Imagem de estudantes universitários

O primeiro mês na universidade traz novas rotinas, novos gastos e, para muitos estudantes, a primeira experiência de gerir dinheiro com maior autonomia. Entre renda, alimentação, propinas e despesas de instalação, algumas decisões tomadas nas primeiras semanas podem ter impacto no orçamento durante todo o ano letivo.

E os erros mais caros nem sempre estão nos cafés, nas festas ou nas refeições fora. Adiar uma candidatura à bolsa, não pedir residência universitária ou transferir dinheiro por um quarto sem o verificar pode custar bastante mais.

Conheça dez erros financeiros que vale a pena evitar logo à entrada no ensino superior.

Quais são os principais erros no primeiro mês na universidade?

No primeiro mês na universidade, alguns dos erros financeiros mais relevantes passam por começar sem orçamento, subestimar despesas, deixar apoios por pedir ou tomar decisões precipitadas no alojamento. Outros surgem quando se assumem pagamentos recorrentes ou se recorre ao crédito sem avaliar o impacto nos meses seguintes. Evitar estes erros logo no início pode poupar muito mais do que cortar algumas pequenas despesas.

Porque é que o primeiro mês pode ficar mais caro?

O início do ano letivo concentra despesas que não se repetem todos os meses. Além da renda, alimentação e transportes, podem surgir cauções, rendas antecipadas, material para o curso, utensílios para casa, roupa de cama ou taxas cobradas pela instituição. Somar todos estes valores às despesas habituais pode tornar o primeiro orçamento bastante diferente dos seguintes.

Também existem encargos que não são pagos todos os meses, mas devem ser previstos desde o início. É o caso da propina, quando é repartida em prestações, de determinados materiais académicos ou de outras despesas que surgem ao longo do semestre. Separar estes custos ajuda a perceber quanto do dinheiro disponível pode realmente ser gasto.

Tipo de despesa

Exemplos

O que deve prever

Instalação

Caução, renda antecipada, roupa de cama, utensílios, material inicial

Maior peso no primeiro mês

Mensal

Renda, alimentação, transportes, telecomunicações

Valor que terá de suportar todos os meses

Periódica

Propina, materiais do curso, algumas taxas

Dinheiro que deve reservar antecipadamente

Imprevistos

Medicamentos, deslocação inesperada, reparação do computador

Uma pequena margem que evite desequilibrar o orçamento

1. Olhar para o saldo como dinheiro disponível

Ter dinheiro na conta não significa que possa gastá-lo todo. Imagine que começa o mês com 800 euros, mas 500 euros já estão destinados à renda, alimentação, propina e outros compromissos. O valor verdadeiramente disponível é bastante inferior ao saldo que vê no telemóvel.

Antes de começar a gastar, identifique quanto vai receber, quando recebe e que despesas têm de ser pagas primeiro. Conte apenas com rendimentos certos. Uma bolsa ainda em análise ou uma ajuda familiar sem data definida não deve financiar despesas que vencem entretanto. Desta forma, reduz o risco de gastar hoje o dinheiro de que vai precisar algumas semanas depois.

2. Esquecer os custos que só aparecem no início

Renda e propina estão entre as despesas mais evidentes, mas não mostram quanto custa realmente começar a universidade. Caução, material para o curso, roupa de cama, utensílios para casa ou taxas cobradas pela instituição podem concentrar vários pagamentos nas primeiras semanas. Se forem tratados como despesas mensais normais, o orçamento começa logo desequilibrado.

Por isso, separe os custos de instalação das despesas que vão repetir-se todos os meses. Faça o mesmo com pagamentos periódicos.

A propina de licenciaturas e mestrados integrados abrangidos pela regra legal pode ser paga em pelo menos sete prestações mensais, embora cada instituição defina o respetivo calendário. Confirmar essas datas permite reservar o dinheiro à medida que os pagamentos se aproximam, em vez de comprometer desnecessariamente o orçamento do primeiro mês.

3. Assumir que a bolsa chega automaticamente

A palavra “automática” pode induzir em erro. Quem entra pelo Concurso Nacional de Acesso e reúne as condições para a atribuição automática da bolsa de estudo continua a ter de apresentar o requerimento. Este pode ser submetido antes da matrícula, evitando que o estudante deixe o pedido para uma fase em que já está a suportar despesas.

