Finanças pessoais

Conheça a técnica do envelope e organize as suas finanças

Já ouviu falar na técnica do envelope? Conheça o método e saiba se o ajuda a organizar as finanças pessoais, através de um controlo de custos consciente.

Patrícia Neves Patrícia Neves , 9 Outubro 2020 | 1 Comentários

No que toca à poupança e à organização financeira toda a ajuda é bem-vinda. E a verdade é que não somos todos iguais. Cada pessoa e agregado familiar deve assim encontrar a técnica de poupança que melhor se adequa ao seu caso. Para o ajudar, neste artigo damos-lhe a conhecer uma metodologia: a técnica do envelope. 

envelope branco em cima de um caderno preto

A técnica do envelope: o que é e como funciona

Para vivermos uma vida financeira mais tranquila, é essencial identificarmos os gastos supérfluos e concentrarmo-nos nas despesas realmente importantes. Só assim sobrará dinheiro ao final do mês que poderá ser guardado numa poupança, ou num fundo de emergência

No entanto, apesar de tudo isto parecer simples na teoria, na prática nem sempre é o que acontece e muitas pessoas sentem dificuldade em organizar os gastos. É neste contexto que surge a técnica do envelope que consiste precisamente em dividir as despesas por envelopes. 

Assim, o primeiro passo é ter um envelope por cada despesa fixa:

  • renda ou empréstimo da casa;
  • supermercado;
  • carro (combustível, seguro, mecânico, estacionamento, etc);
  • contas da casa (eletricidade, água, gás, telecomunicações);
  • saúde (seguro de saúde, medicamentos, consultas);
  • educação (mensalidades de escolas, material escolar);
  • ginásio.

Escreva o nome da despesa em cada envelope e assim que receber o seu ordenado divida-o pelos envelopes. Coloque o dinheiro correspondente para cada despesa e anote a lápis quanto dinheiro colocou em cada envelope. 

Estimativa versus realidade

Ao longo do mês guarde todas as faturas e recibos no envelope correspondente. Se foi ao supermercado, coloque o talão das compras dentro do envelope do supermercado. Quando pagar a electricidade coloque a fatura dentro do envelope das contas da casa, e assim sucessivamente. 

No final do primeiro mês é tempo de fazer contas. Some tudo o que foi gasto em cada envelope e verifique se sobrou dinheiro ou se faltou. Faça a comparação entre o que realmente gastou e o que inicialmente pensava que iria gastar - o tal valor que anotou a lápis. 

Planeamento é a chave 

O primeiro mês serve para entender melhor os seus gastos e para ter uma ideia mais real de como gasta o seu dinheiro. No segundo mês, com uma maior percepção dos seus gastos reais, anote esse valor, aquele que realmente gastou em cada envelope e, mais uma vez, distribua o dinheiro necessário por essas despesas. Qual é o objetivo? Gastar apenas o dinheiro que está em cada envelope. 

Com o planeamento correto e ajustado, poderá fazer as alterações necessárias mês a mês, ajustando os valores totais consoante as despesas desse mês. Evite recorrer a outro envelope se o dinheiro terminar num deles. Esta técnica de separar o dinheiro por categorias irá precisamente ajudá-lo a repensar os seus gastos, avaliando se estes são realmente importantes ou se respondem a impulsos. 

Ainda assim, pode ser necessário mais do que dois meses até conseguir ajustar o valor que pensa gastar com aquele que realmente despender. Por isso, vá repetindo o processo até alcançar a proporção ideal. 

Leia ainda: 7 formas de de (não) gastar o seu dinheiro com sabedoria

notas e moedas de euros dentro de um bloco de notas

Divida as despesas por semana

Outra dica passa por organizar as despesas por semanas, pelo menos aquelas mais variáveis. Pode ser útil para limitar o dinheiro que gasta semanalmente, garantindo que chega ao final do mês com mais liquidez. 

Para isso, mantenha os envelopes já criados com as despesas fixas como a renda e as contas da casa.

Por exemplo, crie um envelope para cada semana: semana 1, semana 2, e por aí além. No envelope de cada semana separe o montante que pensa gastar nessa semana com gastos variáveis e anote o valor a lápis. Podem ser cafés, idas ao restaurante, ou a compra de um presente ou de uma revista. 

De forma similar aos envelopes mensais, guarde também todos os talões e no final de cada semana avalie se gastou mais ou menos do que o que tinha inicialmente estipulado. 

Poupar com a técnica do envelope

Como é que este método me pode ajudar a poupar? A técnica do envelope dá-lhe uma maior percepção dos seus gastos e ajuda-o a ver para onde é que os seus rendimentos estão a ir. Conseguirá ver perfeitamente onde está a gastar dinheiro e identificar despesas desnecessária, cujo valor pode ser colocado de parte. 

Nesta altura, crie mais um envelope e dê-lhe o nome de “fundo de emergência”. Com uma maior organização das suas finanças, ao longo dos meses começará a sobrar dinheiro em alguns envelopes. Guarde esse dinheiro, seja qual for o montante, neste novo envelope e comece a criar o seu fundo, tão importante em períodos de crise económica.

A técnica do envelope no digital

A técnica do envelope também pode ser aplicada ao digital. Se é uma das pessoas que paga tudo por internet ou por cartões bancários, em vez dos tais envelopes físicos, de papel, crie envelopes virtuais, ou digitais. 

O objetivo é sempre o mesmo: ter controlo sobre os gastos e sobre o orçamento familiar. A melhor forma de o conseguir é registando tudo num documento, que pode ser um excel, uma folha de um caderno, ou noutra aplicação que permita esse registo. 

Para isso, crie categorias de despesas e siga todos os passos da técnica do envelope: 

  • anote o valor que pensa gastar;
  • ao longo do mês registe todas as despesas;
  • no final do mês avalie se o saldo foi positivo ou negativo.

A diferença neste método digital é que o dinheiro fica todo na sua conta bancária e, portanto, terá que se comprometer com os valores estipulados.

O mais importante é que tenha consciência de quanto dinheiro recebe, de quanto gasta e como faz essa distribuição. Este método pode ser uma grande ajuda para perceber exatamente para onde está a ir o dinheiro e que gastos poderão ser eliminados, conseguindo assim uma maior organização financeira. 

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