A inteligência artificial (IA) está cada vez mais presente no dia a dia dos portugueses, mas quando está em causa a gestão do seu dinheiro, a confiança nesta tecnologia ainda é baixa. É isso que revela o Barómetro de Literacia Financeira Digital, realizado pelo Doutor Finanças em parceria com a Católica-Lisbon, em que 48% dos inquiridos dizem não usar ferramentas de IA para tarefas relacionadas com finanças.
Mas esta postura face à IA não é um fenómeno isolado no âmbito das finanças pessoais. De acordo com o estudo, um terço dos inquiridos não se sente confiante para utilizar serviços financeiros digitais, como aplicações bancárias, pagamentos digitais ou outros serviços disponíveis através da internet.
Portugueses confiam na IA sobretudo para explicar conceitos
Para os que estão mais recetivos à utilização de IA na gestão das suas finanças, há duas finalidades que se destacam. Quase metade dos inquiridos recorre a estas ferramentas em busca de explicações sobre conceitos financeiros e um quarto usa-as para comparar produtos financeiros. Já 18% confiam à IA a missão de detetar possíveis burlas, enquanto 17% consideram que esta tecnologia pode ser útil no apoio à gestão do orçamento familiar.
Recomendar investimentos é, por outro lado, a função que gera maiores reservas: apenas 12% dos inquiridos dizem confiar na IA para esse efeito.

Estes resultados sugerem uma maior abertura na utilização de IA como ferramenta de esclarecimento, mas não tanto como um apoio na tomada de decisões financeiras.
Desconfiança aumenta à medida que a idade sobe
A idade marca diferenças significativas na forma como os portugueses encaram a utilização de IA para gerir dinheiro. É entre os 25 e os 34 anos que a resistência é menor: somente 29% dizem não confiar ou não utilizar IA para tarefas financeiras. Entre os 18 e os 24 anos, esta percentagem sobe para 35% – ainda assim, abaixo da média. A partir dos 45 anos, aumenta de forma mais acentuada, chegando aos 48% nesta faixa etária, aos 60%, entre os 55 e os 64 anos, e aos 71%, entre os maiores de 65 anos.
Esta diferença também se reflete nas finalidades para as quais a IA é utilizada. As pessoas entre os 25 e os 34 anos, mais entusiastas do uso de IA, recorrem a estas ferramentas principalmente para aprofundar conceitos financeiros. Mas, ao contrário das restantes faixas etárias, apontam-nas de seguida como um apoio ao orçamento familiar e só depois como ferramenta de comparação de produtos financeiros.
No que toca à recomendação de investimentos, a confiança na IA também é maior nesta faixa etária. Um quinto dos inquiridos entre os 25 e os 34 anos usa-a para este fim. Também nos jovens entre os 18 e os 24 anos e na faixa entre os 35 e 44 anos, o nível de confiança é superior à média (12%). Pelo contrário, a partir dos 55 anos, a relutância em usar a IA para saber onde investir aumenta exponencialmente.
Escolaridade também influencia a confiança na IA
A par da idade, também o nível de escolaridade influencia o grau de utilização e de confiança na IA. Neste caso, as diferenças são ainda mais vincadas. Entre as pessoas que não completaram o 3.º ciclo ou o ensino secundário, mais de sete em cada dez não confiam na IA para os ajudar a gerir o seu dinheiro (75% e 71%, respetivamente). Essa percentagem desce para 54% entre quem terminou o ensino secundário e, entre os inquiridos com ensino superior, para 38%.
A busca por explicações sobre conceitos financeiros continua a ser o principal objetivo de quem recorre à IA, menos no grupo de pessoas que não completaram o 3.º ciclo. Neste caso, a comparação de produtos financeiros e a deteção de burlas aparecem em primeiro, com uma percentagem de 14%, ainda assim abaixo da média.
Estes dados acompanham uma tendência identificada pelo Barómetro de Literacia Financeira Digital. A escolaridade tem impacto não só no nível de utilização de serviços financeiros digitais, como também no grau de confiança que os portugueses depositam neles.
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Ficha técnica: Este inquérito foi realizado pelo Centro de Estudos Aplicados (CEA) da Universidade Católica Portuguesa em colaboração com o Doutor Finanças, entre os dias 13 e 23 de julho de 2026. O universo-alvo é composto por indivíduos com 18 ou mais anos residentes em Portugal. Os inquiridos foram selecionados aleatoriamente a partir de uma lista de números de telemóvel, também ela gerada de forma aleatória. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 700 inquiridos é de 4%, com um nível de confiança de 95%.
