Homem a utilizar smartphone

O MB Way é a plataforma digital mais usada pelos portugueses para gerirem o seu dinheiro. Segundo dados do Barómetro de Literacia Financeira Digital, realizado pelo Doutor Finanças em parceria com a Católica-Lisbon, a aplicação para pagamentos digitais é mais usada do que as apps ou websites dos bancos (homebanking).

Sem surpresas, são as camadas mais jovens que privilegiam este canal para fazer transferências, pagamentos, gerar cartões virtuais, entre outras funcionalidades.

MB Way é o canal preferido para gerir dinheiro

Embora o MB Way lidere a preferência dos inquiridos, a distância que o separa do homebanking é, ainda assim, curta. Quando questionados sobre se usaram algum canal digital nos últimos três meses para gerir dinheiro, a ferramenta da SIBS (gestora da rede Multibanco) reuniu 74% de respostas, seguida do homebanking, com 73%. Segue-se o cartão para fazer compras online (61%) e os pagamentos com telemóvel, através de apps como a Google ou a Apple Pay (52%). 

Com menor prevalência, alguns inquiridos também usaram plataformas de investimento, apps de gestão de despesas e de negociação de criptomoedas. Ainda assim, uma fatia de 11% afirmou não ter usado qualquer um destes canais para gerir dinheiro nos três meses anteriores ao estudo.  

Utilização dos canais digitais diminui muito a partir dos 55 anos

A utilização dos diferentes canais digitais varia significativamente com a idade. O MB Way apresenta níveis de utilização muito elevados até aos 54 anos, sendo que na camada entre os 25 e os 34 anos atinge mesmo 89%. A utilização diminui de forma acentuada a partir dos 55 anos, mas não apenas no que se refere ao MB Way. De modo geral, a utilização dos canais digitais desce consideravelmente a partir desta faixa etária.

Inversamente, a percentagem de inquiridos que admitiu não recorrer a estes meios para gerir o seu dinheiro é superior entre os mais velhos – cerca 20%. Já nas camadas mais jovens, esta percentagem ronda, genericamente, os 5% ou menos. 

Já no que toca à frequência da utilização, é também entre os 25 e os 34 anos que se regista a maior percentagem: 64% utilizam diariamente serviços financeiros digitais. Entre os maiores de 65 anos, essa percentagem desce para 16%, enquanto 28% dizem nunca utilizar estes serviços.

Apesar de estes dados revelarem maiores reservas em recorrer a ferramentas digitais por parte dos mais velhos, o estudo mostra ainda que, de modo geral, um terço dos portugueses não se sente confiante para usar serviços financeiros digitais.

Nível de escolaridade também tem impacto na utilização de canais digitais

Os inquiridos com ensino superior apresentam níveis significativamente mais elevados de utilização de canais digitais. Mais de oito em cada 10 pessoas com estas qualificações recorrem ao MB Way e ao homebanking para gerir o seu dinheiro e mais de metade a cartões para compras online e pagamentos por telemóvel.

Em sentido contrário, mais de um terço das pessoas que não concluíram o 3.º ciclo não utilizam qualquer canal digital. Já entre as pessoas com o 3.º ciclo (ou seja, o 9.º ano de escolaridade) e o ensino secundário, a utilização de canais digitais mais do que duplica face a quem não concluiu o 9.º ano.

Curiosamente, no que toca à negociação de criptomoedas – produtos de investimento mais complexos – a percentagem é semelhante entre os inquiridos com maior e menor nível de escolaridade.

Mulheres utilizam menos ferramentas digitais de investimento

É na utilização de ferramentas digitais para investir que surgem algumas diferenças mais evidentes entre homens e mulheres. Entre os primeiros, 23% dizem recorrer a plataformas de investimento online, contra 13% das mulheres. A diferença é ainda mais expressiva no caso das plataformas de negociação de criptomoedas: 11% dos homens utilizam-nas face a apenas 1% das mulheres.

Já no que toca a ferramentas mais ligadas à gestão quotidiana do dinheiro, as diferenças entre homens e mulheres são muito menores. MB Way e homebanking apresentam níveis de utilização semelhantes entre os dois géneros, embora o primeiro seja mais usado pelo público feminino.

Leia ainda: Como começar a investir

Ficha técnica: Este inquérito foi realizado pelo Centro de Estudos Aplicados (CEA) da Universidade Católica Portuguesa em colaboração com o Doutor Finanças, entre os dias 13 e 23 de julho de 2026. O universo-alvo é composto por indivíduos com 18 ou mais anos residentes em Portugal. Os inquiridos foram selecionados aleatoriamente a partir de uma lista de números de telemóvel, também ela gerada de forma aleatória. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 700 inquiridos é de 4%, com um nível de confiança de 95%.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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