euros). 

Trabalhadores independentes

No caso dos trabalhadores independentes, o que podem ou não receber a mais no próximo ano vai variar consoante se querem ou não aumentar o preço da sua prestação de serviços. Com a inflação e o aumento geral de custos, os trabalhadores por conta própria podem decidir aumentar o que cobram pelo seu trabalho, para fazer face às suas despesas.

A nível de novas medidas previstas pelo Governo, também as contribuições dos trabalhadores independentes para a Segurança Social (SS) se vão alterar com a subida do Indexante de Apoios Sociais (IAS) em 2023, de 443,20 euros para 480,43 euros. Isto porque o rendimento mensal médio considerado para efeitos do pagamento de contribuições, denominado de base de incidência contributiva, está relacionado com este indexante.

Em situação de regime de contabilidade organizada, em 2022, tinha os limites mínimos de 664,8 euros (1,5 vezes o IAS) e máximo de 5.318,4 euros (12 vezes o IAS). E em 2023, os limites passam a ser: mínimo de 720,65 euros e máximo de 5.765,16 euros.

Ao nível das contribuições para o IRS, está a ser trabalhado um modelo que altere a retenção na fonte destes trabalhadores, com o objetivo de a aproximar mais do seu rendimento real. 

De acordo com o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes, em causa está um novo modelo de retenção na fonte para o anexo B (rendimentos de trabalho independente) “que substitua o modelo de taxa fixa de 25% para que a retenção na fonte seja adaptada ao rendimento efetivo que estas pessoas têm”. 

Porém, o governante realçou que este é um trabalho que levará mais tempo do que a mudança que será feita na retenção na fonte do trabalho dependente, a ser aplicada em julho de 2023. Não havendo assim previsão para quando este novo modelo entrará em vigor

Pode conferir o valor dos seus rendimentos para 2023, considerando todas as novas alterações, com o Simulador de Salário Líquido, ou, no caso de ser pensionista, o Simulador de Pensão Líquida.

O que se espera do Banco Central Europeu?  

Desde julho, o Banco Central Europeu (BCE) tem feito sucessivos aumentos dos juros de referência na Zona Euro, de forma a tentar travar a subida dos preços.

Em 2023, é expectável que a tendência se mantenha. Segundo o comunicado da autoridade monetária emitido em dezembro, estão previstos aumentos significativos e constantes no próximo ano, que se traduzirão em acréscimos nos custos de financiamento das famílias e empresas. Nomeadamente, nas prestações mensais dos créditos habitação. 

A perspetiva de subida continuada dos juros na Zona Euro está apoiada nas estimativas mais pessimistas para a inflação na região, nos próximos três anos. 

De acordo com as projeções dos especialistas do Eurosistema, em 2022, a inflação média atingirá 8,4% e descerá em 2023 para 6,3%, prevendo-se uma descida marcada ao longo do ano. Depois, em 2024, as estimativas indicam uma taxa de inflação de 3,4% e, para 2025, uma taxa de 2,3%. 

Quanto ao crescimento económico, estima-se que será fraco no próximo ano. O PIB deverá subir 0,5% em 2023, 1,9% em 2024 e 1,8% em 2025. 

Leia ainda: BCE volta a subir juros e avisa que aumentos vão continuar

Antecipe o aumento da prestação de crédito habitação 

Visto que, de acordo com o BCE, a expectativa para o próximo ano é que o aumento de juros se mantenha, a taxa Euribor (o indexante do crédito habitação) vai acompanhar esta subida. Por isso, é importante antecipar quanto pode a sua prestação do crédito habitação aumentar em 2023. Para esse efeito, tenha em conta os seguintes fatores: 

  • Se o prazo da taxa Euribor do seu crédito é de 3, 6 ou 12 meses; 
  • Capital que ainda tem em dívida
  • Spread do seu contrato; 
  • Quantidade de prestações que ainda tem por liquidar
  • E o valor da Euribor aplicado à revisão da sua prestação. Uma vez que a média da taxa Euribor a aplicar não é relativa ao mês em que entra em vigor, mas sim à média da taxa Euribor de dois meses antes da data da nova prestação. Ou seja, se a sua prestação for revista em janeiro, é aplicada a média da taxa Euribor de novembro no prazo contratado. Se a nova prestação for em fevereiro, é tida em conta a média da Euribor de dezembro e assim sucessivamente. 

Informe-se previamente sobre a Média mensal da Euribor, de forma a conhecer a taxa média no prazo a que se refere o seu contrato. A partir daí, e tendo em consideração os fatores mencionados, simule a variação da Euribor no crédito habitação. Assim, consegue perceber, no seu caso concreto, quanto vai aumentar a sua prestação mensal do crédito habitação.  

Homem a empilhar moedas ao lado de uma casa em miniatura

Como cortar despesas para ganhar folga mensal? 

Comece por fazer um orçamento 

Para cortar despesas e ganhar uma folga mensal, comece por fazer um orçamento familiar com todos os custos e gastos. Caso já o faça, repense o planeamento para ajustar detalhes e conseguir fazer cortes. 

Neste orçamento, coloque ao pormenor todas as despesas (mesmo de lazer, como cafés fora) e tente perceber o que pode estar a correr mal até ao momento, para identificar que hábitos adquiriu e pode mudar. 

