Crédito Consolidado

Guia para juntar vários créditos. Saiba tudo o que deve analisar!

Seria um sonho deixar de ter vários créditos e passar a ter só um? Bom, bom era ter uma folga financeira no final do mês? Descubra neste artigo como pode tornar tudo isto realidade.

Adriana Cabrita Adriana Cabrita , 25 Setembro 2019

Para contornar o endividamento, uma das soluções mais eficazes passa por juntar vários créditos num só, com uma única prestação e mais baixa. A isto chamamos crédito consolidado. Esta solução não só vai permitir poupar dinheiro, como ainda vai reduzir a sua taxa de esforço

Como esta é também ela uma modalidade de crédito, convém estar bem informado e saber exatamente o que deve analisar. Mas, para lhe poupar tempo (porque tempo é dinheiro) consolidámos toda essa informação no guia que se segue:

  1. O que é o crédito consolidado?
  2. Que créditos posso consolidar?
  3. O que devo avaliar na consolidação dos créditos?
  4. Se aumentar o prazo vou estar a pagar mais?
  5. O crédito pessoal implica seguros?
  6. Compensa contrair um novo crédito para liquidar créditos antigos?
  7. Quais os perigos do crédito consolidado?
  8. A quem posso recorrer para consolidar os meus créditos?
  9. Caso real de poupança através do crédito consolidado

1. O que é o crédito consolidado?

O crédito consolidado é a solução financeira que permite juntar vários os créditos, transformando-os num único crédito com uma prestação mais baixa. Esta pode ser uma solução eficaz para reduzir os seus encargos mensais com créditos e ganhar uma folga extra no seu orçamento mensal. Falamos numa redução que pode ir até aos 60% e, em alguns casos, até mais.

Por exemplo, se antes pagava 1 000€ por mês na totalidade dos créditos a consolidar, após a consolidação dos créditos passará a pagar 400€ numa única prestação.  

Leia ainda: Crédito Consolidado: Tudo o que precisa saber

2. Que créditos posso consolidar?

Embora com algumas exceções à regra, o crédito consolidado é um produto financeiro muito abrangente e que é possível aplicar caso tenha:

  • Créditos pessoais – dentro dos créditos pessoais relembramos que existem vários tipos de crédito, tais como: crédito automóvel, crédito ao consumo, crédito pessoal e crédito universitário;
  • Créditos contraídos através de cartões de crédito e linhas de crédito;
  • Créditos hipotecários – O crédito hipotecário é um contrato de crédito garantido por hipoteca, que incide normalmente sobre um imóvel e, que por norma, é a habitação própria;

Atenção! Relativamente ao crédito hipotecário, é possível consolidá-lo com outros créditos, no entanto essa situação pode não ser muito simples e nem todos os casos são elegíveis para o fazer. Se pretender fazer crédito consolidado com crédito habitação, a sua casa vai ter que sofrer uma nova avaliação para perceber se valorizou e se existe margem no valor para introduzir os outros créditos. Caso já tenha amortizado parte do seu crédito habitação poderá também existir a possibilidade de juntar outros créditos. No entanto, em nenhuma destas opções o valor total a consolidar deve exceder 80% do valor do imóvel.

Dado que o mercado imobiliário valorizou, esta pode ser uma boa altura para explorar essa hipótese e avaliar essa possibilidade, pois muitos imóveis também valorizaram. Este fator poderá favorecer a avaliação da sua casa e dar-lhe assim alguma margem financeira.  

Leia ainda: Sabe o que é um crédito consolidado com hipoteca?

3. O que devo avaliar na consolidação dos créditos?

Por hábito, quando se consolidam os créditos, a pergunta que todos querem ver respondida é: “Afinal quanto é que vou conseguir poupar se consolidar os meus créditos?”.

De facto, esta é uma pergunta importante, pois é aqui que encontrará a resposta de quanto é que vai conseguir poupar.  Para conseguir perceber a real poupança, terá que ter em consideração vários aspetos associados aos créditos, tais como:  

  • Prazos; 
  • Taxas de juro (TAN e TAEG);  
  • Comissões; 
  • Despesas extra associadas ao crédito; 
  • Seguros. 

Prazos

Por vezes, quando procede à consolidação dos créditos, pode acontecer que o prazo aumente e, consequentemente, poderá levá-lo a acreditar que não se trata de um "bom negócio", isto porque na sua cabeça vai pagar mais juros pela extensão do contrato, podendo não ser esta a realidade.

