Coronavírus

Quais as perspetivas para o mercado imobiliário?

Portugal está a passar por um período conturbado. O que esperar do mercado imobiliário? Saiba o que prevêem os agentes que actuam neste mercado.

Sara Antunes Sara Antunes , 28 Abril 2020 | 4 Comentários

O Coronavírus provocou o encerramento de muitas empresas e muitas famílias estão a sentir uma redução nos seus rendimentos. Já aqui explicámos qual está a ser o impacto do Covid no mercado imobiliário. Mas também é importante perceber o que se pode esperar.

Os especialistas que atuam no mercado imobiliário antecipam mais oferta no mercado de arrendamento, algum ajustamento nos preços, mas, em termos gerais, também preveem que esta seja uma realidade temporária. E, a não ser que a situação atual se prolongue por muito tempo, o mercado imobiliário deverá recuperar nos próximos meses.

O que esperar do mercado imobiliário?

Os vários intervenientes do mercado revelam uma postura cautelosa perante a atual conjuntura, devido à incerteza que ainda impera. Mas as suas perspetivas apontam para quedas pouco acentuadas dos preços do imobiliário residencial e há quem fale em recuperação a partir do segundo semestre do ano.

“Ao contrário da última crise, agora não havia uma bolha imobiliária. Talvez no centro de Lisboa, ou do Porto e em algumas zonas do Algarve houvesse, mas não se pode falar de uma bolha imobiliária. Por isso, estou um pouco reticente em relação a uma correção acentuada dos preços”, explica Gonçalo Nascimento Rodrigues, fundador do blog Out of the Box, especializado no mercado imobiliário, em declarações ao Doutor Finanças.

Já a CBRE, empresa que atua no mercado imobiliário, realça que o “imobiliário em Portugal apresentava fundamentos muito fortes antes do início da crise e uma elevada liquidez no mercado de investimento. Acreditamos por isso que se a pandemia for controlada nos próximos três meses, o setor imobiliário tem capacidade para iniciar a recuperação no segundo semestre do ano”, realça a CBRE numa nota de análise publicada no dia 2 de abril.

Já a CASAFARI, que agrega dados dos preços a que são colocados os imóveis no mercado e acompanha a sua evolução, prevê uma maior “procura por casas fora dos centros das cidades, com as pessoas a trabalharem mais a partir de casa e a fazerem menos deslocações diárias”, segundo declarações da co-fundadora da CASAFARI, Mila Suharev.

“Mas, claro, tudo depende de outras questões, como o tempo que tudo isto demore ou em que condições o país voltará a abrir. Certo será que o tempo médio de absorção das casas no mercado deve aumentar. Não me admiraria que em 2020 o tempo médio passasse para nove a 10 meses, quando em 2019 estava nos seis meses. Na última crise o tempo médio chegou a superar os 12 meses”, explicou Gonçalo Nascimento Rodrigues.

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O que poderá influenciar mais o futuro?

O nível de incerteza ainda é elevado, pelo que poderá haver alguns fatores de instabilidade, mas há um ponto em que parece haver consenso: "esta crise não é como a de 2008", quando o imobiliário foi o responsável pelo que depois se viveu, realça a Comprar Casa, uma rede imobiliária através de um comunicado.

“Uma potencial segunda onda de Covid-19 acrescida de uma crise nos preços do petróleo pode causar o colapso em muitas economias espalhadas pelo mundo”, realça Mila Suharev. Este contexto, “pode ter efeitos secundários e terciários no mercado imobiliário, também em Portugal devido à recuperação lenta do turismo e de todo o ecossistema empresarial que o envolve.”

“Por outro lado, o mercado imobiliário provou ser um dos muito poucos ativos seguros, especialmente em períodos de volatilidade e de incerteza. Portugal provou atrair investidores estrangeiros e vai continuar a fazê-lo, especialmente uma vez que está a ser um dos países menos afetados pelo coronavírus”, salienta Mila Suharev, da CASAFARI.

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Interesse internacional deve manter-se

Um dos fatores que contribuiu para o aumento dos preços do imobiliário, especialmente em Lisboa, Porto e Algarve, foi o investimento estrangeiro. Algo que, de acordo com os players do mercado deverá ser retomado.

“Os investidores internacionais continuam com muito interesse em Portugal. O bom desempenho da economia do nosso país e a resposta ao surto de COVID-19 tem recebido elogios internacionais. Há alguma incerteza quanto aos efeitos a médio/longo prazo da pandemia, mas os investidores mostram tenções de fechar os negócios pendentes assim que o mercado começar a voltar à normalidade. Muitos investidores demonstram a sua disponibilidade para negócios oportunistas nesta altura, enquanto que os players mais conservadores aguardam ainda para ver o desenrolar da situação, estando, contudo, prontos para investir num futuro próximo”, salienta a consultora Cushman & Wakefield num relatório de acompanhamento do mercado imobiliário nacional.

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E os preços?

Estranharia se os preços não baixassem, mas ainda é cedo para tirar conclusões”, afirma Gonçalo Nascimento Rodrigues, do Out of the Box.

“É provável que se verifique uma redução nos preços de venda, nomeadamente no mercado de segunda mão, devido ao impacto da crise nos rendimentos de muitas famílias”, considera a CBRE. Ainda assim, a empresa considera que “se a crise não perdurar para além dos três meses”, não haverá fundamento para uma descida acentuada dos preços das habitações novas.

Já a consultora Cushman & Wakefield considera, num relatório publicado sobre o mercado, que “não é esperado um ajuste de preços significativo uma vez que ainda se verifica um desequilíbrio entre oferta e procura no país.”

A Comprar Casa considera que, "inevitavelmente, esta crise forçará muitos a reduzir os preços das suas casas e a adaptá-los a novas circunstâncias". E, ainda que assuma que é "muito cedo", admite que os cenários agora assumidos apontam para quedas de preços entre 10% e 15%.

Tendo em consideração as análises destes especialistas, podemos esperar algum ajustamento no mercado, mas deverá ser momentâneo.

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5 comentários em “Quais as perspetivas para o mercado imobiliário?

  1. Boa tarde, não consigo preencher o formulário há qualquer coisa que não está bem. Mas aqui algumas questões. Temos 40-42 anos somos casados com comunhões de bens não temos dívida ao banco de Portugal. Queria mos em concreto comprar terreno para construir. Os 100.00€ seriam para esse fim. Dantes dava para pedir o empréstimo na totalidade fica a casa como ipoteca. Queria que me ajudassem nesse sentido. Aguardo resposta. Obrigada

    1. Se é para construção é um pouco diferente: tipicamente aí os bancos emprestam até mais do que o valor final da casa, pode é ir tendo que receber o montante aos bocados, à medida que a obra avança e o terreno vai valorizando.

      De qualquer forma, se pretende a ajuda do Doutor Finanças tem mesmo que ser através de um dos formulários de contacto, esse tipo de negociação com os bancos não passa por mim. Se o formulário que indiquei não funciona, sugiro o formulário geral de contacto cujo link pode encontrar no fim de qualquer página aqui do portal.

  2. Boa tarde queria que me informasse se é possível fazer um crédito habitação pedindo a totalidade da compra, nesse caso ficaria a casa como ipoteca certo?

    1. Olá, Beatriz.

      Em teoria é possível, mas não sei se há bancos que estejam a praticar empréstimos com essas condições.

      A minha sugestão: Preencha o formulário de contacto com os dados do seu caso concreto e será contactada por um especialista do Doutor Finanças que a tentará ajudar a encontrar o que procura, se for possível.