Crédito Consolidado

Como pode a consolidação de crédito reduzir os meus encargos?

Está com dificuldades em reduzir os seus encargos? Saiba como é que a consolidação de crédito pode ser vantajosa para si.

Crédito Consolidado

Como pode a consolidação de crédito reduzir os meus encargos?

Está com dificuldades em reduzir os seus encargos? Saiba como é que a consolidação de crédito pode ser vantajosa para si.

O crédito consolidado é um produto financeiro que pode ser bastante vantajoso se tem vários créditos contratados. Além da consolidação de crédito poder reduzir os seus encargos em momentos de maior aperto financeiro, também é uma solução se tiver as suas finanças de boa saúde. Neste último caso, por norma, quem recorre a este tipo de crédito pretende ganhar folga no seu orçamento familiar para concretizar um objetivo.

No entanto, se está a ponderar recorrer à consolidação de crédito para reduzir os seus encargos, primeiro, deve estar consciente de como funciona este crédito. O que implica saber porque pode poupar um valor significativo através de um crédito.

O que é a consolidação de créditos?

O crédito consolidado é um crédito pessoal que consiste na junção de todos os seus créditos num único financiamento que, por norma, tem melhores condições. Ou seja, em média, beneficia de uma única prestação, mais baixa do que o montante total das suas prestações de crédito. Na verdade, através da consolidação de créditos pode reduzir as suas prestações mensais até 60%.

Como o nome indica, a consolidação de créditos requer ter vários empréstimos contratados. Isto significa que além do seu crédito habitação, precisa de, no mínimo, ter mais dois financiamentos contratados. Por norma, estes dois financiamentos estão associados a cartões de crédito, mas também pode incluir outro tipo de créditos pessoais sem finalidade ou crédito automóvel.

Em termos práticos, ao consolidar os seus créditos, a gestão dos pagamentos torna-se mais fácil, pois tem apenas uma prestação para pagar. Logo, reduz a possibilidade de esquecer-se ou atrasar-se nas suas obrigações.

Contudo, é preciso estar consciente que para ter luz verde no seu crédito consolidado precisa de cumprir alguns critérios. Por exemplo, se estiver em incumprimento com alguma entidade financeira ou já tiver o seu nome na lista negra do Banco de Portugal, o mais provável é ver o seu pedido recusado.

Ou seja, se neste momento entrou em incumprimento, primeiro precisa de liquidar as suas dívidas. Depois, tente renegociar as suas condições contratuais junto das entidades financeiras. Esta solução pode diminuir o risco que uma entidade vê na aprovação do seu crédito consolidado.

Caso tenha uma taxa de esforço muito elevada atualmente, o banco até pode aceitar a consolidação de créditos. Mas esteja preparado para apresentar garantias adicionais, como um fiador ou até ter de optar por um crédito consolidado com hipoteca.

Ler mais: Quais os critérios para aceder ao crédito consolidado?

Qual é a diferença entre o crédito consolidado e o consolidado com hipoteca?

A grande diferença entre um crédito consolidado "normal" e um crédito consolidado com hipoteca é que, neste último, é utilizado um bem imóvel como garantia. O imóvel usado para a hipoteca pode ser a sua habitação própria, uma habitação secundária ou até um imóvel de um familiar.

E qual é o propósito de dar um imóvel como garantia? Por norma, porque aumenta a probabilidade de ver aprovada a consolidação dos seus créditos. Além disso, o crédito consolidado com hipoteca dá-lhe a possibilidade de poupar ainda mais no total das suas prestações, pois a taxa de juro aplicada costuma ser mais baixa ou pode conseguir estender o prazo do contrato. Por exemplo, neste caso a redução pode chegar até aos 70%.

Contudo, tenha em conta que se entrar em incumprimento, o banco fica com o imóvel. É preciso ainda relembrar que embora exista uma redução significativa das prestações mensais com qualquer tipo de crédito consolidado, deve criar uma estratégia para essa poupança.

Afinal, em alguns casos, está a aumentar a maturidade de alguns créditos, o que a longo prazo gera um montante de juros mais elevado.

Ler mais: Vantagens e desvantagens do crédito consolidado

4 formas de a consolidação de crédito diminuir encargos

1. Diminui as suas prestações com créditos mensalmente

Quando consegue a aprovação de um crédito consolidado, todas as suas prestações são reduzidas a uma só. E a esta prestação é aplicada uma taxa de juro única. Para quem tem vários créditos, principalmente referentes a cartões de crédito, a taxa de juro aplicável no consolidado é bastante inferior.

Tendo em conta os últimos dados divulgados pelo Banco de Portugal, a TAEG máxima que pode ser aplicada num crédito consolidado no 4º trimestre de 2022 é de 13,3%. No entanto, muitas entidades praticam valores muito inferiores ao limite máximo, consoante as garantias, a quantidade e finalidade dos créditos e o capital em dívida. Já no caso dos cartões de crédito, no 4ºtrimestre de 2022, a TAEG pode chegar a 16%.

Para ter uma noção do que pode conseguir ao consolidar os seus créditos, vamos usar o exemplo máximo da redução do valor das prestações: 60%. Se antes da aprovação pagasse 1.000 euros pela totalidade dos empréstimos, com o crédito consolidado pode ficar com uma prestação única de 400 euros.  

Ou seja, há a possibilidade de poupar 600 euros por mês. Mesmo que não consiga uma redução de 60%, se houver uma redução de 30%, consegue uma poupança de 300 euros mensais.