É importante que analise com um maior rigor os créditos que tem. Não são apenas os prazos dos créditos pessoais que contam. Deve também analisar, por exemplo, se tem dívidas no seu cartão de crédito e em quanto tempo pensa liquidá-las. Por exemplo, se pagar por mês o mínimo obrigatório ao banco, pode refletir-se em prazos longos e, por consequência, mais juros. Pode recorrer ao simulador de cartão de crédito do website Todos Contam (plano nacional de formação financeira) para fazer o cálculo do prazo, o total de juros e a taxa real que está associada ao seu cartão.

Por isso, e resumidamente, quando fizer as contas considere o prazo de todos os créditos pessoais, cartões e linhas de crédito que tenha contratado. Só aí vai conseguir perceber qual o valor médio dos prazos que tem atualmente para o poder comparar com o novo prazo do crédito consolidado. Outra das coisas que deve analisar é o montante total de juros que irá pagar, pois mesmo que os prazos aumentem, isso pode ainda compensar. Não se esqueça que o crédito consolidado tem como objetivo transformar todos os créditos numa única prestação mais baixa, e não o contrário.

Leia ainda: Sabe ao certo os créditos que tem nos Bancos? Saiba como verificar

Taxas de juro (TAN e TAEG) e comissões 

No que diz respeito aos créditos e suas diversas modalidades de aplicação ao consumidor, existem duas siglas que deve estar especialmente a par, a TAN (Taxa Anual Nominal) e TAEG (Taxa Anual Efetiva Global). É importante que perceba bem o seu significado e a sua influência na hora de solicitar um crédito. Ambas são atribuídas a taxas de juro com aplicação na remuneração de depósitos e empréstimos. Transformando isto numa linguagem mais clara, estas taxas de juro são o custo do dinheiro, isto é, este será o valor que o banco vai lucrar quando lhe emprestar dinheiro.  

No entanto, e para que possa entender a influência de cada uma, vamos por partes:  

  • TAN (Taxa Anual Nominal)  

Esta é uma taxa de juro obrigatória para todos os contratos de crédito, portanto, caso tenha algum a decorrer saiba que tem esta taxa incluída no mesmo. Sendo esta uma taxa anual, se pretender saber o peso que a mesma tem mensalmente no seu crédito é simples: divida o valor da TAN por 12 meses. Em alguns casos o pagamento da TAN pode ocorrer de forma trimestral ou semestral, sendo a fórmula de cálculo a mesma, mudando apenas o prazo.

Alertamos que, dado que a TAN corresponde à adição da Taxa Euribor, é errado pensar que a melhor proposta de crédito é aquela que tiver a taxa mais baixa, uma vez que esta taxa não inclui impostos nem outros encargos com o crédito. A TAN não deverá servir de termo de comparação entre empréstimos. Existem sempre outros fatores que podem influenciar o facto de algumas instituições de crédito terem uma TAN mais baixa, tal como a TAEG.  

  • TAEG (Taxa Anual Efetiva Global)  

Por outro lado, a TAEG é um dos indicadores fundamentais a ter em conta quanto solicita um crédito, dado que é esta a taxa que irá comparar o custo real do crédito, acrescendo ainda os encargos referentes à contratação de outros produtos e serviços implicados num crédito. É na TAEG que vai ver detalhados os custos com:  

  1. Juro; 
  2. Impostos; 
  3. Comissões de avaliação, abertura, dossier, contratação, formalização, entre outras; 
  4. Comissões de manutenção das contas bancárias; 
  5. Seguros obrigatórios para os pedidos de crédito; 
  6. Despesas associadas aos contratos de crédito. 

Através da consolidação dos créditos é possível baixar esta taxa. Por exemplo, se possui créditos que foram contratualizados durante o período da crise, onde a TAEG podia atingir os 20%, é possível reduzi-la praticamente para metade. Ao alterar as condições do contrato, para além de ficar com um único crédito, poderá baixar a taxa de juro e pagar menos de prestação mensal pela mesma dívida.  

Leia ainda: TAN e TAEG: Quais as diferenças?

Comissões

Quando solicita um crédito pessoal, para além dos juros, deve ainda contar com a comissão de abertura e o imposto de selo sobre a utilização o crédito (ISUC). Existem ainda algumas instituições financeiras que cobram uma comissão inicial para estudar a viabilidade de lhe conceder o empréstimo. 

Portanto, ao consolidar os seus créditos, para além de reduzir a taxa de juro, pode poupar com a eliminação de comissões, inclusive de processamento da prestação. Ou seja, a prestação será menor porque quando tem vários créditos a decorrer tem consequentemente várias comissões por cada crédito... tendo apenas um único crédito, paga apenas uma única comissão.  

