Crédito Habitação

Prestações de crédito podem aumentar 50% em janeiro

As prestações de crédito aumentam ainda mais em janeiro e podem subir 50% para quem tem uma Euribor a 12 meses. Perceba o que está em causa.

Crédito Habitação

Prestações de crédito podem aumentar 50% em janeiro

As prestações de crédito aumentam ainda mais em janeiro e podem subir 50% para quem tem uma Euribor a 12 meses. Perceba o que está em causa.

Se tem um crédito habitação indexado a uma taxa Euribor a 12 meses e a sua prestação de crédito vai ser revista em janeiro, saiba que o aumento pode rondar os 50%.

Ao longo de 2022, as taxas Euribor têm subido progressivamente de mês para mês. No entanto, no seu caso, esta subida acentuada só vai pesar nas suas contas a partir do próximo ano. Afinal, durante 2022 esteve a pagar prestações de crédito com base na Euribor de novembro de 2021, quando o valor desta taxa ainda era negativo (-0,492%). E, por isso mesmo, as suas prestações de crédito aumentam drasticamente em 2023.

Euribor: Prós e contras dos diferentes prazos
Ler mais

Nos restantes prazos, a 6 e 3 meses, o aumento das prestações de crédito não será tão expressivo. Isto porque a sua prestação já foi atualizada em 2022, uma ou três vezes. Contudo, se analisarmos o aumento das prestações de crédito no espaço de um ano, a maioria das prestações terá aumentando entre 30% e 40%.

Por isso, esta não é altura de cruzar os braços. Visto que as prestações de crédito aumentam, ainda mais, no início de 2023, deve tomar medidas para renegociar o seu contrato e tentar diminuir os seus encargos.

Contudo, para que possa perceber melhor estes dados, explicamos de seguida, o que está em causa e que soluções tem ao seu dispor.

Leia ainda: As taxas Euribor já estão perto do pico?

O impacto da subida da Euribor nas prestações de crédito este ano

O impacto da subida da Euribor nas prestações de crédito tem afetado todos os contratos de crédito habitação com uma taxa variável. E, de uma forma geral, os aumentos são expressivos em todos os prazos da Euribor. No entanto, eles respondem às flutuações desta taxa, de forma mais rápida ou mais lenta consoante se o prazo é mais curto (3 meses) ou mais longo (12 meses).

Como exemplo, apresentamos o impacto da subida da Euribor em contratos com uma taxa a 12 meses, a 6 meses e a 3 meses. E para esta análise ser mais simples, utilizamos o exemplo de um crédito habitação com um capital em dívida de 100.000 euros, com um spread de 1,2% com 300 prestações por liquidar.

De realçar que estes exemplos abrangem apenas os contratos cuja revisão ocorre agora no final de 2022, com a primeira prestação, após a revisão, a ser paga em janeiro. Ou seja, estes cálculos têm por base a média mensal das taxas Euribor de novembro.

Euribor a 12 meses

Se tem um crédito habitação com uma Euribor a 12 meses e a primeira prestação após a revisão é paga em janeiro 2023, a sua prestação vai aumentar 165,14 euros, o que corresponde a um aumento de 45,4%.

Em janeiro de 2022, a sua prestação de crédito fixou-se nos 363,80 euros (valor da taxa Euribor em novembro de 2021 era de -0,492%), e assim se manteve até agora. Mas em janeiro de 2023, a sua prestação de crédito passa para 528,94 euros, tendo em conta o valor de 2,828% da Euribor em novembro 2022.

Euribor a 6 meses

Caso o seu contrato de crédito esteja associado a uma Euribor a 6 meses, então as suas prestações de crédito aumentam um pouco menos. Em janeiro de 2022 pagava 361,95 euros e em julho a sua prestação fixou-se em 379,41 euros (valor da Euribor de maio de -0,143%), Tendo em conta que em janeiro de 2023 a sua prestação aumenta para 501,16 euros (valor da Euribor de novembro de 2,321%), num ano a sua prestação subiu 38,5%. Contas feitas, a prestação de um crédito com as condições acima descritas aumentou 139,21 euros.

