Dois em cada três portugueses já foram alvo de tentativas de fraude relacionadas com dinheiro. No entanto, é o roubo de identidade ou de dados que mais os preocupa quando utilizam meios digitais. As conclusões são do Barómetro de Literacia Financeira Digital, realizado pelo Doutor Finanças em parceria com a Católica-Lisbon.
Reflexo destas preocupações, o estudo revela ainda que um terço dos inquiridos não se sente confiante na utilização destes serviços e na proteção dos seus dados.
Roubo de identidade é o principal receio, mas dinheiro também preocupa
Quando questionados sobre o que mais os preocupa na utilização de meios digitais, 74% dos portugueses apontam, em primeiro lugar, o roubo de identidade ou de dados. O roubo de dinheiro surge logo a seguir, com uma percentagem de 56%.
Mas, quando recorrem a serviços e aplicações digitais, as preocupações não se limitam à possibilidade de alguém aceder indevidamente aos seus dados ou ao seu dinheiro. 31% receiam ter de recorrer a aplicações que lhes pareçam pouco claras e 29% temem enganar-se ao realizar uma tarefa ou operação no digital.
Dois em cada três já foram alvo de uma tentativa de fraude
As preocupações reveladas pelos inquiridos não são de estranhar. Dois em cada três afirmam ter sido alvo de uma tentativa de fraude ou roubo relacionado com dinheiro ou dados nos 12 meses anteriores ao estudo. Ainda assim, para a maioria (60%), tratou-se apenas de uma tentativa, sem consequências financeiras. Mas nem todos tiveram a mesma sorte: 4% sofreram perdas financeiras e 2% acabaram por partilhar os seus dados, embora não tenham perdido dinheiro.
O modo de abordagem varia, mas os contactos por e-mail ou SMS dominam: 86% das tentativas de fraude surgiram por esta via. Seguem-se as chamadas telefónicas, com 31%, e serviços como o WhatsApp ou o Telegram, com 18%. 6% dos inquiridos mencionam ainda as redes sociais, como Instagram ou Facebook, enquanto os anúncios online representam 7% das respostas.
Depois de uma tentativa de fraude, metade dos portugueses não altera os seus comportamentos
Apesar das preocupações com a segurança e da elevada exposição a tentativas de fraude no digital, a reação dos lesados nem sempre passa por reforçar os cuidados. Entre os inquiridos que foram vítimas deste crime, 47% fizeram queixa às autoridades ou reclamaram junto da plataforma em questão e 40% contactaram o banco. Mas apenas 30% bloquearam cartões ou alteraram passwords e 23% admitem mesmo não ter feito nada após terem sido burlados.
Comportamento semelhante teve quem foi alvo de tentativa de burla ou fraude. Neste caso, apenas metade afirma ter alterado algum comportamento na sequência dessa experiência.
Ainda assim, a maioria (65%) sente-se capaz de identificar tentativas de fraude online. Já 31% não se mostram confiantes para reconhecer fraudes deste tipo.
Aplicações pouco claras também afastam os portugueses das operações digitais
A segurança não é o único fator que pode dificultar a utilização dos serviços financeiros digitais. A complexidade dos processos também representa um obstáculo relevante. 47% dos portugueses dizem já ter deixado de realizar uma operação financeira por considerarem o processo digital demasiado complexo.
Este resultado está relacionado com outra das principais preocupações no uso do digital identificadas no barómetro: 31% dos inquiridos apontam as apps pouco claras como motivo de preocupação e 29% receiam cometer erros quando utilizam estas e outras ferramentas. Talvez por isso 14% das pessoas quase nunca façam uso de serviços financeiros digitais. A falta de confiança e o medo de fraude são apontado por 42% como um dos motivos para essa menor utilização.
Apesar de tudo, os receios com a segurança e a complexidade não parecem impedir a utilização generalizada destes serviços. 74% dos inquiridos utilizam serviços financeiros digitais, pelo menos, semanalmente, sendo que, desses, uma fatia de 40% o faz diariamente.
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Ficha técnica: Este inquérito foi realizado pelo Centro de Estudos Aplicados (CEA) da Universidade Católica Portuguesa em colaboração com o Doutor Finanças, entre os dias 13 e 23 de julho de 2026. O universo-alvo é composto por indivíduos com 18 ou mais anos residentes em Portugal. Os inquiridos foram selecionados aleatoriamente a partir de uma lista de números de telemóvel, também ela gerada de forma aleatória. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 700 inquiridos é de 4%, com um nível de confiança de 95%.