Leia ainda: Conheça o Comparador de Comissões Bancárias

Despesas extra associadas ao crédito 

Ainda no seguimento da redução das taxas de juro, existem outros custos associados que podem ser reduzidos com a consolidação dos créditos, como por exemplo as anuidades dos cartões de crédito.

A lógica de pensamento será sempre a mesma. Com apenas um crédito ficará apenas com os custos associados a esse mesmo crédito.  

Seguros 

Quando solicita um crédito pessoal é bastante provável que lhe seja exigido pela instituição financeira ou de crédito a aquisição de seguros, nomeadamente o seguro de vida. No entanto, como no crédito pessoal não é obrigatório esta requisição, caso lhe seja dada a opção de não subscrever os seguros, poderá lhe ser acrescentado um valor (até 20%) sobre o montante pedido.  

No caso da entidade financeira ou de crédito solicitar um seguro de vida, saiba que não existe a obrigatoriedade de fazê-lo junto da mesma identidade a quem solicita o crédito. Caso opte por fazer em instituições diferentes, a entidade a quem pediu o crédito pode aumentar os juros. Contudo, o que vai poupar nos seguros poderá compensar.

Chamamos ainda a sua atenção para: no caso de subscrever o seguro junto de uma outra seguradora, saiba que o seguro contrato deverá incluir todas as coberturas exigidas pela instituição bancária ou de crédito.  

E o que tem a ver o tema dos seguros com a consolidação dos meus créditos? - pergunta-nos você - Pois, tudo! Se transforma todos os créditos num só, passa também a pagar apenas os seguros associados a um só crédito, sendo que, à partida, apenas terá que fazer o seguro de vida.

4. Se aumentar o prazo vou estar a pagar mais?

Existe a probabilidade do crédito consolidado mexer nos prazos, dado que vai estar a realizar um novo crédito para pagar os existentes.  

Pode acontecer, se os créditos tiverem taxas ajustadas ao mercado, que o novo crédito tenha uma taxa igual ou ligeiramente mais alta. No entanto, está a aumentar o prazo para diminuir a sua prestação mensal.

Não olhe para a extensão do prazo como algo prejudicial. Esta possibilidade permite que quem não está com capacidade de pagar os seus créditos e precise de reduzir a prestação mensal, possa fazê-lo. Pode não poupar na taxa de juro e até mesmo no final do empréstimo pagar um Montante Total Imputado (custo total do crédito) maior, mas por outro lado vai conseguir reduzir consideravelmente a sua prestação mensal e conseguir pagar todos os seus créditos a tempo e horas. Além disso, ter uma prestação mais baixa irá dar-lhe flexibilidade para fazer amortizações antecipadas quando puder. Quando não puder, paga simplesmente a prestação anterior. 

Não olhe apenas para o prazo! Ao juntar todos os créditos não só vai conseguir livrar-se das várias comissões associadas aos créditos e pagar apenas uma, como também passar a pagar apenas uma taxa de juro e apenas um seguro. Mesmo com um prazo maior pode ocorrer de não estar a pagar mais pelo seu crédito.

Todos os fatores contam, por isso, todos devem ser avaliados!

5. O crédito pessoal implica seguros?

Nem sempre. Os seguros podem ser exigidos pela instituição financeira, no entanto, e ao contrário do que acontece no crédito habitação, no crédito pessoal não é de caráter obrigatório.

Por norma, o seguro de vida é aquele que costuma ser solicitado para realizar um crédito pessoal e que permite assegurar o pagamento do crédito no caso de morte ou invalidez. Contudo esteja atento às suas cláusulas contratuais e às suas exclusões.  

Existem também algumas instituições financeiras ou de crédito que podem exigir adicionalmente um seguro com cobertura em caso de desemprego ou doença. O prémio do seguro exigido por estas instituições já deve estar incluído no cálculo da Taxa Anual Efetiva Global (TAEG) de forma a que os consumidores estejam logo à partida informados sobre o custo total do crédito (MTIC). 

Por outro lado, relembramos que não existe obrigatoriedade de fazer os seguros junto da entidade onde solicitou o crédito. Poderá recorrer a uma outra entidade desde que o seguro respeite todas as exigências impostas pela instituição que lhe vai emprestar o dinheiro. Também nestes casos, poderá acontecer que a instituição financeira aumente as taxas de juro. Faça bem as contas e veja qual dos cenários é mais compensatório.  