Esta redução de encargos é extremamente útil para quem corre o risco de entrar em incumprimento ou quer combater o seu sobre-endividamento. Na maioria dos créditos consolidados pode estender o prazo máximo até 7 anos.

jovem casal conulta faturas e recorrer a calculadora para analisar e somar as despesas, inclusive as inesperadas para ajustar o orçamento

2. Com a consolidação de crédito ganha estabilidade financeira

Quando consegue uma poupança significativa com as suas prestações de créditos, ganha automaticamente uma folga no seu orçamento familiar. No entanto, esta folga deve ser bem aproveitada para colocar as suas finanças em dia, o que lhe irá permitir alcançar uma tranquilidade financeira a longo prazo.

Assim, uma meta que deve traçar é aproveitar uma parte da poupança para construir um fundo de emergência. Um fundo de emergência deve, no mínimo, cobrir seis meses das suas despesas essenciais. Esta é uma forma de garantir-lhe estabilidade perante quebras de rendimentos ou uma situação de desemprego. No entanto, se surgir um imprevisto, este fundo também pode cobrir esse tipo de despesas, como o arranjo do seu carro ou até despesas inesperadas de saúde.

No caso de nos últimos tempos ter cortado em despesas mensais essenciais ou importantes, a poupança que alcançou com a consolidação dos seus créditos pode ajudá-lo a recuperar essa qualidade de vida.

Por exemplo, se rescindiu o seguro de saúde ou não renovou contratos essenciais para si, esta poupança pode ajudá-lo a contratar esses serviços/produtos de volta. Contudo, analise bem as suas prioridades e o que é realmente essencial para si. Caso contrário poderá entrar na mesma espiral e perder o controlo das suas finanças.

Ler mais: O crédito consolidado não é só para sobreendividados

3. Previne a necessidade de um novo crédito

Com uma nova folga no orçamento, pode haver a tendência de querer cumprir alguns objetivos que tinha pendentes devido à sua situação financeira. Por exemplo, pode querer fazer obras em casa, renovar a mobília, apostar numa formação profissional, comprar um carro novo, entre outros objetivos.

Embora qualquer um destes exemplos seja válido e até essencial para melhorar a sua qualidade de vida, eles requerem um investimento minimamente elevado. Logo, o mais provável é querer recorrer a um novo crédito para concretizar este objetivo. O problema nestes casos, é que acabou de consolidar os seus créditos para diminuir o risco de endividamento. Assim, esta não deve ser uma opção a considerar.

Em vez de recorrer a um novo crédito, use a poupança que conseguiu obter através do crédito consolidado para este fim. É normal que demore mais a conseguir alcançar este objetivo, uma vez que tem de juntar a poupança mensal durante vários meses ou até alguns anos (em investimentos de milhares de euros).

A melhor forma para chegar ao valor que precisa é saber quanto tem de colocar de parte mensalmente. Depois crie uma conta bancária para este fim e, todos os meses, transfira automaticamente (no início do mês) esse valor.

Claro que esta não é a forma mais rápida de alcançar objetivos. Mas é uma estratégia que permite-lhe poupar centenas ou até milhares de euros em juros e nunca coloca as suas finanças pessoais em risco. Além disso, se criar este hábito, pode mesmo começar a criar outras metas financeiras que podem mudar o seu futuro, como é uma poupança direcionada para investimentos.

Ler mais: 5 investimentos seguros para aplicar o seu dinheiro

4. Pode saldar dívidas ou amortizar o seu crédito

Por último, através da consolidação de créditos pode reduzir significativamente as suas dívidas. Ou seja, na maioria dos casos, o crédito consolidado permite uma poupança mensal de centenas de euros. Se juntar esta poupança mensal durante vários meses, tem a possibilidade de amortizar o seu crédito ou até liquidá-lo antecipadamente. Esta é uma forma de acabar com uma parte das suas dívidas no menor tempo possível.

Contudo, se decidir avançar para esta opção deve verificar bem as condições contratuais dos seus créditos. Isto porque em termos de amortização podem existir custos associados, como é o caso da comissão por reembolso antecipado.

No entanto, se a sua situação financeira permitir amortizar o seu crédito ou saldar as suas dívidas, esta é uma das melhores opções que pode tomar. Mesmo que só consiga amortizar ou saldar um crédito, está a reduzir o valor do capital em dívida e dos juros que paga.

Vamos a contas: casos reais de redução de encargos

O Doutor Finanças recebe muitos pedidos de ajuda para reduzir encargos com créditos. Quando os clientes têm vários créditos contratados, uma das soluções viáveis, ou não, é a consolidação de créditos. Assim, quando esta não é a solução ideal, importa saber porque não vai ser possível avançar com esta solução.

O João (nome fictício) pagava 1.700 euros relativos a várias prestações de crédito. Após um processo de análise, foi possível consolidar os créditos e ficou a pagar 577 euros, numa só mensalidade. Ou seja, obteve uma poupança mensal de 1.223 euros com o crédito consolidado.

Mais um exemplo. A Joana e o Paulo (nomes fictícios) queriam reduzir o encargo mensal com os seus créditos, pois já estavam com dificuldades em pagar todas as prestações, as quais perfaziam um total de 2153 euros. Analisado o caso, a taxa de esforço já estava bem acima do desejado, era de 67%.

Após consolidarem os vários créditos (cartões de crédito, créditos pessoais e crédito automóvel), este casal ficou com uma prestação única de 1084 euros, num prazo de 84 meses. Ou seja, obtiveram uma poupança mensal de 1069 euros. O que representa uma poupança anual de 12.828 euros.

Embora nem sempre seja possível reduzir os seus encargos de forma tão significativa, esta é uma solução que deve ponderar caso o seu orçamento esteja em risco ou se desejar ganhar uma folga financeira.

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