A versão renovada de “National Economy” (2025), jogo de tabuleiro idealizado e ilustrado por dois criadores japoneses, remete-nos para o final do século XIX e início do século XX. Nesta época de eclosão da economia nacional, em que as mudanças são rápidas e abrangentes, exige-se capacidade de adaptação aos jogadores, aqui a assumirem o papel de empreendedores. Com estratégia e visão de futuro, pede-se a cada empresário que contrate trabalhadores, lhes atribua tarefas e, claro, lhes pague os ordenados.
A importância do fluxo de caixa
Existem três modos distintos de jogar National Economy: Progresso, Mecenato ou Glória. Cada opção providencia uma experiência ligeiramente diferente, embora sobre as mesmas bases. Na fase de ação, será preciso colocar estrategicamente os trabalhadores, seja em edifícios de que somos proprietários, seja em locais públicos, abertos a qualquer jogador. Cumpridas as ações estipuladas por cada local, chega a altura de dar descanso aos trabalhadores e de os patrões – nós – lhes pagarmos os salários. Para que o negócio corra bem, é essencial uma boa gestão do fluxo de caixa. Por vezes, poderá ser necessário vender alguns ativos para assegurar o pagamento dos ordenados. E aquilo que, à partida, parece um enorme revés, a longo prazo bem pode vir a revelar-se uma decisão racional, pois as empresas também têm os seus altos e baixos. Porém, se mesmo com a venda de ativos não se saldarem os compromissos com quem suou tanto pela nossa empresa, então será altura de receber cartas de incumprimento, que resultarão numa forte penalidade durante as contas finais.
Um jogo de National Economy decorre durante 9 rondas. Esgotado o baralho de cartas à disposição dos empreendedores, somam-se pontos de vitória pelo valor dos edifícios, pelo dinheiro em caixa, por determinados conjuntos de cartas de mecenato ou de glória. E, lá está, subtraem-se preciosos pontos por cada carta de ordenados que ficaram por pagar. Ou pensavam que isso, até nos jogos de tabuleiro, não teria impacto?

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Da quinta ao museu, passando pela imobiliária
Neste jogo económico de mecânica simples, a variedade surge através das cartas. No início, os trabalhadores podem ser usados na pedreira ou na mina (para escavar cartas de edifícios), na escola (para ter acesso prévio a locais de trabalho da ronda seguinte), ou na carpintaria para se erguerem os primeiros edifícios de cada empresa privada. Lembremo-nos de que isto são os inícios da revolução económica de um país. Nas rondas seguintes, ganha-se acesso a uma banca de venda ambulante, ao mercado, ao liceu, ao supermercado, à universidade, ao grande armazém, ao ensino politécnico e até a uma exposição mundial. Depois, encontraremos locais específicos para os três modos de jogo.
Na vertente Progresso, podemos escolher a quinta, a cafetaria, o pomar, o escritório de advocacia, a fábrica, a cooperativa agrícola, a imobiliária, o restaurante, a empresa de construção civil, enfim, tudo o que integra uma economia em ascensão. É todo um país a desenvolver-se, através de fábricas de automóveis, siderurgias, caminhos-de-ferro, mansões e sindicatos. Por esta altura, a sede da nossa empresa até já poderá estar instalada num icónico arranha-céus.
A escolha do modo Mecenato apresenta-nos o quarteirão velho da cidade, o campo de batatas, o refeitório, o jardim de vegetais, o cemitério, a fábrica de comida, a lotaria, o escritório de contabilidade, o jardim botânico, num novo mundo em que se constroem casas pré-fabricadas ou se instalam cervejarias, laboratórios, estaleiros navais, estações de comboio, museus, parques de diversões, catedrais, bancos de investimento, parques industriais, complexos petroquímicos e portos para exportação dos nossos produtos.
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O progresso económico e as pessoas
Faltou alguma coisa nesta viagem a uma economia nacional? Não citámos todas as cartas, mas ainda temos de acrescentar as hipóteses da versão Glória, como a construção de arranha-céus, as explorações avícolas, um café de jogos de tabuleiro (onde já reservámos um lugar cativo…), os monumentos, os teatros, as associações de comércio, as quintas de algodão e as minas de carvão, as exposições tecnológicas e as arquiteturas modernas, as estufas e os templos, as fábricas de locomotivas. Há também cartas para uma festa da colheita e para uma praça da revolução.
De repente, no tampo da mesa, fica exposto ao nosso olhar o tecido industrial, comercial e social de um país. «Fomos mesmo nós que criámos tudo isto?», pensamos. «Sozinhos?» Bem, sozinhos, não propriamente. Tudo neste jogo de tabuleiro se fez com a ajuda dos trabalhadores a quem, espera-se, pagámos atempadamente os salários. E, já que estamos no reino do faz-de-conta, será demasiado idealista esperar que esses ordenados tenham sido bons e justos?
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