Imagine que definiu o objetivo de poupar 100 euros todos os meses. Basta surgir uma despesa inesperada ou um mês com encargos mais elevados para essa meta ficar fora do alcance. No entanto, no mês seguinte, a situação pode inverter-se e até conseguir guardar um pouco mais.
Isto significa que uma poupança regular não tem necessariamente de ter sempre o mesmo valor. Pode definir uma meta mensal e ajustá-la quando o orçamento assim o exigir, sem perder de vista os seus objetivos.
Poupar todos os meses não significa guardar sempre o mesmo valor
Definir um objetivo mensal ajuda a criar disciplina e a integrar a poupança no orçamento. Por exemplo, pode estabelecer que quer guardar 100 euros por mês para constituir um fundo de emergência, preparar umas férias ou financiar outro objetivo.
Nuns meses, pode conseguir cumprir esse objetivo, noutros pode ficar abaixo e noutros ainda pode superá-lo. O importante é acompanhar os rendimentos e as despesas para perceber quanto pode colocar de lado sem comprometer os encargos que tem de pagar.
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Quanto consegue realmente poupar por mês?
Antes de estabelecer uma meta, comece por fazer as contas. Identifique os seus rendimentos líquidos e registe as despesas que tem habitualmente.
Pode separar os encargos entre fixos e variáveis e distinguir aqueles que são necessários dos que correspondem a despesas não essenciais. Esta análise permite perceber quanto dinheiro fica disponível depois de assegurados os compromissos de cada mês.
Tenha também atenção às despesas que não surgem mensalmente. Seguros, manutenção do automóvel ou determinados gastos escolares são alguns exemplos de encargos que podem surgir em momentos específicos.
Se olhar apenas para um mês em que estes pagamentos não existem, pode ficar com uma ideia pouco representativa do dinheiro que realmente tem disponível para poupar.
Defina uma meta de poupança que consiga cumprir
Depois de conhecer o orçamento, pode estabelecer um valor de referência para a poupança. Existem métodos que sugerem determinadas percentagens. Por exemplo, na regra 50/30/20, 20% do rendimento é destinado à poupança, investimento ou pagamento de dívidas.
No entanto, uma percentagem usada como referência pode não se ajustar à situação de todas as famílias. Publicado em maio de 2025, o Barómetro Hábitos Financeiros, realizado pelo Doutor Finanças em parceria com a Católica-Lisbon, concluiu que apenas 17% dos portugueses poupam mais de 20% do rendimento.
Pouco menos de metade (44%) reserva entre 5% e 20% do rendimento para poupança, enquanto 27% poupam pouco ou nada.
Assim, comece por perceber quanto consegue efetivamente guardar. Se a margem disponível for reduzida, pode definir um objetivo mais baixo e revê-lo mais tarde.
Uma meta demasiado exigente pode ser difícil de manter. Começar com um montante que se enquadra no seu orçamento permite testar durante alguns meses se o objetivo é adequado. Se verificar que consegue poupar esse valor com facilidade, pode aumentá-lo.
Também deve rever o objetivo quando existirem alterações relevantes no orçamento, como um aumento ou redução dos rendimentos ou uma mudança significativa nas despesas.
A meta de poupança pode adaptar-se ao seu orçamento
Imagine que concluiu que consegue poupar 100 euros por mês. Este pode ser o seu valor de referência, mas não significa que tenha sempre de poupar exatamente 100 euros.
Num mês com uma despesa adicional, pode existir margem apenas para 50 euros. Se no mês seguinte tiver menos encargos, pode colocar de lado 150 euros.
Uma forma simples de organizar esta flexibilidade é definir três valores de referência: um mínimo para os meses em que existe menor margem, um valor habitual para os meses em que não existem alterações relevantes no orçamento e um valor extra para as alturas em que tem maior disponibilidade financeira.
Não existem percentagens certas para cada um destes valores. Devem ser definidos de acordo com os seus rendimentos, despesas e objetivos de poupança. Por exemplo, se costuma conseguir poupar 100 euros por mês, pode assumir esse montante como valor habitual e prever um valor mais baixo para os meses em que tem menos margem.
O valor mínimo deve igualmente ser encarado como uma referência. Perante uma redução significativa do rendimento ou uma despesa inesperada, pode haver meses em que não consegue poupar. Isto é especialmente verdade nas famílias com rendimentos mais baixos, sobretudo quando existem aumentos importantes do custo de vida.
Exemplo de uma poupança flexível
Imagine uma pessoa que recebe 1.400 euros líquidos por mês e que, depois de analisar os seus rendimentos e despesas, conclui que consegue habitualmente poupar 120 euros.
Pode usar esse montante como valor habitual e definir outros dois valores de referência. Por exemplo, 60 euros como mínimo para os meses em que tem menor margem e 160 euros como valor extra quando existe maior disponibilidade.
Assim, num mês em que tem uma despesa adicional, coloca de lado 60 euros. Noutro, consegue poupar os 120 euros habituais. Mais tarde, num mês em que as despesas são inferiores, chega aos 160 euros.
Esta abordagem exige, ainda assim, algum controlo. Se todos os meses ficar abaixo do valor habitual, pode ser sinal de que este não está ajustado ao orçamento e deve ser revisto.
E se os seus rendimentos variarem todos os meses?
Para quem recebe um rendimento diferente todos os meses, definir um valor fixo de poupança pode ser ainda mais difícil. É o caso de alguns trabalhadores independentes ou de quem recebe parte dos rendimentos através de comissões.
Uma possibilidade é usar como referência a média mensal dos rendimentos do último ano. Desta forma, as oscilações entre meses são consideradas na elaboração do orçamento.
Pode também optar por uma abordagem mais prudente e construir o orçamento a partir dos meses em que tende a receber menos. Quando o rendimento for superior, terá então margem para decidir como utilizar a diferença.
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O que fazer quando se recebe um prémio ou outro rendimento extraordinário?
Prémios de desempenho, comissões e outros rendimentos extraordinários podem aumentar consideravelmente o dinheiro disponível num determinado mês. Mas, quando não sabe antecipadamente se vai recebê-los ou qual será o montante, não deve depender deles para equilibrar o orçamento habitual.
Quando o dinheiro entrar, pode então decidir o que fazer em função da sua situação financeira. Se tem despesas previstas para as quais ainda não reservou dinheiro, pode destinar parte do rendimento a esses encargos.
Se pretende reforçar o fundo de emergência ou está a poupar para outro objetivo, pode aproveitar para aumentar essa poupança.
Também pode dividir o montante por diferentes finalidades. A decisão depende das prioridades que definiu e da situação do seu orçamento naquele momento.
O mesmo princípio pode ser aplicado a outras entradas de dinheiro que não fazem parte do rendimento mensal habitual, tendo sempre em conta a sua natureza e os compromissos financeiros existentes.
Avalie a poupança ao longo do tempo
Se estabeleceu uma meta mensal de 100 euros e num determinado mês poupou apenas 70, isso não significa necessariamente que o plano falhou. O mês seguinte pode permitir poupar 130 euros.
Por isso, é importante acompanhar a evolução da poupança durante um período mais alargado. Pode registar os montantes que coloca de lado mensalmente e compará-los com o objetivo que definiu.
Este acompanhamento também permite perceber se esse objetivo continua a fazer sentido. Se fica repetidamente muito abaixo do valor previsto, pode ser necessário rever o orçamento ou ajustar o objetivo. Se consegue ultrapassá-lo com frequência, pode ponderar aumentar a poupança ou acelerar a concretização das metas que definiu.
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