5 ideias para planear a independência financeira

Desenhe a sua estratégia para aderir ao movimento da independência financeira e reforma antecipada (IFRA). Comece por aqui.

Um encontro improvável no México tornou Joe Dominguez, um antigo analista financeiro de Wall Street, e Vicki Robin, uma atriz secundária de telenovelas, nos paladinos de um movimento de finanças pessoais que se cristalizou nas últimas décadas pouco um por todo o mundo.

O livro publicado por Dominguez e Robin em 1992 — Your Money or Your Life: Transforming Your Relationship with Money and Achieving Financial Independence, traduzido pela Actual Editora como O Dinheiro ou a Vida: 9 passos para transformar a sua relação com o dinheiro e atingir a independência financeira — marca o arranque do movimento de independência financeira e reforma antecipada (IFRA).

Os promotores da IFRA defendem que, seguindo uma vida económica, é possível poupar o suficiente para se poder deixar de trabalhar antes da data estatutária de aposentação. Embora estas metas sejam emparelhadas, a independência financeira e a reforma antecipada não têm de acontecer em simultâneo. Mesmo que um aforrador atinja a independência financeira, pode continuar a trabalhar por prazer.

A independência financeira é o alvo mais importante nas finanças pessoais. A reforma antecipada é uma questão de gosto pessoal.

1. Pense para que quer o dinheiro

É o passo mais importante para a independência financeira: invista muito tempo a decidir para quer o dinheiro. Ganhar dinheiro apenas para ser mais rico não é boa ideia.

Visualizar-se no futuro pode ajudar, segundo um estudo académico da Universidade de Stanford. Após distribuírem avatares aos estudantes que participaram numa análise de realidade virtual imersiva, os investigadores perceberam que quem se visse aos 70 anos pouparia o dobro dos alunos cujos avatares tivessem a sua própria idade.

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2. Comece com a taxa segura de resgate

Em 1998, Philip Cooley, Carl Hubbard and Daniel Walz, professores na Universidade de Trinity, nos Estados Unidos da América, publicaram um estudo que procurou a percentagem segura de resgate dos investimentos durante a aposentação.

Concluíram que a maioria dos norte-americanos poderia sacar anualmente 4% do seu património sem o esgotar durante a aposentação. A regra equivale a dizer que, antes da reforma, é preciso acumular 300 vezes (12÷4%) os encargos mensais na aposentação que não serão cobertos por outra fonte de rendimentos, como uma pensão de velhice. Cooley, Hubbard e Walz avisaram que a percentagem não deve ser igual para todos: os aforradores que optam por instrumentos mais conservadores devem apontar para taxas inferiores e os investidores mais agressivos podem retirar uma proporção superior.

A taxa segura de resgate não é uma métrica infalível. A minha estratégia pessoal de IFRA segue um estudo mais detalhado, que tornei público.

É importante ter um plano financeiro, mas deve ser revisto pontualmente ao longo da vida para se ajustar à evolução da sua fortuna e dos seus desejos pessoais.

3. Maximize a poupança

Maximizar a poupança é equivalente a minimizar as despesas. Faça como Belmiro de Azevedo, que foi o homem mais rico de Portugal: “Tenho fama de rico, comportamento de pobre.”

Todas as poupanças são relevantes, mas foque-se nas maiores despesas, como as relativas à habitação. Examine-as anualmente.

Evite os empréstimos que destroem o seu património, isto é, todos os créditos que não sejam para a compra da casa ou para lançar um negócio e os dos cartões bancários (desde que os pague mensalmente na totalidade).

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4. Invista em instrumentos financeiros baratos

Os fundos de investimento são os instrumentos financeiros que a maioria dos aforradores deve privilegiar: como juntam o dinheiro de muitos investidores que têm objetivos comuns, tendem a ser soluções eficazes.

Prefira soluções económicas, porque as comissões são as únicas coisas realmente garantidas nos investimentos. Analise não só os encargos dos fundos de investimento mas também os dos intermediários financeiros, como os bancos que comercializam esses fundos.

Afine inicialmente a carteira até estar confortável com a volatilidade. Reveja-a quinquenalmente.

5. Otimize os seus impostos

recente investigação da ProPublica à fiscalidade dos 25 norte-americanos mais ricos, incluindo Jeff Bezos, Elon Musk e Warren Buffett, revelou o seu principal “segredo” para não pagarem impostos: não vender. O imposto sobre os investimentos financeiros só é ativado quando há distribuição de rendimentos (como dividendos e juros) e quando há realização de mais-valias.

Se optar por um fundo de investimento que não distribua dividendos, apenas será alvo de tributação quando vender ou quando resgatar a aplicação. No limite, poderá nunca pagar impostos sobre essa aplicação financeira, se a deixar aos seus herdeiros.

Escolha instrumentos financeiros para a vida. A melhor via é a dos fundos de índice, que procuram replicar automaticamente índices de mercado. Além de estarem entre os produtos mais económicos, esta solução minimiza a probabilidade de desilusão com a gestão do produto. O retorno será provavelmente igual ao do índice deduzido dos encargos de administração do fundo.

Os planos de poupança-reforma podem também ser uma boa opção. Além de fornecerem benefícios fiscais, é possível trocar de plano através de uma transferência sem ativar a tributação sobre as mais-valias. Os custos de transferência são, no máximo, de 0,5% do montante transitado.

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Editor do boletim tlim, uma publicação eletrónica de finanças pessoais. Ex-jornalista. Colaborou durante 20 anos com mais de uma dúzia de publicações, do Expresso à Seleções do Reader's Digest. Não gosta de Economia. Está a escrever o seu terceiro livro sobre investimentos. Eterno aprendiz.

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