Conteúdos sobre poupança, orçamento e investimento nas redes sociais já influenciam as decisões financeiras dos portugueses. Segundo o Barómetro de Literacia Financeira Digital, realizado pelo Doutor Finanças em parceria com a Católica-Lisbon, 25% dos inquiridos reconhecem que estes canais tiveram influência na forma como lidaram com o dinheiro.
No entanto, 75% afirmam não ter sido influenciados pelas redes sociais. O 4.º Barómetro do Doutor Finanças mostra também diferenças relevantes na forma como estes canais são utilizados para procurar informação financeira, sobretudo consoante a idade, o sexo e a escolaridade.
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Dicas de poupança lideram, mas influência chega aos investimentos
As dicas de poupança e orçamento são a principal forma de influência identificada. 12% dos inquiridos afirmam ter aplicado este tipo de sugestões, enquanto 7% dizem ter considerado investimentos e 6% viram produtos financeiros, como créditos ou investimentos. Os dados dizem respeito aos três meses anteriores ao inquérito. No total, 25% admitem que as redes sociais influenciaram a forma como lidam com o dinheiro, enquanto 75% dizem não ter sido influenciados.

40% procuram informação em websites especializados
As redes sociais fazem parte dos canais utilizados pelos portugueses para acompanhar conteúdos sobre dinheiro, mas não lideram esta procura. 40% recorrem a websites especializados, como o portal do Doutor Finanças ou jornais, e 33% utilizam motores de pesquisa, como o Google.
Entre as redes sociais, o Instagram tem maior expressão, sendo utilizado por 20% dos inquiridos para aceder a conteúdos financeiros. O Facebook chega a 10% e o TikTok a 6%. Fora das redes sociais, 19% recorrem a podcasts e 17% ao YouTube.
Redes sociais ganham terreno entre os mais jovens
A idade altera de forma significativa os canais escolhidos para procurar informação sobre dinheiro. Entre os 18 e os 24 anos, 40% recorrem ao Instagram e 33% ao TikTok. Nesta faixa etária, o YouTube é utilizado por 30% e os podcasts por 26%.
Entre os 25 e os 34 anos, o Instagram ganha ainda mais peso, chegando a 51% dos inquiridos. Contudo, a procura não fica concentrada nas redes sociais. 54% recorrem a websites especializados, 47% a motores de pesquisa, 40% a podcasts e 39% ao YouTube.
Mulheres recorrem mais ao Instagram, homens ao YouTube
Também existem diferenças entre homens e mulheres. 25% das mulheres utilizam o Instagram para aceder a conteúdos sobre dinheiro, face a 14% dos homens. Nos podcasts, a utilização chega a 22% entre as mulheres e a 15% entre os homens.
No YouTube, a tendência inverte-se. A plataforma é utilizada por 22% dos homens e 14% das mulheres. As diferenças são menores no Facebook, usado por 9% das mulheres e 11% dos homens, e no TikTok, que chega a 6% em ambos os grupos.
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Escolaridade também muda o peso das redes sociais
As diferenças estendem-se ao nível de escolaridade. O Instagram é utilizado por 25% dos inquiridos com ensino superior para aceder a conteúdos sobre dinheiro, percentagem que desce para 19% entre quem concluiu o ensino secundário e para 6% entre quem completou o 3.º ciclo.
O TikTok apresenta valores mais reduzidos. Chega a 9% entre quem concluiu o ensino secundário e a 5% entre os inquiridos com ensino superior. Neste último grupo, a procura de informação encontra-se mais distribuída por vários canais, com 56% a recorrerem a websites especializados, 41% a motores de pesquisa e 25% a podcasts.
36% não consome conteúdos online sobre dinheiro
Apesar da diversidade de plataformas disponíveis, mais de um terço dos portugueses afirma não consumir conteúdos online sobre dinheiro. Esta realidade contrasta com os grupos mais jovens, entre os quais as redes sociais, o YouTube e os podcasts assumem um peso mais relevante na procura de informação financeira.
A diferença torna-se evidente com a idade. Entre os 25 e os 34 anos, 13% não consomem conteúdos sobre dinheiro, mas a percentagem sobe para 53% dos 55 aos 64 anos e para 61% entre os maiores de 65 anos. Os dados do 4.º Barómetro Doutor Finanças mostram, assim, diferenças marcadas entre gerações na forma como procuram informação financeira e no peso que os canais digitais assumem nesses hábitos.
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Ficha técnica: Este inquérito foi realizado pelo Centro de Estudos Aplicados (CEA) da Universidade Católica Portuguesa em colaboração com o Doutor Finanças, entre os dias 13 e 23 de julho de 2026. O universo-alvo é composto por indivíduos com 18 ou mais anos residentes em Portugal. Os inquiridos foram selecionados aleatoriamente a partir de uma lista de números de telemóvel, também ela gerada de forma aleatória. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 700 inquiridos é de 4%, com um nível de confiança de 95%.
Perguntas frequentes
40% dos inquiridos utilizam serviços financeiros digitais diariamente e 34% fazem-no todas as semanas. Em sentido contrário, 5% dizem utilizá-los raramente e 9% nunca recorrem a este tipo de serviço.
Segundo o Barómetro, entre os 14% que nunca ou raramente utilizam estes serviços, 42% preferem o atendimento presencial e 42% apontam a falta de confiança como motivo. Há ainda 12% que admitem não saber utilizar serviços financeiros digitais
O estudo revela que 80% afirmam confirmar o destinatário antes de fazer uma transferência bancária. Além disso, 52% evitam usar Wi-Fi público em operações financeiras, 51% atualizam regularmente aplicações ou sistemas e 48% dizem utilizar autenticação multifator.
63% têm notificações ativas para movimentos da conta ou do cartão. Quanto à consulta das transações, 33% verificam os movimentos diariamente e 42% fazem-no uma vez por semana. Apenas 3% afirmam nunca consultar os movimentos ou transações.
O roubo de identidade ou de dados é a principal preocupação, referida por 74% dos inquiridos. O roubo de dinheiro surge depois, com 56%, enquanto 31% apontam aplicações pouco claras e 29% receiam cometer erros na utilização de serviços digitais.
A explicação de conceitos financeiros lidera, com 44% dos inquiridos a dizerem que confiam na IA para esta tarefa. Seguem-se a comparação de produtos financeiros, com 24%, a deteção de possíveis burlas, com 18%, e o apoio ao orçamento familiar, com 17%.
