Casas em Lisboa

A avaliação bancária das casas voltou a atingir um novo máximo histórico. Segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o valor mediano fixou-se em 2.208 euros por metro quadrado em maio, mais 34 euros do que em abril e 17,1% acima do registado no mesmo mês de 2025.

A subida mensal acelerou para 1,6%, depois do aumento de 1,1% em abril. Apartamentos e moradias ficaram mais valorizados, embora os primeiros continuem a apresentar valores e ritmos de crescimento bastante superiores.

Avaliação bancária sobe 103 euros desde o início do ano

Os bancos avaliaram as casas em mais 34 euros por metro quadrado entre abril e maio. Este foi o maior aumento mensal em valor absoluto desde o início de 2026 e permitiu ultrapassar, pela primeira vez, a fasquia dos 2.200 euros.

Entre janeiro e maio, o valor mediano da avaliação bancária aumentou 103 euros por metro quadrado, o equivalente a 4,9%. A evolução mostra que as avaliações continuaram a avançar todos os meses, apesar de o ritmo homólogo ter abrandado durante o primeiro trimestre.

Mês de 2026

Valor mediano

Variação mensal

Variação homóloga

Janeiro

2.105 €/m²

1,2%

18,7%

Fevereiro

2.122 €/m²

0,8%

17,2%

Março

2.151 €/m²

1,4%

16,5%

Abril

2.174 €/m²

1,1%

16,5%

Maio

2.208 €/m²

1,6%

17,1%

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Ritmo de crescimento voltou a acelerar

Face ao mesmo mês de 2025, a avaliação bancária cresceu 17,1% em maio. A taxa ficou acima dos 16,5% registados em março e abril, interrompendo a desaceleração observada desde o arranque do ano.

Nenhuma região do país apresentou uma descida em termos mensais ou homólogos. O Oeste e Vale do Tejo e o Norte registaram os maiores aumentos face a abril, ambos de 1,9%. Já a Península de Setúbal liderou a subida anual, com uma valorização de 22,5%.

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Apartamentos aproximam-se dos 2.600 euros por metro quadrado

A avaliação bancária dos apartamentos atingiu 2.580 euros por metro quadrado, mais 1,3% do que em abril e 19,7% acima do valor observado um ano antes. Este crescimento ficou 6,3 pontos percentuais acima do registado nas moradias.

A Grande Lisboa manteve o valor mais elevado, com 3.378 euros por metro quadrado, seguida pelo Algarve, com 2.945 euros. No extremo oposto ficaram o Alentejo, com 1.584 euros, e o Centro, com 1.686 euros por metro quadrado.

Entre as diferentes tipologias, os apartamentos T1 continuaram a apresentar o valor mais elevado. A mediana subiu 40 euros, para 3.279 euros por metro quadrado. Nos T2, aumentou 26 euros, para 2.641 euros, enquanto nos T3 avançou 30 euros, para 2.229 euros.

O Alentejo registou o maior aumento mensal dos apartamentos, com uma subida de 6,3%. Na comparação com maio de 2025, o crescimento mais expressivo ocorreu no Oeste e Vale do Tejo, onde a avaliação aumentou 26,3%.

Moradias também sobem, mas ficam longe dos apartamentos

Nas moradias, o valor mediano da avaliação bancária fixou-se em 1.581 euros por metro quadrado. Isto representa uma subida de 1,3% face a abril e de 13,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

A diferença entre apartamentos e moradias chegou, assim, aos 999 euros por metro quadrado. Embora esta comparação não considere as características e localizações dos imóveis avaliados, confirma que os apartamentos apresentam uma mediana bastante superior.

As moradias mais valorizadas encontravam-se na Grande Lisboa, onde a mediana chegou aos 2.874 euros por metro quadrado, e no Algarve, com 2.786 euros. O Centro apresentou o valor mais baixo, de 1.152 euros, seguido pelo Alentejo, com 1.279 euros.

As tipologias T2, T3 e T4 registaram aumentos face a abril. As moradias T2 subiram 34 euros, para 1.576 euros por metro quadrado. As T3 avançaram quatro euros, para 1.531 euros, e as T4 aumentaram 18 euros, para 1.672 euros.

Grande Lisboa supera a mediana nacional em mais de 50%

A Grande Lisboa continua a destacar-se como a região onde os imóveis são avaliados pelos valores mais elevados. Em maio, a avaliação bancária ficou 50,4% acima da mediana do país. Seguiram-se o Algarve, com uma diferença de 31,6%, e a Península de Setúbal, com 23,3%.

As maiores diferenças negativas foram registadas na Beira Baixa, nas Beiras e Serra da Estrela e em Terras de Trás-os-Montes. Nestas regiões, os valores ficaram, respetivamente, 54,2%, 53,3% e 51,9% abaixo da mediana nacional.

Regiões mais valorizadas face à mediana do país:

  • Grande Lisboa: mais 50,4%;
  • Algarve: mais 31,6%;
  • Península de Setúbal: mais 23,3%.

Bancos realizaram mais de 35 mil avaliações em maio

Os dados de maio tiveram por base 35.552 avaliações bancárias realizadas no âmbito de pedidos de crédito para aquisição de habitação. Deste total, 22.139 corresponderam a apartamentos e 13.413 a moradias.

Foram realizadas mais 1.069 avaliações do que em abril, um crescimento mensal de 3,1%. Comparando com maio de 2025, o número de avaliações aumentou 0,8%, confirmando que o novo máximo foi alcançado num mês em que a atividade avaliadora também cresceu.

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Perguntas frequentes

O valor mediano corresponde ao ponto que divide as avaliações em duas partes iguais: metade dos imóveis foi avaliada acima desse montante e a outra metade abaixo. Não representa o preço médio das casas nem significa que todos os imóveis de uma região sejam avaliados pelo mesmo valor por metro quadrado.

Pode permitir, mas não garante a aprovação de um montante superior. O banco considera o menor valor entre o preço de compra e a avaliação do imóvel para calcular o financiamento. Além disso, analisa os rendimentos, a taxa de esforço, a estabilidade profissional, a idade dos titulares e o histórico de crédito.

Não necessariamente. A avaliação bancária estima o valor do imóvel para efeitos de concessão de crédito habitação. Já o preço de venda resulta do acordo entre comprador e vendedor e pode ser superior ou inferior. Quando a avaliação fica abaixo do preço acordado, o comprador pode ter de reforçar a entrada com capitais próprios.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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