Imagem de um multibanco

Lançado em julho para levar serviços bancários a freguesias onde não existem agências bancárias ou caixas automáticas nas proximidades, o Multibanco + Perto poderá chegar agora a mais localidades interessadas em aderir ao projeto.

Na audição parlamentar de 22 de setembro, o secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, adiantou que há 19 freguesias que pretendem aderir. Na mesma audição, o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, indicou que cerca de 70% das operações realizadas nos terminais correspondem a levantamentos de dinheiro.

O projeto continua, contudo, em fase-piloto, pelo que as novas adesões ainda não estão confirmadas.

O que é o Multibanco + Perto?

O Multibanco + Perto é um projeto-piloto criado para levar serviços bancários e de pagamento a freguesias onde estes não existem nas proximidades. Em vez de uma caixa Multibanco tradicional, utiliza terminais digitais portáteis, os SmartPOS, que permitem realizar cerca de 90% das operações disponíveis nas caixas Multibanco.

Como funciona na prática?

Os terminais ficam sob gestão das juntas de freguesia e o utilizador faz a operação no equipamento com o cartão. Há, contudo, uma diferença importante nos levantamentos: o SmartPOS não guarda nem entrega as notas. Cabe à junta garantir o dinheiro necessário e entregá-lo ao utilizador depois de concluída a operação.

A portabilidade é outra das diferenças. Como o equipamento pode ser levado até pessoas com dificuldades de mobilidade, o serviço pode ser prestado fora do local onde o terminal funciona habitualmente. Desta forma, estes utilizadores podem realizar operações bancárias sem sair de casa.

Leia ainda: Quais os limites de transferência pelo Multibanco?

Que operações pode fazer no Multibanco + Perto?

Os SmartPOS permitem realizar a maioria das operações mais utilizadas numa caixa Multibanco. Além dos levantamentos, é possível fazer pagamentos, carregamentos e consultar dados da conta.

Operação

O que pode fazer

Levantar dinheiro

Fazer a operação no terminal e receber o numerário disponibilizado pela junta de freguesia

Pagar serviços

Pagar, por exemplo, contas de eletricidade ou água

Fazer pagamentos ao Estado

Efetuar pagamentos destinados a entidades públicas

Carregar o telemóvel

Fazer carregamentos através do terminal

Carregar títulos de transporte

Carregar títulos utilizados nos transportes

Consultar a conta

Ver saldo e movimentos

No conjunto, estes serviços representam cerca de 90% das operações que podem ser realizadas nos caixas Multibanco tradicionais

Leia ainda: Perdeu o cartão multibanco? Saiba o que deve fazer

Mais 19 freguesias querem aderir ao projeto

Quando foi lançado, o projeto-piloto foi pensado para abranger até 30 freguesias. Na audição parlamentar de 22 de setembro, na Comissão da Reforma do Estado e Poder Local, Silvério Regalado adiantou que mais 19 freguesias pretendem aderir ao Multibanco + Perto.

Isto não significa que a adesão destas 19 freguesias esteja já confirmada. O Governo continua a avaliar o funcionamento do projeto e não foi divulgada uma lista das localidades interessadas nem um calendário para a respetiva entrada no projeto.

Porque foi necessário criar este serviço?

Quando apresentou o Multibanco + Perto, o Governo recorreu a dados de 2022, segundo os quais 1.276 freguesias, 41% do total, não tinham qualquer ponto de acesso a numerário. Nestas localidades viviam cerca de 740 mil pessoas, aproximadamente 7% da população.

Entretanto, o Banco de Portugal atualizou este retrato. No final de 2025, havia 1.241 freguesias sem um ponto de acesso a numerário, o equivalente a 40% do total. Nestas localidades residiam cerca de 700 mil pessoas, mantendo-se em 7% a proporção da população afetada.

Em três anos, o número diminuiu em 35 freguesias e a população abrangida baixou cerca de 40 mil pessoas.

Apesar de 95% da população ter um ponto de acesso a menos de 5 quilómetros por estrada, em 67 freguesias, onde residiam cerca de 16 mil pessoas, o ponto mais próximo ficava a mais de 15 quilómetros.

As maiores dificuldades concentravam-se no interior, sobretudo em Bragança e Vila Real. Foi precisamente na freguesia de Tó, no concelho de Mogadouro e distrito de Bragança, que o Multibanco + Perto começou a funcionar em julho.

Leia ainda: Multibanco e ATM. Que diferenças separam as caixas automáticas?

Nem todas as freguesias terão de receber a mesma solução

Os SmartPOS não foram apresentados como substitutos das caixas Multibanco tradicionais em todas as localidades. O projeto-piloto também serve para determinar qual é a resposta mais adequada a cada freguesia.

Em algumas localidades, a mobilidade do equipamento e a prestação do serviço através da junta podem tornar o Multibanco + Perto uma alternativa mais ajustada. Noutras, a avaliação poderá concluir que faz mais sentido instalar uma caixa automática tradicional. Essa decisão dependerá dos resultados obtidos durante a fase-piloto.

Perguntas frequentes

Sim. “Multibanco Social” é uma designação informal utilizada em algumas notícias. O nome oficial da medida é Multibanco + Perto.

A informação pública disponível não estabelece a residência na freguesia como condição de acesso. Ainda assim, como o serviço é organizado localmente, eventuais regras de utilização devem ser confirmadas junto da respetiva junta de freguesia.

Não está previsto que o serviço funcione obrigatoriamente durante 24 horas. Como o terminal e o numerário são geridos pela junta de freguesia, a disponibilidade pode depender do horário e das condições definidos em cada localidade.

Não foi divulgado um limite de levantamento próprio do Multibanco + Perto. O montante disponível pode depender dos limites associados ao cartão e da quantidade de numerário que a junta de freguesia consiga assegurar no momento da operação.

A forma mais direta é contactar a junta de freguesia. Ainda não existe um localizador público dedicado ao Multibanco + Perto e o Governo não divulgou a lista das 19 freguesias que manifestaram interesse em aderir.

As juntas interessadas deverão contactar a Associação Nacional de Freguesias ou as entidades responsáveis pelo projeto para conhecer as condições aplicáveis e manifestar o seu interesse. A iniciativa envolve o Governo, o Banco de Portugal, a SIBS e a ANAFRE.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

AdultosBancaFinanças pessoaisVida e família