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Guia: O que saber sobre Ofertas Públicas de Subscrição

Já ouvi falar sobre a compra de obrigações de uma empresa ou uma SAD? Antes de avançar é essencial que perceba alguns conceitos.

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Guia: O que saber sobre Ofertas Públicas de Subscrição

Já ouvi falar sobre a compra de obrigações de uma empresa ou uma SAD? Antes de avançar é essencial que perceba alguns conceitos.

Quantas vezes já ouviu na televisão, na rádio ou num banco falarem sobre a compra de obrigações de empresas? Muitas vezes as condições são atrativas, mas antes de avançarmos para um investimento é sempre determinante percebermos o que estamos a fazer.

Assim, para começar, saiba que comprar obrigações de uma empresa não é mais do que estar a emprestar dinheiro a essa empresa. Se está tentado a investir numa Oferta Pública de Subscrição (OPS), perceba melhor alguns conceitos:

Formas de financiamento

As empresas têm várias formas de financiarem as suas operações: crédito, aumento de capital social, colateralização de receitas futuras ou recurso a empréstimos obrigacionistas. Esta última opção, apesar de ser algo muito natural nos EUA, na Europa não é muito comum, uma vez que para que tal aconteça, é muito importante ter um mercado de capitais e uma cultura enraizada que promovam esta dinâmica.

Leia ainda: Investimento em obrigações: O que precisa saber antes de investir

Emissão de obrigações em Portugal

Em Portugal, nos últimos anos, as empresas têm promovido esta opção. Temos visto com relativa regularidade empresas a recorrer a empréstimos obrigacionistas para se financiarem. Empresas como Continente, Clubes/SAD, Mota-Engil, Brisa, entre outras, têm vindo a tentar dinamizar esta forma de financiamento.

A emissão de obrigações é, assim, uma forma de as empresas conseguirem diversificar as suas fontes de financiamento. Como investidor temos de nos preparar, perceber o que nos estão a oferecer, quer em termos de retorno, quer em termos de risco.

A primeira motivação para investir

Numa primeira fase, a motivação dos investidores centra-se na rentabilidade que podem obter com este investimento. As taxas de retorno, normalmente, são elevadas e atrativas. Mas é aqui que deve residir a primeira questão: Porque é que estas empresas pagam um retorno tão interessante?

Como sabemos, “não há almoços grátis” e o rendimento apresentado tem sempre por norma um risco associado. As empresas para atingirem o objetivo de financiamento pretendido, sabem que têm de apresentar algo aliciante aos investidores, de forma a poder garantir o sucesso da operação. Por sua vez, os investidores para “darem este passo” de emprestar dinheiro a estas empresas, solicitam uma taxa de retorno que justifique o risco proposto.

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Investir numa OPS: Cuidados a ter

Conforme referimos a primeira motivação para o investidor é o retorno associado. Um investidor diligente não se deve ficar por este passo.

De forma a poder tomar uma decisão devidamente fundamentada, deve perceber quais os riscos associados a este tipo de eventos.

Obrigação: em que consiste

Numa primeira análise tem de perceber o conceito de obrigação, que consiste num empréstimo por parte de um investidor a uma entidade, ficando desde logo acordado os termos desta relação. Por norma, um investimento em obrigações (em mercado primário - OPS) tem o pagamento de um cupão anual associado, que consiste no retorno que os investidores irão obter com este investimento.

Risco emitente

Em contrapartida, o investidor sabe que o seu investimento tem um risco associado. Esse risco consiste na capacidade ou não de o emitente (empresa em questão) pagar os seus compromissos nas datas de pagamento dos cupões, assim como na devolução do capital investido na maturidade do contrato (término da obrigação).

Este é um ponto importante, porque pressupõe que os investidores tenham capacidade ou preocupação de avaliarem o risco da empresa onde estão a investir. Ou seja, é importante perceber que há o risco de perder parte ou a totalidade daquele investimento.