Euribor a 3 meses

Por fim, os contratos com uma taxa a 3 meses têm visto a sua prestação ser atualizada com maior regularidade. No entanto, se analisar as alterações da sua prestação de crédito desde janeiro de 2022 para janeiro de 2023, vai concluir que:

  • Em janeiro de 2022 pagava 360,49 euros (Euribor de -0,567% valor de novembro de 2021);
  • Abril de 2022 a prestação estava nos 362,03 euros (Euribor a -0,531% de fevereiro 2022);
  • Em agosto de 2022 a prestação estava em 368,51 euros (Euribor a -0,385% de maio de 2022);
  • Novembro a prestação passou para 404,42 euros (Euribor a 0,394% em agosto de 2022);
  • E agora, em janeiro de 2023, a prestação passa para 475,77 euros (Euribor de 1,825% relativa a novembro de 2022).

Ou seja, no prazo de um ano, as suas prestações de crédito aumentaram na totalidade 115,28 euros, o que representa uma subida de 32%.

Quanto é que as minhas prestações de crédito aumentam em 2023?

Para saber quanto vai aumentar a sua prestação de crédito em janeiro de 2023, deve ter em conta:

  • A maturidade da sua taxa Euribor (prazo 3, 6 ou 12 meses);
  • O seu capital em dívida;
  • Spread do contrato;
  • Prestações por liquidar;
  • E o valor da Euribor aplicado à revisão da sua prestação. Ou seja, a média da taxa Euribor a aplicar não é relativa ao mês em que entra em vigor. No crédito habitação aplica-se a média da taxa Euribor de dois meses antes à data da nova prestação. No caso da sua prestação ser revista em janeiro, vigora a média da taxa Euribor de novembro no prazo contratado. Se a nova prestação só ocorrer em fevereiro, vale a média da Euribor de dezembro e assim sucessivamente.

Caso pretenda saber qual é a taxa média da Euribor nos vários prazos, pode consultar a Média mensal da Euribor no portal do Doutor Finanças.

E se quiser simular qual o seu caso em concreto e qual o impacto na subida da taxa Euribor na sua prestação, recorra ao Simulador da variação da Euribor no Crédito Habitação, através do qual poderá fazer esses cálculos.

O que pode fazer para diminuir os seus encargos quando as prestações de crédito aumentam

No âmbito do aumento dos juros, o Governo implementou uma série de medidas de apoio às famílias. Foi publicado em Diário da República medidas que estipulam novas regras para que os titulares de créditos habitação renegoceiem os seus contratos junto das entidades financeiras. Estas medidas têm o intuito de ajudar as famílias a reduzirem a sua taxa de esforço.

Dentro destas medidas há a possibilidade do alargamento do prazo do crédito habitação, consolidar os seus créditos, ter acesso a um novo crédito e a redução da taxa de juro durante um certo período. Se a solução passar pelo alargamento do prazo do crédito habitação, tem cinco anos para regressar ao prazo original, se assim o entender.

Contudo, não se esqueça que pode sempre tentar baixar o seu spread, seja através da renegociação do contrato com o seu banco ou da transferência do crédito habitação para outra entidade. Há entidades que aplicam spreads a partir de 0,85% nos novos contratos. Sendo comum encontrar entidades financeiras disponíveis a aplicar spreads entre 0,9% e 1%.

Além disso, neste processo, pode tentar diminuir os seus encargos com os seguros do crédito habitação. Afinal, o seguro de vida do crédito habitação e seguro multirriscos, representam um encargo significativo no seu orçamento familiar. Ao conseguir baixar o valor destas apólices, pode poupar dezenas ou centenas de euros, consoante o seu caso.

Assim, o melhor é tentar diminuir os seus encargos o mais depressa possível, de forma a aumentar a sua estabilidade financeira.

Leia ainda: Como posso reduzir a minha taxa de esforço?

Partilhe este artigo
Artigos Relacionados
Ver todos
Tem dúvidas sobre o assunto deste artigo?

No Fórum Finanças Pessoais irá encontrar uma grande comunidade que discute temas ligados à Poupança e Investimentos.
Visite o fórum e coloque a sua questão. A sua pergunta pode ajudar outras pessoas.

Ir para o Fórum Finanças Pessoais
Deixe o seu comentário

Indique o seu nome

Insira um e-mail válido

Fique a par das novidades

Receba uma seleção de artigos que escolhemos para si.

Ative as notificações do browser para receber a seleção de artigos que escolhemos para si.

Ative as notificações do browser
Obrigado pela subscrição

Queremos ajudá-lo a gerir melhor a saúde da sua carteira.

Não fique de fora

Esta seleção de artigos vai ajudá-lo a gerir melhor a sua saúde financeira.