Depois, aponte as despesas fixas mensais. Relativamente aos gastos variáveis, estipule um valor máximo que pode gastar por área. Lembre-se de pagamentos que possam ser pontuais, como de impostos. 

Contraponha com os rendimentos que a família recebe, e analise se são suficientes face às despesas, e se consegue ter folga no orçamento. Para perceber onde cortar e conseguir alcançar alguma poupança. 

Pondere a consolidação de créditos 

Se tiver vários créditos contratados, como um crédito habitação, um crédito automóvel, um cartão de crédito mais um crédito para adquirir um computador, pondere fazer uma consolidação de créditos. Uma vez que o conjunto das várias prestações mensais destes contratos deve ter um grande peso no orçamento mensal, juntar todos num só pode ajudá-lo a poupar

Com um crédito consolidado, passa a pagar uma única prestação pelos vários créditos, e mais baixa. Isto porque, por norma, a taxa de juro do crédito consolidado é mais baixa do que a média das taxas de juro dos outros créditos que possui. O que significa que pode conseguir uma folga no orçamento mensal ao avançar para esta solução.

Em certos casos, a poupança pode até superar os 60%, mas depende dos créditos contratados, respetivos prazos e das novas condições propostas. 

Leia também: O que é uma consolidação de créditos?

Faça uma revisão de contratos e seguros 

Pode ainda dar uma volta à carteira de contratos e seguros. Se pedir uma revisão das condições dos contratos e seguros que tem atualmente, pode conseguir propostas melhores e preços mais baixos. 

Por exemplo, no crédito habitação, para que consiga reduzir a prestação mensal deste contrato, pode contactar o seu banco explicando que quer rever o contrato para diminuir custos. O banco pode propor-lhe que altere de uma taxa variável para uma taxa fixa (que, atualmente, pode oferecer mais estabilidade não estando indexada à Euribor e não sentindo aumentos), ou adicionar produtos ao contrato, como um cartão de crédito, de forma a ter uma bonificação no spread

Faça o mesmo com os seguros que tenha subscritos: peça às seguradoras que revejam as condições das apólices e renegociem coberturas. Analise se, entre os seguros contratados, tem coberturas em duplicado que possa eliminar.

Caso não fique satisfeito com as novas ofertas que lhe propuserem dos contratos e seguros que tem, também pode ponderar transferir os produtos de instituição, de forma a ter prestações menos onerosas e até melhores condições. 

Repense consumos não essenciais 

Repense despesas variáveis que possam ser dispensadas. Se não forem consumos essenciais, deve ser um dos primeiros pontos a cortar. 

Por exemplo, gastos com atividades de lazer, com vestuário, com idas a restaurantes ou encomendas de comida, são tudo consumos que pode reavaliar. Existem até formas de os manter, mas gastando menos.

Isto é: em vez de gastar dinheiro com atividades, porque não aproveita iniciativas sem custos da sua Câmara ou Junta de Freguesia? Ou usufrui da gratuitidade das visitas aos museus, no último domingo de cada mês? Também pode procurar por descontos. Se tiver filhos entre os 4 e os 10 anos, pode até subscrever o clube Rik&Rok do Auchan, sem gastos, que permite ter acesso a descontos em atividades diversas. 

No vestuário, pode optar pelo mercado de roupa em segunda mão para fazer compras. Consegue até encontrar produtos em perfeito estado, quase novas, e a preços muito baixos. Neste caso, atente ao local onde compra (online pode ser enganado), e verifique sempre a credibilidade do vendedor. 

Também consegue comer fora não gastando tanto dinheiro, se encontrar descontos previamente online. Se fizer a sua reserva através de aplicações como a The Fork, pode conseguir um desconto na sua refeição, dependendo do restaurante. E se encomendar comida para casa, procure sempre aplicações que ofereçam descontos nas taxas de entrega. 

Estas são pequenas mudanças, mas que, a longo prazo, podem ser significativas no orçamento familiar mensal. 

Invista para poupar mais à frente 

Por fim, pondere investir em produtos que maximizem a sua poupança a médio/longo prazo. Seja investimentos em produtos financeiros, em instrumentos de eficiência energética, ou até antecipando despesas. 

Investindo em produtos financeiros, pode optar, por exemplo, por um Plano de poupança-reforma (PPR), certificados de Aforro, depósitos a prazo, entre outros. Informe-se previamente sobre cada produto para saber qual se adequa melhor ao seu perfil de investidor e objetivos. 

Quanto à eficiência energética, para tornar a sua casa mais eficiente, pode ponderar: instalar janelas eficientes em sua casa que forneçam conforto térmico e isolamento acústico; comprar aparelhos mais eficientes e que não consumam tanta energia, ou instalar painéis solares, no caso de ter uma moradia. São tudo ações que, apesar do investimento inicial, vão ajudar a diminuir a sua fatura mensal da energia

Pode também apostar na antecipação de despesas. Existem encargos que podemos precaver, se nos preocuparmos agora. Como, por exemplo, mantermos a saúde “em dia”, fazendo check-ups rotineiros. Ou também pararmos de adiar a resolução de problemas, por exemplo, num carro ou eletrodoméstico, que nos podem trazer uma despesa acrescida mais tarde.

Leia ainda: Como cortar custos? Reveja as suas despesas

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