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Melhor conhecimento da empresa

Para avaliarem o risco efetivo da empresa, os investidores deverão percecionar qual a atividade da empresa, qual a atual situação financeira da mesma, qual o contexto de atividade (micro e macro) em que está inserida ou qual a estrutura acionista. Adicionalmente, é importante existir a perceção da dependência ou não do devedor de determinada zona geográfica e, se se trata de uma empresa exportadora ou com muita exposição ao mercado interno.

Estes pressupostos devem definir aquilo que identificamos como os riscos associados a esta empresa, ou a capacidade desta, num cenário adverso de incerteza (por exemplo uma pandemia), continuar a desenvolver a sua área de negócio. Por norma, as empresas mais resilientes apresentam um risco menor e consequentemente uma taxa de retorno inferior.

Benchmark

Por outro lado, para complementarmos a definição de risco/retorno, devemos identificar qual o retorno obtido num dado horizonte temporal, num investimento em obrigações do Estado português, sendo este um bom benchmark (comparador) para o retorno que devemos “exigir” aos restantes emitentes nacionais.

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Como exemplo, atualmente o Estado em empréstimos a 10 anos paga um retorno de 0,43% e quem quiser emprestar dinheiro a Portugal a 5 anos, tem de pagar 0,35%. Sim, leu bem, para emprestar dinheiro ao Estado Português a 5 anos, não só não recebe como ainda paga.

Este facto justifica-se pela oferta artificial que o BCE está a exercer nos mercados financeiros e que está a distorcer o normal funcionamento dos mercados, não só porque estamos a atravessar uma fase de taxas de juro baixas, mas também pelos programas de compra de ativos constantes (quantative easings) que existem atualmente por parte dos Bancos Centrais.

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Particularidades de OPS: Rateio

Por norma, nas OPS existe uma forma definida da distribuição das ordens solicitadas. Existe um montante mínimo atribuído a cada subscritor, sendo que o montante em excesso pode variar de acordo com o dia em que a ordem foi executada.

Isto significa, que se um investidor der a sua ordem até ao dia em que a procura igualar a oferta, terá a probabilidade de “receber” um valor superior de obrigações, aproximando-se do valor de investimento pretendido. Pelo contrário, aqueles que deixarem a sua ordem para os últimos dias terão uma menor probabilidade de receberem o que pretendiam, ficando por norma, com o montante mínimo atribuído a cada investidor.

Outro ponto importante a ter em conta são os custos de subscrição que podem variar entre 5€ e 100€, dependendo da instituição onde se dá a respetiva ordem.

É muito importante analisar todos os custos associados (subscrição, pagamento de cupões e de vencimento da obrigação), de forma a poder ter uma noção real da rentabilidade que este investimento pode significar. Naturalmente que quanto maior o investimento efetuado, menor peso percentual terão os custos fixos (como o de subscrição) na rentabilidade final.

Possibilidade de venda antes da maturidade

Outro ponto fundamental e que muitas vezes não é abordado é a possibilidade de os investidores poderem vender a sua obrigação no mercado secundário, se assim o pretenderem. Claro que estarão sempre sujeitos a existir liquidez (investidores interessados na “sua posição”) para poderem efetuar essa venda.

É importante esclarecer que ao longo do período de vida do “empréstimo” o preço da obrigação vai variando, em função de eventos que podem surgir sobre a empresa e do contexto macroeconómico global. Desta forma, o preço poderá ser superior a 100% ou inferior, sendo que 100% é por norma o preço a que as obrigações entram nas Oferta Publicas de Subscrição.

Por fim, um investimento neste tipo de ativos deve ser enquadrado no restante património, devendo estar sempre presente a diversificação e equilíbrio, que são fundamentais na construção de um portefólio que visa maximizar o binómio retorno/risco.

Leia ainda: De clubes desportivos a empresas: o que são obrigações?

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