Imagem conceptual do seguro automóvel a ser revisto

Uma carteira de seguros é um pau de dois bicos: por um lado, proporciona a tranquilidade de saber que terá proteção quando mais precisar; por outro, significa uma fonte de despesa anual muito relevante.

O mercado de seguros é dinâmico. A todo o momento surgem novas ofertas, as coberturas evoluem e os preços variam. Por isso, rever a carteira de seguros e comparar algumas propostas anualmente pode significar poupanças relevantes sem comprometer a proteção.

O que é a carteira de seguros e porque deve revê-la todos os anos?

A carteira de seguros é o conjunto de apólices que protege os seus bens, a sua saúde, a sua vida e até a sua responsabilidade perante terceiros. Inclui seguros obrigatórios, como o automóvel, e seguros facultativos, como saúde ou acidentes pessoais.

A vida muda e os seguros devem acompanhar essas mudanças. Casamento, nascimento de filhos, compra de casa, alteração de rendimento ou aquisição de novos bens são exemplos de situações que requerem atualização das coberturas. Um seguro que fazia sentido há dois ou três anos pode estar hoje desajustado.

Riscos de manter a carteira de seguros desatualizada

Ignorar a revisão anual pode sair caro:

  • Subseguro: indemnizações insuficientes em caso de sinistro.
  • Exclusões inesperadas: situações não cobertas por falta de atualização.
  • Prémios elevados: pagar por coberturas desnecessárias, duplicadas ou desajustadas.

Porque deve comparar regularmente

O mercado de seguros está em constante evolução: surgem novas ofertas, as coberturas evoluem e os preços variam. Comparar duas ou três propostas por ano pode gerar poupanças relevantes na sua carteira de seguros, sem comprometer a proteção.

Vamos percorrer agora cada um dos principais tipos de seguros que podem estar incluídos na sua carteira e perceber o que deve rever em cada um.

Seguro de vida: O que rever e quando atualizar

Rever o seguro de vida anualmente é importante para garantir que continua a proteger a sua família e cumpre as exigências do crédito habitação. Seguem-se alguns dos pontos críticos que deve analisar.

Capital seguro desajustado ao valor em dívida

Se contratou o seguro para cobrir um crédito habitação, o capital deve acompanhar o saldo em dívida. Por exemplo, imagine que pediu um crédito de 200 mil euros e, após amortizações, a dívida é atualmente de 120 mil euros. Se nunca fez a revisão do seguro, o valor segurado continua a ser de 200 mil euros – ou seja, poderia reduzir o prémio (o valor que tem de pagar anual, mensal, trimestral ou semestralmente).

É certo que, à medida que os anos passam, o seguro tende a ficar mais caro – porque o risco aumenta em função da idade –, mas reajustar o capital seguro pode ser uma forma de contrariar, pelo menos em parte, este agravamento.

Portanto, consulte o valor atual da dívida do crédito habitação e confirme se o seu seguro tem atualização automática do capital seguro. Caso não tenha, avalie se quer manter o capital seguro atual para ter proteção extra ou se pretende ajustá-lo, poupando todos os meses ou anos.

IAD ou ITP? Escolha a proteção adequada

Além da morte, os seguros de vida costumam cobrir um de dois tipos de risco:

Invalidez Absoluta e Definitiva (IAD): cobre apenas situações extremas, quando a pessoa não pode realizar qualquer atividade e depende de terceiros.

Invalidez Total e Permanente (ITP): cobre incapacidade para exercer a profissão habitual, mesmo que a pessoa possa realizar outras tarefas.

Sendo mais abrangente, o seguro de vida com ITP costuma também ser mais caro. Mas o importante é que o seguro esteja adequado à sua situação.

Impacto do seguro de vida no crédito habitação

Apesar de não ser obrigatório por lei, praticamente todos os bancos impõem a contratação de um seguro de vida. Muitas vezes, os bancos reduzem o spread se mantiver o seguro com a seguradora do grupo – e transferir pode retirar essa bonificação.

No entanto, se for esse o seu caso, vale a pena fazer as contas. Por exemplo, imagine que, ao transferir o seguro para outra seguradora, perde uma bonificação de 10 euros por mês (120 euros/ano) no crédito, mas consegue uma redução de 150 euros no prémio anual do seguro. Neste caso, mudar de seguradora resulta numa poupança líquida de 30 euros.

Seguro multirriscos: Quando e porque deve rever

Apesar de apenas ser obrigatório para propriedades horizontais, como apartamentos, o seguro multirriscos é, na prática, exigido pelos bancos para conceder crédito habitação. Além disso, é essencial para proteger a casa contra danos inesperados.

Mas será que a sua apólice continua adequada? Alterações no imóvel, no valor de reconstrução ou nas coberturas podem deixar a sua proteção incompleta, por um lado, ou a pagar demasiado para as suas necessidades, por outro.

