Quando visitamos um país fora da Zona Euro, é quase inevitável que haja a curiosidade de ver como são as moedas e notas. Qual o tamanho, as cores, as ilustrações? Para algumas pessoas, guardar uma nota ou moeda de outro país pode funcionar quase como um souvenir.
Mas à medida que mais países da União Europeia aderem à Zona Euro (o mais recente foi a Bulgária, no início de 2026) o acesso a moedas estrangeiras torna-se mais escasso. Ainda assim, podemos consegui-lo em parte, mesmo com as moedas de euro.
Porque todas as moedas têm duas faces, e uma deles traz sempre um bocadinho de cada país. Sabe de onde vêm as moedas que tem na carteira?
Cerca de 66% das moedas vêm de fora
Todas as moedas de euro têm uma face comum e uma face nacional. A face comum, onde está indicado o valor, é sempre igual, independentemente do país emissor. Já a face nacional varia de país para país, e cada um pode escolher os desenhos que aparecem em cada uma das moedas. Podem ser referência históricas, políticas, económicas ou simbólicas, por exemplo.
Em todo o caso, representam um bocado daquele país e viajam sem restrições por toda a Zona Euro, mantendo sempre a sua validade independentemente de onde são usadas.
Em 2025, dois terços das moedas que circulavam em Portugal eram de outros países da Zona Euro. É o que nos diz o mais recente Relatório de Emissão Monetária do Banco de Portugal, que analisou uma amostra de moedas recolhidas aleatoriamente por via do atendimento ao público nas secretarias de Évora, Lisboa, Porto e Viseu.
Se olharmos para o panorama desde 2013, houve praticamente uma inversão do cenário. Nesse ano, dois terços das moedas a circular em Portugal tinham face nacional.
Atualmente, entre as moedas de face estrangeira, as mais representativas são as de Espanha (28%), Alemanha (18%) e França (17%). De acordo com o Banco de Portugal, esta evolução “é consistente com a evolução e influência do número de turistas e de dormidas em Portugal”.
A seguir a estes três países seguem-se a Itália (9%) e a Irlanda (7%). Os restantes 21% de moedas de face estrangeira são de outros países da Zona Euro.
Moedas de dois euros são quase de certeza estrangeiras
Se tem uma moeda de dois euros, olhe para a face nacional. Se é portuguesa, faz parte de uma minoria. É que quase 90% das moedas de dois euros que circulavam em Portugal, em 2025, eram de face estrangeira.
Seguem-se as de um euro, 50 cêntimos, 20, 10 e um cêntimo, todas com representatividade acima dos 50%. Apenas na moeda de cinco cêntimos o peso da face nacional é superior ao da face estrangeira.
Quando juntamos todas as moedas de um a cinco cêntimos, o peso da face estrangeira tem aumentado continuamente, atingido os 57%, em 2025.
“Esta evolução deve-se, em parte, aos acordos de troca de moeda celebrados pelo Banco de Portugal com outros Estados-Membros da área do euro”, explica o relatório.
Já olhou para as moedas portuguesas?
As moedas de euro portuguesas podem ter três desenhos diferentes, dependendo do valor. Mas todas têm uma coisa em comum: o desenhador, Vítor Manuel Fernandes dos Santos, inspirou-se em símbolos históricos e nos selos de D. Afonso Henriques.
- 1 e 2 euros: exibem os castelos e escudos de Portugal, rodeados pelas 12 estrelas da bandeira da União Europeia. O elemento central é o selo real de 1144;
- 10, 20 e 50 cêntimos: o elemento central do desenho é o selo real de 1142;
- 1, 2 e 5 cêntimos: exibem o primeiro selo real, de 1134, e a epígrafe “Portugal”.
Da próxima vez que tiver uma moeda na mão (e sabemos que cada vez mais preferimos os pagamentos com cartão) olhe para a face nacional e tente perceber de onde é.
Pode ser uma destas com elementos portugueses, mas também pode encontrar a Porta de Brandemburgo nas moedas alemãs de 10, 20 e 50 cêntimos, a harpa celta em todas as moedas irlandesas, Marie Curie nas moedas de 50 cêntimos francesas ou o Papa Francisco nas moedas emitidas pela Cidade do Vaticano.
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