Deparou-se com várias taxas numa proposta de crédito e ficou com a sensação de estar a olhar para uma árvore cheia de enfeites, sem perceber o que é realmente importante? Tem dúvidas sobre quais as taxas mais relevantes para comparar propostas ou tomar uma decisão?
Neste artigo explicamos, de forma simples, o significado das principais taxas que deve ter em conta quando pretende contratar um empréstimo.
As 6 taxas que deve analisar com atenção
Quando pretende contratar um empréstimo junto de uma instituição de crédito, independentemente da finalidade, vai ter de facultar alguns dados para que o banco possa entregar-lhe uma proposta de crédito. E quanto mais propostas reunir, mais probabilidades tem de encontrar a melhor solução do mercado para si. Afinal, vai ter na sua posse as condições que cada instituição oferece para o montante que precisa, tendo em conta os seus requisitos.
Por exemplo, se está a pensar contratar um crédito habitação, depois de apresentar as informações/documentos pedidos e estes serem submetidos a uma avaliação, caso existam condições para avançar com o crédito, o banco vai emitir a Ficha de Informação Normalizada Europeia (FINE).
É através da FINE que pode ter um primeiro contacto com as condições e campanhas que essa instituição está disposta a oferecer-lhe. Contudo, para perceber bem estas condições, precisa de saber a taxa de juro que vai pagar, como a Taxa Anual Nominal (TAN), que é composta pelo spread + indexante do seu crédito (na maioria dos créditos é uma taxa Euribor), a Taxa Anual Efetiva (TAE), a Taxa Anual Efetiva Global (TAEG) e o Montante Total Imputado ao Consumidor (MTIC).
Mas, se todas estas taxas “criaram um nó na sua cabeça”, vamos explicar uma a uma.
Spread
De forma simplificada, o spread é a taxa que representa o lucro das instituições de crédito quando concedem um empréstimo.
No entanto, o valor do spread estipulado num contrato dependo do risco do financiamento e das garantias do empréstimo, tendo em conta o valor do bem que quer comprar e o valor do financiamento. Quanto maior é o risco, mais elevado será o spread.
É preciso ter em conta que, em muitas campanhas, é anunciado um spread muito reduzido, mas que pode não aplicar-se ao seu caso. O spread anunciado é o valor mínimo praticado pela instituição.
Outro ponto a salientar é que o spread é sempre estabelecido no momento do contrato. Após o spread ser estabelecido, não pode sofrer alterações ao longo do tempo, exceto se as condições contratuais sofrerem alterações.
Leia ainda: O que é o spread no crédito habitação?
Euribor
Nos últimos tempos, muito se tem falado das taxas Euribor, que são o indexante mais recorrente no crédito habitação em Portugal. E quando sobem ou descem, têm um forte impacto nas prestações de crédito.
De uma forma resumida, esta taxa baseia-se na média dos juros praticados por um conjunto específico de bancos da União Europeia (UE) nos empréstimos que fazem entre si, num determinado período. Mas é preciso esclarecer que não existe apenas uma taxa Euribor, mas sim várias maturidades desta taxa. Em Portugal, por norma, os créditos estão associados à Euribor a três, seis ou 12 meses.
Relativamente ao cálculo das prestações de crédito, como por exemplo o crédito habitação, é usada a média mensal das taxas Euribor. Depois, no final de cada período, o valor da Euribor é determinado pela média do mês anterior e fica a vigorar durante o ciclo seguinte.
Embora os aumentos e descidas não sejam sentidos de forma automática nas prestações de crédito, quando a taxa Euribor contratada sobe, a sua prestação vai aumentar. Se esta descer, a sua prestação diminui.
Nota: As taxas Euribor estão associadas a créditos que têm uma modalidade de juros variável (taxa variável ou mista).
Leia ainda: Breve história da Euribor: Guia para entender o que aí vem.
TAN
A Taxa Anual Nominal (TAN), é uma taxa que representa os juros que são cobrados no seu crédito, tendo uma base anual. No entanto, esta exclui todos os outros encargos associados ao seu empréstimo. Na prática, a TAN é a soma do indexante do crédito e o spread aplicado ao contrato.
TAE
A sigla TAE significa Taxa Anual Efetiva. Esta taxa agrega os valores da Taxa Anual Nominal (TAN) e outros encargos e comissões que são cobrados pela instituição no início da operação e durante a vigência do contrato de crédito.
Ou seja, esta taxa permite medir o custo total anual associado a um determinado empréstimo, incluindo os juros, comissões e seguros exigidos. Mas na hora de comparar propostas, é preciso ter em conta que estas devem ter o mesmo montante e o mesmo prazo.
TAEG
Uma das taxas mais conhecidas e mais relevantes na altura de analisar propostas de crédito é a TAEG. A Taxa Anual Efetiva Global (TAEG) representa o custo anual total do seu crédito. Esta taxa é medida em percentagem face ao valor total do financiamento.
Para perceber melhor, a TAEG mostra-lhe o que vai pagar em:
- Juros;
- Comissões;
- Seguros associados ao seu crédito;
- Encargos com impostos e emolumentos relativos ao registo da hipoteca (quando aplicável);
- Comissão da manutenção da conta à ordem, se esta for obrigatória para a gestão do crédito que vai contratar.
- Se recorrer a um intermediário de crédito não vinculado, a TAEG abrange a remuneração ao intermediário, quando esta é paga pelo consumidor.
- E ainda outras despesas que podem estar associadas ao seu contrato.
A TAEG não contempla os valores que tem de pagar em caso de incumprimento das obrigações contratuais, comissões de reembolso antecipado do empréstimo e custos notariais.
MTIC
Por último, o Montante Total Imputado ao Consumidor (MTIC) é a taxa que indica o montante que tem de pagar durante todo o empréstimo, tal como a TAEG. A grande diferença entre o MTIC e a TAEG é que o MTIC revela o valor em euros e a TAEG em percentagem. No entanto, ambas as taxas englobam os juros, comissões, impostos, entre as outras despesas referidas anteriormente.
A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