O cálculo do capital seguro num seguro multirriscos – que, por sua vez, determina o valor a pagar todos os anos – tem em conta vários fatores, como a localização do imóvel, o andar do prédio, a área bruta privativa e dependente da habitação e o ano da matriz. Mas dois dos fatores mais importantes são o valor de reconstrução (caso a habitação fique destruída) e as coberturas adicionadas à apólice.

Confirmar as coberturas do seguro multirriscos

O valor de reconstrução tem aumentado todos os anos, pelo efeito da inflação e do aumento dos custos de mão de obra e materiais. Com isto, também as seguradoras têm aumentado muito significativamente os prémios a pagar. Seja devido a discrepâncias na atualização automática ou à fixação inicial de um capital seguro desajustado – por exemplo, baseado no valor do empréstimo e não da reconstrução da casa –, importa garantir que não está a pagar mais do que poderia.

Da mesma maneira, verifique se tem as coberturas adequadas às suas necessidades: tem apenas um “seguro de paredes” ou a apólice inclui o recheio, como móveis, eletrodomésticos e artigos de valor?

Seguro de saúde: Como garantir que continua adequado

O seguro de saúde é um dos mais dinâmicos: os preços mudam todos os anos, as coberturas evoluem e as necessidades da família também. Rever a apólice anualmente evita surpresas desagradáveis e ajuda a poupar sem perder proteção.

Mudanças na situação pessoal ou familiar

Confirme se está em alguma destas situações:

  • Novo emprego com seguro incluído: Se passou a ter seguro de saúde através da empresa, pode reduzir ou cancelar o seguro individual para evitar duplicações.
  • Casamento ou nascimento de filhos: Pode ser necessário incluir dependentes ou reforçar coberturas.
  • Alterações de saúde: Diagnósticos recentes podem exigir coberturas adicionais (ex.: fisioterapia, consultas de especialidade).
  • Mudança de residência: Confirme se a rede de prestadores cobre hospitais e clínicas na nova zona.

Alterações no orçamento

Se o prémio do seu seguro de saúde aumentou significativamente, avalie se compensa manter a apólice ou procurar alternativas. Tenha em atenção não apenas o preço, mas sim o custo-benefício: o que procura é um bom equilíbrio entre coberturas e limites.

Não se esqueça de analisar também as exclusões. Se os cuidados de saúde em que gasta mais dinheiro não estão cobertos pela apólice, este pode não fazer sentido.

Da mesma forma, se os hospitais ou clínicas de que mais gosta ou que lhe são mais convenientes estão fora da rede do seguro, equacione uma alternativa.

Seguro automóvel: Quando e porque deve rever

O seguro automóvel é obrigatório, mas isso não significa que deva manter a mesma apólice ano após ano. Alterações no veículo, no perfil do condutor ou nas condições do mercado podem justificar uma revisão anual para garantir proteção adequada e poupança real.

Se comprou um carro novo ou alterou características – por exemplo, instalação de extras –, pode precisar de ajustar as coberturas. Por outro lado, se o veículo passou a ter menos uso – porque entrou no regime de teletrabalho ou porque recebeu um carro de serviço, por exemplo – pode reduzir custos com franquias ou coberturas adicionais.

Também é importante rever as coberturas. A responsabilidade civil é a única obrigatória – a partir daí, está nas suas mãos avaliar quais as coberturas a incluir: danos próprios, quebra de vidros, assistência em viagem, veículo de substituição, etc. Por exemplo, se o carro já tiver vários anos, pode não justificar pagar por danos próprios com prémios elevados. Ou, se viaja pouco, talvez faça sentido eliminar a assistência premium.

Além disso, neste tipo de seguro, como nos restantes, é comum as seguradoras contarem com a inércia dos clientes. Ou seja, se, antes da renovação do seu seguro automóvel fizer algumas simulações na concorrência é quase certo que vai encontrar uma proposta mais barata ou com melhores coberturas do que aquela que a sua seguradora assume automaticamente para o novo ano.

Outros seguros a rever na carteira

Além dos seguros principais, existem outros que podem fazer sentido – ou não – dependendo da sua realidade. Rever as coberturas anualmente ajuda a evitar lacunas de proteção e também despesas desnecessárias.

  • Seguro de acidentes pessoais: Faz sentido se pratica desporto regularmente ou se tem uma profissão com risco físico. Verifique se ainda é o caso e se os capitais cobrem despesas médicas e indemnizações adequadas.
  • Seguro de responsabilidade civil: É útil para famílias com crianças ou animais, bem como para proprietários de imóveis arrendados ou profissionais de alguns ramos de atividade. Confirme se as coberturas não estão já incluídas nos seus seguros multirriscos ou automóvel.
  • Seguro para animais domésticos: Avalie se os limites para consultas e cirurgias são adequados e tenha em conta a idade e eventuais problemas crónicos do animal que possam necessitar de um reforço do seguro.