Os valores ajudam a perceber o que pode estar em causa. Em 2026/2027, os estudantes abrangidos pelo processo automático recebem inicialmente 2.955 euros se pertencessem ao 1.º escalão do abono de família, 1.343 euros no 2.º escalão e 872 euros no 3.º escalão. Estes montantes são posteriormente verificados e podem ser ajustados.

Além disso, quem ingressa pela primeira vez no ensino superior e pertence ao 1.º escalão pode receber uma bolsa de incentivo equivalente a dois IAS, acumulável com a bolsa de estudo. São apoios diferentes e não devem ser confundidos.

Entregar a candidatura fora do período normal pode ainda reduzir a bolsa, uma vez que o apoio passa a considerar apenas o período previsto nas regras aplicáveis à candidatura tardia.

Leia ainda: Bolsas de estudo: O que muda em 2026/2027 no ensino superior

5. Transferir dinheiro antes de confirmar que o quarto existe

A pressão para encontrar alojamento pode levar a pagar um sinal sem verificar o imóvel ou quem o anuncia. Desconfie de preços muito abaixo do habitual, pedidos de transferência urgente e proprietários que evitam uma visita. Antes de pagar, visite o imóvel sempre que possível, confirme a identidade de quem está a arrendar e procure as fotografias do anúncio noutras plataformas.

Confirme também quanto lhe estão a pedir antes de assinar. O artigo 1076.º do Código Civil permite, mediante acordo escrito, antecipar até duas rendas e estabelecer uma caução até ao equivalente a duas rendas. Se lhe exigirem vários meses antecipadamente ou um pagamento elevado apenas para reservar o quarto, não transfira o dinheiro sem esclarecer primeiro as condições.

Leia ainda: O que deve constar no contrato de arrendamento para estudantes?

6. Deixar apoios e descontos por ativar

Alguns estudantes procuram cortar pequenas despesas quando ainda não ativaram benefícios que podem reduzir custos todos os meses. O transporte é um dos exemplos mais relevantes, já que muitos jovens podem beneficiar de passe gratuito.

Nas primeiras semanas, confirme pelo menos:

  • Se pode pedir o passe gratuito para jovens;
  • Quais são os preços das refeições nos serviços de ação social;
  • Se existem apoios específicos da instituição para alimentação, material ou outras despesas;
  • Que documentos ou pedidos são necessários para ter acesso a esses benefícios.

O passe gratuito abrange, em regra, jovens dos 18 aos 23 anos e mantém-se até ao último dia do mês em que completam 24 anos. Existem regras próprias para determinados cursos com ciclo de estudos integrado. Não espere, por isso, que todos estes benefícios sejam ativados automaticamente.

7. Perder o controlo das subscrições

Streaming, armazenamento online, aplicações, ginásio, telemóvel ou software podem parecer despesas pequenas quando analisadas separadamente. Mas cinco pagamentos de 8 euros já representam 40 euros por mês e 480 euros num ano.

Faça uma lista das subscrições, do valor e da data de cobrança. Tenha especial atenção aos períodos gratuitos e preços promocionais, porque a mensalidade pode aumentar quando terminam. O importante não é eliminar todos estes serviços, mas saber quanto retiram ao orçamento todos os meses.

8. Usar o cartão de crédito para chegar ao fim do mês

O limite do cartão de crédito não é rendimento disponível. Se utilizar 200 euros para pagar despesas correntes, terá de devolver esse valor. Quando liquida a totalidade do montante utilizado na data prevista, pode não pagar juros. Mas, se pagar apenas uma parte, o restante fica em dívida e pode gerar juros e outros encargos.

Em setembro de 2026, a TAEG máxima aplicável aos cartões de crédito é de 18,5%. Para ter uma referência, se uma dívida de 200 euros se mantivesse durante um ano com um custo efetivo equivalente a essa taxa, os encargos rondariam 37 euros. É um exemplo indicativo, já que o valor efetivamente pago depende das condições do cartão e da forma e prazo de reembolso.

Recorrer ao cartão repetidamente para pagar alimentação, renda ou outras despesas correntes pode fazer com que o mês seguinte comece já com parte do rendimento comprometido. Antes de utilizar crédito, confirme quanto terá de devolver e se o orçamento permite suportar esse pagamento.