Pode acontecer também que, caso decida não fazer os seguros aconselhados, que a instituição financeira aumente o valor sobre o montante pedido até um 20%. Em muitos casos, a contratação de seguros, aumentam as hipóteses de financiamento.  

Caso estas questões não sejam totalmente claras para si, poderá contar com a nossa ajuda especializada para ver qual a melhor opção de mercado para o seu caso.  

Leia ainda: Glossário de seguros: os termos mais importantes a saber

6. Compensa contrair um novo crédito para liquidar créditos antigos?

Quando falamos em contrair um novo crédito, referimo-nos ao crédito consolidado. Com a retoma da economia, esta pode ser uma boa altura para o fazer, uma vez que o crédito está mais barato, os bancos têm mais liquidez e, por consequência, poderá conseguir taxas de juro mais atrativas.  

Em suma, esta modalidade compensa uma vez que passa a ter um único crédito com uma prestação mais baixa. As prestações mais baixas vão gerar uma folga orçamental que poderá ser utilizada para amortizar o crédito, eliminando assim as dívidas e tornando o seu orçamento familiar mais equilibrado e saudável.  

7. Quais os perigos do crédito consolidado?

No seguimento do que já foi mencionado, as prestações são mais baixas, mas o prazo poderá ser mais alargado e a taxa de juro poderá aumentar. Contudo, e tal como já explicámos, existem outros pontos que devem ser analisados para que possa perceber se vai pagar mais ou não.  

Posto isto, consideramos que o maior perigo da consolidação dos créditos é mesmo a possibilidade de contrair novos créditos e utilizar a folga extra para despesas desnecessárias. Pois, se por um lado o acesso a mais financiamento é uma vantagem do crédito consolidado, por outro lado é também uma forma de cair em tentação e aumentar o seu endividamento. 

Está nas suas mãos gerir devidamente a sua nova folga orçamental e eliminar este "perigo"!

8. A quem posso recorrer para consolidar os meus créditos?

Depois de estar mais informado sobre o crédito consolidado e saber o que deve analisar, certifique-se que escolhe uma entidade que protege os seus interesses e que assegura as melhores condições para o seu caso. Muitas entidades podem pedir um valor pelo serviço, contudo tenha atenção às burlas, nunca faça nenhum pagamento antecipado pela análise do seu caso. 

Se pretender, pode contar com a ajuda do Doutor Finanças para analisar o seu caso e calcular qual a poupança mensal que conseguirá obter, e isto sem pagar qualquer custo por este serviço.   

A equipa do Doutor Finanças já ajudou milhares de famílias a reduzirem os custos com os seus créditos. Faça a sua simulação para saber quanto pode poupar juntando todos os seus créditos num só. 

9. Caso real de poupança através do crédito consolidado

A Marta e o Jorge procuraram o Doutor Finanças pois, para eles, estava-se a tornar impossível suportar as prestações mensais que tinham contraído em créditos. Como não queriam correr o risco de não conseguir pagá-los em algum momento, optaram por consolidar os seus créditos, ganhando assim uma folga mensal extra através da redução das prestações mensais.

O casal tinha contratado créditos pessoais, crédito habitação, créditos com cartões e linhas de crédito. No total tinham uma dívida de 165 774€, que se dissolvia em prestações mensais de 1 483€. Tinham uma taxa de esforço de 58%, um valor que se encontrava muito acima daquele que é considerado saudável.  

O objetivo da Marta e do Jorge quando nos procuraram era consolidar todos os seus créditos à exceção do crédito habitação. Retiramos então desta equação o valor contraído do crédito habitação. Ficam por consolidar créditos na ordem dos 45 864€, com prestações mensais de 1 082,00€.  

Após a nossa ajuda, o casal viu a sua taxa de esforço ser reduzida para 38% e as suas prestações mensais passaram a ser 674,31€. Falamos numa poupança de 407,00€ por mês, que resulta em 4 892,28€ por ano.  

O prazo para este novo crédito é de 120 meses. O que não alterou em nada a vida do casal, dado que um dos seus créditos tinha exatamente a mesma duração.  

Em suma, este é o real exemplo onde mostra que houve uma poupança muito significativa sem alargar os prazos. Por isso aconselhamos que, antes de se guiar por um único fator, procure analisar o seu caso como um todo. Reforçamos ainda que o objetivo do crédito consolidado é dar a oportunidade de as famílias ganharem uma folga orçamental para conseguirem fazer frente às despesas ou, até mesmo, para formarem uma poupança.  

Leia ainda: Como utilizar a poupança que conseguiu com o crédito consolidado

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