Mulher a usar homebanking

A grande maioria dos portugueses utiliza serviços digitais regularmente, mas mais de um terço não se sente confiante para utilizar este tipo de serviço e proteger os seus dados. Este é o retrato identificado pelo Barómetro de Literacia Financeira Digital, realizado pelo Doutor Finanças em parceria com a Católica-Lisbon.

O estudo avaliou o grau de utilização, confiança e segurança dos portugueses na gestão digital do dinheiro, bem como os hábitos, comportamentos e desafios associados ao acesso a serviços financeiros digitais.

85% utilizam regularmente serviços financeiros digitais

De acordo com o barómetro, 85% dos portugueses utilizam regularmente serviços financeiros digitais, como MB Way, homebanking ou aplicação do banco, compras online com cartão, pagamentos com telemóvel, apps de gestão de despesas ou orçamento, investimentos online ou criptomoedas. 40% fazem-no todos os dias, 34% semanalmente e 11% com uma frequência mensal. Apenas 5% dizem raramente usar estes serviços e 9% nunca os utilizam, enquanto 1% dos inquiridos não respondeu à questão.

A utilização diária de serviços financeiros digitais é mais comum entre os inquiridos com idades entre os 25 e os 44 anos, atingindo 64% entre os 25 e os 34 anos. Em sentido inverso, a frequência de uso diminui progressivamente nas faixas etárias mais velhas: entre os maiores de 65 anos, apenas 16% utilizam estes serviços diariamente e 28% afirmam nunca o fazer.

O grau de escolaridade também está claramente relacionado com a utilização destas ferramentas. A percentagem de utilizadores diários aumenta de 14%, entre quem não completou o 3.º ciclo, para 49% entre quem concluiu o ensino superior. Já a não utilização é muito mais frequente nos níveis de escolaridade mais baixos: 50% entre os inquiridos sem o 3.º ciclo completo, 18% nos que o completaram, 10% nos inquiridos que terminaram o secundário e 4% nos que têm curso superior.

Entre os 14% de inquiridos que nunca ou raramente usam serviços financeiros digitais, a preferência pelo atendimento presencial (42%) e a falta de confiança (42%) são os principais motivos. 12% admitem não saber usar este tipo de serviço.

34% não estão confiantes a utilizar serviços digitais

A utilização regular dos serviços financeiros digitais pela grande maioria não significa que os portugueses se sintam à vontade com este tipo de tecnologia. De acordo com o barómetro, cerca de um terço dos inquiridos sente-se pouco (26%) ou nada confiante (8%) para utilizar estes serviços e proteger os seus dados. Ainda assim, 23% dizem estar muito confiantes e 40% bastante confiantes.

Gráfico: Quão confiante se sente para utilizar serviços financeiros digitais e proteger os seus dados?

A confiança é maior nos homens – 26% consideram-se muito confiantes vs. 20% nas mulheres – e nos mais jovens. À medida que a idade aumenta, a confiança diminui: a percentagem de inquiridos pouco ou nada confiantes é de 52% a partir dos 55 anos.

Em relação à escolaridade, verifica-se o inverso: conforme aumenta, cresce a percentagem de inquiridos muito ou bastante confiantes, chegando a 69% entre os que completaram o ensino superior.

Gráfico (por escolaridade): Quão confiante se sente para utilizar serviços financeiros digitais e proteger os seus dados?

Dois terços foram alvo de burla no último ano

Um dos dados mais alarmantes do barómetro é a frequência das tentativas de fraude ou burla relatadas pelos inquiridos: 66% dizem ter sido alvo de pelo menos uma no último ano (60% só tentativa, 4% com perda financeira e 2% com partilha de dados, mas sem perda financeira). SMS falso (45%), e-mail falso (27%) e chamada telefónica (18%) foram os tipos de burla mais comuns.

Aquilo que mais preocupa os inquiridos em relação ao digital é o roubo de identidade ou dados (74%) e o roubo de dinheiro (56%), seguindo-se as aplicações pouco claras (31%) e os erros próprios (29%).

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MB Way é o canal preferido

No que respeita aos canais utilizados para gerir dinheiro, o MB Way (74%) e a app do banco ou homebanking (73%) são os preferidos, seguindo-se as compras online com cartão (61%) e os pagamentos por telemóvel (52%).

As plataformas de investimento online (19%) e as exchanges de criptomoedas (6%) são muito menos utilizadas, mas observa-se uma diferença substancial entre homens (23% e 11%, respetivamente) e mulheres (13% e 1%).

Gráfico: Nos últimos 3 meses, usou algum destes canais para gerir dinheiro?

86% não apostam online

Segundo o mais recente relatório do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos, estão registadas 4,9 milhões de pessoas em jogos online, das quais 1,2 milhões realizaram pelo menos uma aposta no segundo trimestre de 2026. No entanto, 86% dos inquiridos no Barómetro de Literacia Financeira Digital afirmam não ter utilizado plataformas de jogos e apostas online nos últimos três meses. 9% dizem ter feito compras em jogos (como skins, moedas, etc.) e 7% admitem usar plataformas de jogos online que envolvem dinheiro ou compras dentro da aplicação. Apenas 6% dizem ter realizado apostas online (desporto, casino, etc.) nos últimos 3 meses.

Entre aqueles que utilizam regularmente este tipo de plataforma de jogo e apostas online, 16% reconhecem que já gastaram mais do que pretendiam inicialmente.

Gráfico: Nos últimos 3 meses, utilizou alguma destas plataformas?

Meios especializados são a principal fonte de informação

O barómetro também analisou o modo como os portugueses se informam sobre conteúdos financeiros. 36% simplesmente não consomem este tipo de conteúdo – uma percentagem que sobe para 79% entre quem não completou o 3.º ciclo de escolaridade e 66% entre quem tem rendimentos até 860 euros por mês.

A principal fonte de informação são os websites especializados, como jornais ou o portal do Doutor Finanças. Apesar de continuarem a usar este tipo de canal, os mais jovens procuram muito mais as redes sociais e podcasts.

Um quarto dos inquiridos admite que as redes sociais influenciaram as suas decisões financeiras nos últimos três meses: 6% viram produtos financeiros, como créditos ou investimentos; 7% consideraram investimentos; e 12% aplicaram dicas sobre tópicos como poupança ou orçamento.

Gráfico: Nos últimos 3 meses, as redes sociais influenciaram a forma como lida com dinheiro?

A aplicação da inteligência artificial na gestão do dinheiro não ficou de fora do barómetro. Quase metade dos inquiridos (48%) disse não utilizar ou não confiar neste tipo de ferramentas para temas financeiros. Mas 44% referiram utilizá-la para explicar conceitos, 24% para comparar produtos financeiros, 18% para detetar possíveis burlas, 17% para apoiar o orçamento familiar e 12% para recomendar investimentos.

Ficha técnica: Este inquérito foi realizado pelo Centro de Estudos Aplicados (CEA) da Universidade Católica Portuguesa em colaboração com o Doutor Finanças, entre os dias 13 e 23 de julho de 2026. O universo-alvo é composto por indivíduos com 18 ou mais anos residentes em Portugal. Os inquiridos foram selecionados aleatoriamente a partir de uma lista de números de telemóvel, também ela gerada de forma aleatória. A margem de erro máximo associada a uma amostra aleatória de 700 inquiridos é de 4%, com um nível de confiança de 95%.   

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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