9. Escolher uma conta jovem sem olhar para os custos

Uma conta dirigida a jovens pode ter condições vantajosas, mas o nome não garante que todos os serviços sejam gratuitos. Antes de abrir uma conta, veja quanto paga pela manutenção, cartão, transferências e operações que utiliza com maior frequência.

Se já tiver outra conta, confirme também se vale a pena mantê-la. Uma conta sem movimentos pode continuar a gerar comissões. Quem cumpra os requisitos legais pode ainda ter acesso aos serviços mínimos bancários, cujo custo máximo está limitado por lei a 1% do IAS por ano. Compare primeiro as alternativas e escolha em função dos serviços de que realmente precisa.

Leia ainda: Contas e cartões para estudantes: Quais são os benefícios?

10. Gastar até ao último euro

Não é necessário começar a universidade com uma reserva equivalente a vários meses de despesas. Mas ficar sistematicamente com zero euros deixa pouco espaço para um medicamento, uma deslocação inesperada, uma reparação do computador ou material que não estava previsto.

Comece com uma pequena margem que seja compatível com o dinheiro disponível e tente reforçá-la ao longo do ano. Depois do primeiro mês, reveja também o orçamento com base nas despesas reais.

Se estimou 150 euros para alimentação e gastou 210 euros, analise primeiro o que provocou a diferença. Pode ter havido uma despesa excecional, mais refeições fora do que o previsto ou simplesmente uma estimativa demasiado baixa. Só depois deve ajustar o orçamento do mês seguinte.

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O primeiro mês pode definir as contas do resto do ano

O primeiro mês na universidade também serve para testar se o orçamento que preparou corresponde à realidade. No final desse período, compare o que previa gastar com o que efetivamente gastou em alimentação, transportes, alojamento, lazer e outras categorias. Sempre que houver uma diferença relevante, procure primeiro a causa antes de aumentar ou cortar automaticamente esse valor.

Se gastou mais em alimentação, por exemplo, perceba se houve uma despesa pontual, se comeu mais vezes fora ou se a estimativa inicial era demasiado baixa. Faça o mesmo com transportes, material académico ou despesas de casa. Esta análise permite corrigir valores que estavam desajustados sem transformar um gasto excecional numa nova despesa mensal.

A partir daí, organize também um calendário com as despesas que não chegam todos os meses ou outros pagamentos previstos ao longo do semestre. Junte-lhe as despesas fixas, os pagamentos recorrentes e uma pequena margem para imprevistos.

Assim, o orçamento deixa de ser apenas uma previsão feita no início do ano e passa a acompanhar o que realmente acontece ao longo da universidade.

Perguntas frequentes

Sim. Pode candidatar-se à mudança de par instituição/curso se cumprir as condições definidas pela instituição de destino. Os prazos, vagas e critérios de seriação são estabelecidos por cada instituição. A mudança não é, em regra, permitida no mesmo ano letivo em que entrou e se matriculou no curso inicial.

Depende do regulamento da instituição e da data em que anula a matrícula. A desistência não significa automaticamente que deixa de dever as prestações restantes. Algumas instituições estabelecem prazos após os quais pode ser exigida a totalidade da propina do ano letivo. Confirme as regras antes de formalizar a anulação.

Não. Para efeitos da dedução das rendas como estudante deslocado, a Autoridade Tributária indica que não deve alterar o domicílio fiscal para a casa arrendada durante os estudos. A residência permanente do agregado continua a ser relevante para verificar, entre outras condições, a distância exigida para este benefício.

Sim, desde que estejam reunidas as condições legais. Entre outros requisitos, o estudante deve ter até 25 anos, frequentar um estabelecimento de ensino situado a mais de 50 quilómetros da residência permanente do agregado e constar como arrendatário no contrato. A despesa pode ser considerada como educação no IRS.

Sim. Quem trabalha e frequenta um curso superior pode pedir o estatuto de trabalhador-estudante, apresentando ao empregador comprovativos da condição de estudante e do horário. O regime prevê direitos relacionados com horários, frequência de aulas e provas de avaliação. A manutenção do estatuto nos anos seguintes depende do aproveitamento escolar.

Em regra, não automaticamente. Para serem consideradas despesas de educação, as compras têm de cumprir os requisitos previstos no Código do IRS, incluindo o tipo de bem ou serviço, a tributação em IVA e a atividade do emitente da fatura. Um computador comprado numa loja comum não passa a ser despesa de educação apenas por ser utilizado na universidade.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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