A internet faz parte do quotidiano da grande maioria dos portugueses. Segundo o Barómetro de Literacia Financeira Digital, realizado pelo Doutor Finanças em parceria com a Católica-Lisbon, 90% dos inquiridos utilizam internet todos os dias. Apenas 3% afirmam nunca a usar e 94% têm um smartphone com acesso à internet.
Os resultados do 4.º Barómetro Doutor Finanças mostram, contudo, diferenças relevantes entre gerações. A utilização diária mantém-se próxima da totalidade da população até aos 54 anos, mas diminui entre os grupos mais velhos. Entre as pessoas com 65 ou mais anos, quase uma em cada quatro nunca utiliza internet.
94% dos portugueses têm smartphone com acesso à internet
O acesso a equipamentos ligados à internet está generalizado. De acordo com o Barómetro de Literacia Financeira Digital, 94% dos inquiridos têm um smartphone com acesso à internet, enquanto apenas 6% não dispõem deste equipamento.
A frequência de utilização apresenta igualmente valores elevados. Além dos 90% que acedem à internet diariamente, 3% fazem-no várias vezes por semana e 4% raramente. Apenas 3% dizem nunca utilizar internet, mostrando que a não utilização representa uma pequena parcela no conjunto da população analisada.

24% dos maiores de 65 anos nunca utilizam internet
Entre as pessoas com 65 ou mais anos, 59% utilizam internet todos os dias, um valor bastante abaixo do registado nas restantes faixas etárias.
É também neste grupo que a não utilização ganha maior peso. 24% dos maiores de 65 anos nunca usam internet, enquanto 9% dizem fazê-lo raramente e 7% várias vezes por semana. No total, 33% deste grupo não utiliza a internet ou recorre a ela apenas de forma esporádica.

Utilização diária supera os 97% até aos 54 anos
Nas faixas etárias mais jovens, o cenário é bastante diferente. Entre os 18 e os 24 anos, 98% utilizam internet diariamente, percentagem que se mantém inalterada entre os 25 e os 34 anos e que sobe para 99% entre os 35 e os 44 anos.
Dos 45 aos 54 anos, a utilização diária continua elevada, nos 97%. A primeira descida mais visível acontece entre os 55 e os 64 anos, faixa em que 88% acedem diariamente à internet. Ainda assim, apenas 2% deste grupo diz nunca a utilizar.
Homens e mulheres apresentam hábitos semelhantes
Ao contrário do que acontece entre diferentes gerações, as diferenças entre homens e mulheres são reduzidas. O Barómetro de Literacia Financeira Digital indica que 92% dos homens utilizam internet todos os dias, face a 90% das mulheres.
Nos restantes níveis, os valores também permanecem próximos. Entre as mulheres, 3% utilizam internet várias vezes por semana, 2% raramente e 5% nunca. Entre os homens, 2% acedem várias vezes por semana, 3% raramente e outros 3% nunca utilizam internet.
A utilização da internet estende-se à gestão do dinheiro
A utilização generalizada da internet também está presente na forma como os portugueses gerem o dinheiro. Nos três meses anteriores ao inquérito, 74% utilizaram MB Way e 73% recorreram à aplicação do banco ou ao homebanking.
As compras online com cartão foram realizadas por 61% dos inquiridos e 52% utilizaram pagamentos através do telemóvel. Já 19% recorreram a plataformas de investimento online, 15% a aplicações de gestão de despesas ou orçamento e 6% utilizaram plataformas de criptomoedas.
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40% utilizam serviços financeiros digitais diariamente
Apesar de 90% dos portugueses utilizarem internet todos os dias, a utilização de serviços financeiros digitais apresenta uma frequência diferente. Segundo o Barómetro, 40% dos inquiridos recorrem diariamente a este tipo de serviço e 34% fazem-no semanalmente.
Outros 11% utilizam serviços financeiros digitais mensalmente, enquanto 5% recorrem a eles raramente e 9% nunca os utilizam. Entre os maiores de 65 anos, essa diferença volta a ser mais acentuada: apenas 16% utilizam estes serviços diariamente e 28% afirmam nunca recorrer a eles.
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Ficha técnica: Este inquérito foi realizado pelo Centro de Estudos Aplicados (CEA) da Universidade Católica Portuguesa em colaboração com o Doutor Finanças, entre os dias 13 e 23 de julho de 2026. O universo-alvo é composto por indivíduos com 18 ou mais anos residentes em Portugal. Os inquiridos foram selecionados aleatoriamente a partir de uma lista de números de telemóvel, também ela gerada de forma aleatória. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 700 inquiridos é de 4%, com um nível de confiança de 95%.
Perguntas frequentes
Entre os inquiridos que nunca ou raramente utilizam serviços financeiros digitais, 42% preferem o atendimento presencial e outros 42% apontam falta de confiança ou medo de fraude. Já 12% admitem não saber utilizar estes serviços. Estes resultados referem-se a uma subamostra reduzida e devem ser interpretados com cautela.
A maioria diz sentir-se confiante. No Barómetro de Literacia Financeira Digital, 63% consideram-se muito ou bastante confiantes na utilização destes serviços e na proteção dos seus dados. Em sentido contrário, 34% dizem sentir-se pouco ou nada confiantes.
Sim. Quase metade dos inquiridos, 47%, já deixou de realizar uma operação financeira por considerar o processo digital demasiado complexo. Em 38% dos casos aconteceu raramente, enquanto 9% dizem já ter desistido várias vezes. Já 49% afirmam nunca ter abandonado uma operação por este motivo.
O comportamento mais referido é confirmar o destinatário antes de uma transferência, praticado por 80% dos inquiridos. Evitar Wi-Fi público em operações financeiras é mencionado por 52%, atualizar aplicações ou sistemas por 51% e ativar autenticação multifator por 48%.
O roubo de identidade ou de dados é a principal preocupação, referida por 74% dos inquiridos. O roubo de dinheiro surge em segundo lugar, com 56%. As aplicações pouco claras preocupam 31% e 29% receiam cometer erros durante a utilização de serviços digitais.
A utilização ainda é limitada. Quase metade dos inquiridos, 48%, afirma não confiar nem utilizar ferramentas de inteligência artificial em contexto financeiro. Entre quem recorre a estas soluções, 44% confiam na IA para explicar conceitos, 24% para comparar produtos financeiros e 18% para detetar possíveis burlas.
