Mais uma vez, casamos as finanças com as tendências literárias. Depois do sucesso do Hygge e do Lagom, este artigo traz-lhe algumas dicas financeiras retiradas do livro Lykke, que o ajudarão a sentir-se mais feliz. Quem o diz é Meik Wiking, presidente do Happiness Research Institute.

Lykke significa “felicidade” em dinamarquês. No livro homónimo de Meik Wiking, também autor de O Livro do Hygge, podemos encontrar várias dicas para vivermos vidas mais felizes. E sim, também passa pelo dinheiro ou, pelo menos, pela forma como lidamos com ele.
Vejamos então alguns conselhos e práticas aconselhados no livro ‘Lykke’.

Leia mais – e de graça

A leitura é gratuita, se assim o quisermos. Para além de podermos simplesmente ler e requisitar livros nas bibliotecas, existem ainda várias iniciativas que nos colocam em contacto directo – e gratuito – com livros.

Uma dessas iniciativas chama-se Little Free Library. As Little Free Libraries (LFL, ou “pequenas bibliotecas livres”, em português) encontram-se espalhadas por algumas cidades e o conceito baseia-se em tirar um livro e deixar outro no seu lugar para que outra pessoa possa desfrutar dele.
Em Lisboa, por exemplo, podemos encontrar uma LFL na Quinta das Conchas.

Para além disso, temos também alguns pontos de Book Crossing, cujo conceito é muito parecido e a escala mundial. Visite o site do Book Crossing e descubra de há pontos de Book Crossing perto de si para que possa encontrar novos livros para ler. De graça, sempre.

Saiba ainda que a leitura é também terapia gratuita. Segundo psicólogos da New School for Social Research, os livros de ficção melhoram a nossa capacidade de interagir e de interpretar as emoções de terceiros. Um outro artigo, do Journal of Applied Social Psychology, a investigação também mostra que a ficção literária aumenta a capacidade de reflectirmos nos nossos problemas ao ler semelhanças em personagens e enredos.

Crie uma comunidade no seu bairro ou prédio

No livro ‘Lykke’, o autor conta-nos histórias inspiradoras que apelam ao nosso sentido de comunidade. Se é verdade que, por um lado, em Portugal não temos muito a cultura de criarmos laços com os vizinhos (de uma forma geral), por outro fazê-lo trar-nos-ia imensas vantagens. Em algumas das histórias partilhadas no livro – todas verídicas – ficamos a saber que se criaram verdadeiras comunidades entre os moradores de prédios um pouco por todo o mundo.
Desde uma prateleira para livros à entrada do prédio – de que todos se podem servir e para a qual podem contribuir – até a construção de uma pequena horta comunitária com ervas aromáticas, tomates e alfaces, envolver-se desta forma com os seus vizinhos teria uma efeito muito positivo na sua felicidade e nas suas finanças.
E se propusesse aos seus vizinhos que, à falta de um espaço verde comunitário, cada um plantasse e produzisse ervas aromáticas e verduras variadas? Desta forma, poderiam fazer trocas de alimentos, poupando dinheiro e criando laços afectivos.
Esta é uma das ideias de ‘Lykke’ que poderíamos perfeitamente adaptar por cá.

Ligue coisas a experiências

Ou “comprar recordações e não coisas”, seria outra forma de dizer o mesmo.

Segundo os investigadores Dunn e Norton, se quisermos comprar felicidade, será mais sensato investir em experiências em vez de coisas.

«Estudos sucessivos mostram que as pessoas ficam mais bem-dispostas quando reflectem nas aquisições de experiências que descrevem como “dinheiro bem gasto”.
Se lhes pedirmos que comparem a aquisição com intenção de aumentar a felicidade – uma aquisição em que compraram algo tangível (como um iPhone) e outra aquisição em que compraram uma experiência (uma viagem, talvez) – e depois perguntarmos qual a aquisição que as deixou mais feliz, 57% dirá essa experiência, comparadas com 34% do objectivo tangível.»

Alguma surpresa? 🙂

Crie uma conta separada para a felicidade

Aproveitando o balanço da dica anterior de investir mais em experiências do que em coisas e objectos, experimente pagar agora por uma experiência que só se realizará no futuro, seja daqui a seis meses (uma viagem, bilhetes para um concerto, etc.) ou daqui a seis ou dez anos.

Daqui a dez anos, qual seria a sua experiência de sonho? Não pense na resposta de acordo com o dinheiro que tem agora. Pense em criar uma conta separada para a felicidade; um orçamento ou uma poupança à parte que existirá somente com o intuito de o ajudar a realizar uma experiência de sonho verdadeiramente transformadora para a sua vida. Alguns exemplos podem incluir mergulhar numa jaula com tubarões na África do Sul, fazer a Route 66 nos EUA ou passar um mês a descobrir a Ásia.
Seja como for, é para casos destes que foram criados os Orçamentos do Boonzi. Espreite neste artigo como funcionam se tem em mente a concretização de um objectivo para o qual precisa de dinheiro.

Foto: It’s Ok

O Livro do Lykke
Meik Wiking
PVP 15,99€

A sua felicidade será uma construção sua. É óbvio que o dinheiro contribui para o seu bem-estar, mas a verdade é que muitos dos prazeres da vida dispensam qualquer tipo de pagamento. Mesmo que tenha um objetivo para daqui a dez ou vinte anos, não torne a concretização do mesmo uma obsessão; aprecie a “viagem” até lá e delicie-se com os pequenos prazeres que encontrará pelo caminho. 🙂