Tipo de seguro

O que rever

Seguro de vida

– Ajustar capital seguro ao valor atual da dívida

– Confirmar o tipo de invalidez (ITP vs. IAD)

– Avaliar se compensa mudar de seguradora (comparar preço e coberturas)

– Verificar o impacto no crédito habitação (bonificação no spread)

Seguro de saúde

– Verificar se houve mudanças pessoais (novo emprego com seguro, casamento, filhos)

– Confirmar se a rede de prestadores continua adequada

– Rever coberturas e limites (ambulatório, hospitalização, estomatologia)

– Conhecer exclusões e carências

– Comparar o prémio com duas ou três propostas

Seguro multirriscos

– Ajustar o capital ao valor de construção atualizado

– Rever coberturas opcionais e eliminar as desnecessárias

– Verificar duplicações (ex.: responsabilidade civil já incluída noutro seguro)

– Confirmar o impacto no crédito habitação (bonificação do spread)

Seguro automóvel

– Rever coberturas opcionais (danos próprios, veículo de substituição, etc.)

– Ajustar apólice se mudou o usou do carro

– Verificar duplicações (ex.: assistência em viagem via cartão de crédito)

– Comparar prémio e franquias com outras propostas

Seguros adicionais

– Confirmar se ainda fazem sentido (ex.: acidentes pessoais, animais de estimação)

– Ajustar capitais e limites

– Eliminar apólices desnecessárias

– Evitar duplicações

Rever seguros: Dicas práticas

  1. Equacione juntar todos os seguros na mesma instituição: Muitas seguradoras oferecem descontos quando concentra vários seguros (vida, saúde, automóvel, multirriscos). Mas atenção: nem sempre é mais barato – compare sempre o custo total e as condições.
  2. Ative o débito direto: Evita esquecimentos e cancelamentos por falta de pagamento. Além disso, algumas seguradoras oferecem descontos adicionais para quem utiliza este método de pagamento.
  3. Pague anualmente, se possível: O pagamento anual costuma ser mais barato do que mensal ou trimestral.
  4. Verifique se há coberturas que já não fazem sentido: A sua vida muda, mas o seguro não muda sozinho. Eliminar coberturas desnecessárias reduz o prémio sem comprometer a proteção essencial.
  5. Confira se há duplicação de seguros: Por exemplo, a responsabilidade civil pode estar incluída no seguro automóvel e no multirriscos, e a assistência em viagem pode vir com o seguro automóvel e com o cartão de crédito. Faça uma lista das coberturas de cada seguro e elimine redundâncias.
  6. Marque a revisão anual no calendário: Defina um lembrete para 30-60 dias antes da renovação de cada seguro para ter tempo de comparar e negociar.
  7. Peça várias simulações: Compare pelo menos duas ou três propostas equivalentes (mesmos capitais e coberturas) e tenha em conta não apenas o preço, mas também as franquias, exclusões e rede de prestadores.
  8. Aproveite para renegociar: Muitas seguradoras oferecem condições melhores para manter clientes. Use as propostas concorrentes como argumento para baixar o prémio ou melhorar coberturas.
  9. Recorra a um mediador de seguros: Estes profissionais podem fazer o trabalho por si, analisando apólices, negociando com seguradoras e encontrando soluções mais vantajosas.

Perguntas frequentes sobre revisão da carteira de seguros

Sim. A maioria dos seguros permite cancelamento com aviso prévio (normalmente 30 dias antes da renovação). No caso de seguros associados ao crédito habitação, confirme sempre com o banco se aceita a nova apólice e se não perde benefícios (como bonificação no spread).

Compare o capital seguro com o valor real do bem ou da dívida. Por exemplo, no seguro multirriscos, deve cobrir o valor de reconstrução, não o valor comercial. Já no seguro de vida, deve cobrir pelo menos o saldo atual do crédito. Se o capital for inferior, está em subseguro e a indemnização será proporcional.

Não é obrigatório por lei, mas é altamente recomendável. Uma revisão anual ajuda a:

  • Garantir proteção adequada.
  • Evitar pagar por coberturas desnecessárias ou duplicadas.
  • Aproveitar melhores condições no mercado.

Idealmente, 30 a 60 dias antes da renovação. Assim tem tempo para comparar propostas e negociar com a seguradora atual.

Depende:

  • Se o seguro da empresa tem coberturas suficientes, pode cancelar o individual para evitar duplicação.
  • Se não cobre tudo o que precisa (ex.: estomatologia, rede limitada), pode manter ou ajustar o seguro pessoal como complemento.

Pode, mas não faz sentido na maioria dos casos, porque estará a pagar prémios duplicados sem benefício adicional. Reveja sempre os seguros para evitar redundâncias.

  • Peça duas ou três propostas equivalentes (mesmo capital, mesmas coberturas).
  • Compare capitais, franquias, exclusões e rede de prestadores.
  • Avalie o custo-benefício e não escolha apenas pelo preço.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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