As férias de verão são, para muitas pessoas, a época mais aguardada do ano. Seja para descansar, conhecer novos lugares ou passar mais tempo com a família, este é, normalmente, o momento que permite recarregar baterias.
Mas para que esta ocasião tão desejada não se transforme numa fonte de stress financeiro, é importante que a prepare com antecedência. Até porque, em muitos casos, a despesa é significativa e, se for mal calculada, o seu impacto no orçamento familiar pode sentir-se durante vários meses. Por isso, antes de partir, vale a pena dedicar algum tempo ao planeamento financeiro da viagem – desde a definição de um orçamento até à verificação dos seguros e meios de pagamento. Ao fazê-lo, garanta que as suas finanças estão preparadas para suportar não só as férias, mas também as contas habituais, que vão continuar a chegar a sua casa.
De seguida, veja 10 dicas que o podem ajudar a desfrutar das férias (e a regressar novamente à rotina) sem sobressaltos financeiros.
1. Confirme se as despesas correntes estão asseguradas
Embora as férias sejam uma excelente oportunidade para desligar da rotina, não suspendem os encargos habituais do agregado familiar. A prestação da casa continua a ser debitada, os seguros mantêm-se ativos e as faturas de água, eletricidade ou telecomunicações continuam a ter de ser pagas. Assim, antes de viajar, é conveniente que faça um levantamento das despesas correntes esperadas para o período de férias.
Entre os encargos que deve considerar estão:
- Prestação do crédito habitação ou renda da casa;
- Créditos pessoais ou automóveis;
- Seguros;
- Água, eletricidade e gás;
- Telecomunicações;
- Mensalidades escolares ou atividades extracurriculares;
- Outras despesas regulares.
Garanta não só que terá saldo suficiente na conta para fazer estes pagamentos, mas também que não se esquece de nenhum, nos casos em que não estejam em débito direto.
Otimize o seu orçamento.
2. Defina um orçamento realista para as férias
Um dos erros mais frequentes no planeamento das férias é prever nas contas apenas os custos da viagem e do alojamento, ignorando todas as outras despesas que surgem no decorrer da estadia. Para ter uma noção mais exata do custo global das férias e evitar derrapagens, crie um orçamento e distribua o montante que considere realista pelas várias categorias.
Depois de definido um valor por categoria, pode estabelecer um limite diário de gastos. Desta forma, ao longo das férias, consegue perceber se está a gastar acima do que previu e ir ajustando os gastos, se necessário, de modo a não comprometer o orçamento.
Veja abaixo o exemplo de um orçamento para uma semana de férias em família, em Portugal, com o valor estimado e o peso percentual (meramente indicativos) que cada categoria poderá ter no total:
Categoria | Valor estimado | Percentagem do orçamento |
Alojamento | 900€ | 51% |
Alimentação | 350€ | 20% |
Transporte/combustível | 200€ | 11% |
Atividades (Parque aquático, por exemplo) | 110€ | 6% |
Pequenos gastos diários (Cafés, gelados, snacks, bebidas, etc.) | 65€ | 4% |
Transportes locais (Barco/comboio de acesso à praia, por exemplo) | 60€ | 3% |
Portagens | 50€ | 3% |
Souvenirs | 30€ | 2% |
Total estimado | 1.760€ | 100% |
Ao fazer este exercício, é importante ter em conta o custo de vida no destino de férias. Um almoço, uma viagem de metro ou uma simples garrafa de água poderão ter um custo muito superior em cidades como Londres, Copenhaga ou Zurique do que em destinos como a Bulgária ou a Tailândia, por exemplo.
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3. Não vá de férias com o dinheiro contado
Mesmo quando o orçamento está bem definido, os imprevistos podem acontecer. Um problema de saúde, um voo de ligação perdido, uma avaria no carro ou uma noite adicional no hotel podem exigir o pagamento de quantias consideráveis. Para que consiga dar resposta a despesas inesperadas, sem ter de recorrer ao cartão de crédito, procure criar uma pequena poupança separada do valor destinado às férias. Este montante não deve ser utilizado para despesas correntes da viagem, mas apenas para situações excecionais.
Se ainda está a poupar para as férias e não tem muita margem financeira para assegurar esta almofada financeira, pode tentar reduzir algumas despesas não prioritárias, como refeições fora de casa, compras por impulso ou, eventualmente, subscrições de serviços que utilize pouco.
4. Meios de pagamento: Saiba quanto pode custar a utilização dos cartões
Para quem vai de férias para o estrangeiro, há outro tópico que deve merecer particular atenção. Trata-se de garantir que os meios de pagamento que pretende utilizar estão preparados para a viagem e que está devidamente informado sobre os custos que poderá ter de suportar ao utilizá-los no destino.
Quanto paga para utilizar os cartões
As comissões bancárias cobradas pela utilização dos cartões de débito e de crédito variam consoante o destino. Se viajar dentro do Espaço Económico Europeu (EEE) – que inclui os países da União Europeia, a Islândia, o Liechtenstein e a Noruega – o seu banco terá de lhe cobrar as mesmas comissões que cobra em Portugal. Na prática, isto significa que, se não paga comissões por levantar dinheiro ou efetuar pagamentos com cartão em Portugal, também não as pagará nestes países.
Contudo, as regras europeias não eliminam todos os custos. Em países como a Polónia, a Dinamarca ou a Suécia, por exemplo, em que a moeda é diferente do euro, poderá ter de suportar encargos associados à conversão cambial. Por isso, confirme antecipadamente quais as condições praticadas pelo seu banco.
Já fora do Espaço Económico Europeu, as regras mudam. Nesse caso, os bancos podem cobrar comissões pela utilização de cartões, em operações como:
- Levantamentos em caixas automáticas;
- Pagamentos em moeda estrangeira;
- Conversão cambial;
- Comissões de processamento internacional.
Como cada instituição tem o seu preçário, é conveniente que consulte previamente as condições aplicáveis ao país que vai visitar.
Normalmente, os levantamentos tendem a ser a operação mais cara quando está no estrangeiro, pelo que, na medida do possível, deve limitar o número de vezes que levanta dinheiro durante a viagem. Caso contrário, estará a pagar comissões – algumas com valor fixo – múltiplas vezes sobre operações de pequeno valor.
Bancos digitais podem ser alternativa para reduzir custos
Se viaja com frequência para fora da Zona Euro, pode também avaliar a possibilidade de utilizar um banco digital, como o Revolut ou o N26, por exemplo. Muitas destas entidades disponibilizam contas sem custos de manutenção e permitem efetuar pagamentos e levantamentos internacionais com condições mais vantajosas, embora normalmente existam limites mensais para operações gratuitas.
Ainda assim, tenha em conta que nem todas as taxas podem ser evitadas. Em alguns países, os operadores das caixas automáticas cobram uma comissão por cada levantamento efetuado, independentemente do banco ou do cartão utilizado. Nestes casos, mesmo recorrendo a um banco digital, continuará a ter de suportar esse custo.
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Cartão de crédito é útil nalguns cenários
Embora muitas pessoas prefiram viajar apenas com cartão de débito, o cartão de crédito também pode revelar-se útil em determinadas situações. Desde logo, porque alguns serviços, como o aluguer de veículos, exigem frequentemente um cartão de crédito para efeitos de caução. Além disso, quando viaja para países com uma moeda diferente do euro, o cartão trata automaticamente da conversão cambial em cada pagamento, evitando a necessidade de transportar grandes quantias em dinheiro.
Mas esta conveniência tem um custo. Se utilizar o cartão de crédito para levantar dinheiro ou não liquidar a totalidade do saldo dentro do prazo previsto, poderá pagar juros e outras comissões.
Nota: Antes de viajar, não se esqueça de verificar a validade dos cartões e o plafond disponível no cartão de crédito.
5. Confirme se faz sentido levar moeda local
Embora os pagamentos com cartão estejam generalizados, em contextos específicos, como mercados locais, pequenos restaurantes, táxis ou estabelecimentos mais tradicionais os pagamentos em dinheiro podem ser privilegiados. Assim, antes de viajar para um país com uma moeda diferente, informe-se sobre os hábitos de pagamento do destino e opte pela solução mais adequada.
Se o numerário for frequentemente utilizado, poderá fazer sentido transportar alguma moeda local ou planear alguns levantamentos durante a viagem. Dependendo do país e das condições do seu banco, levantar dinheiro diretamente no destino pode revelar-se mais vantajoso do que trocar moeda, antes de partir, em casas de câmbio ou em aeroportos. Ainda assim, deve comparar as taxas de câmbio e as comissões aplicáveis antes de decidir.
Se tiver dúvidas sobre o valor real da moeda local ou quiser comparar taxas de câmbio antes da viagem, pode recorrer ao conversor de moeda disponibilizado pelo Banco de Portugal. Esta ferramenta utiliza as taxas de referência publicadas diariamente pelo Banco Central Europeu e pelo Banco de Portugal.
6. Seguro de viagem: Evite duplicar coberturas
Outro ponto importante a incluir na sua checklist financeira antes de ir de férias são os seguros. Embora fazer um seguro de viagem possa ser útil, antes de assumir mais este custo, verifique se algumas coberturas não estarão já previstas noutras apólices ou produtos que tenha, como:
- Seguro automóvel;
- Seguro de saúde;
- Cartão de crédito;
- Pacote de produtos associados à conta bancária.
Se tem seguro de saúde, por exemplo, as despesas médicas que resultem de um acidente sofrido no estrangeiro podem estar cobertas. Mas, para isso, tem de avisar a seguradora de que vai viajar. Também o cartão de crédito pode incluir a cobertura de bagagem ou, até, de acidentes pessoais – desde que o use para pagar a viagem.
Assim, antes de contratar outros produtos, reveja a sua carteira de seguros e confirme as proteções de que já beneficia e em que circunstâncias podem ser acionadas. Entre as mais relevantes encontram-se as coberturas de:
- Assistência em viagem;
- Despesas médicas;
- Repatriamento;
- Assistência jurídica;
- Cancelamento ou interrupção da viagem;
- Perda ou extravio de bagagem.
Apesar de algumas coberturas poderem estar previstas noutros seguros, isso não significa, necessariamente, que um seguro de viagem seja completamente dispensável. Tudo dependerá do destino, da duração da viagem e do tipo de atividades que pretende realizar. Por exemplo, uma escapadinha de poucos dias para um país da União Europeia pode exigir um nível de proteção diferente daquele que seria aconselhável para uma viagem de várias semanas para um destino fora da Europa.
Mais do que contratar ou não um seguro de viagem, o importante é garantir que tem uma proteção adequada ao destino e aos riscos associados à sua viagem.
Não se esqueça do Cartão Europeu de Seguro de Doença
Independentemente dos seguros que tenha, se viajar para um país da União Europeia, para a Islândia, Liechtenstein, Noruega, Suíça ou Reino Unido, peça o Cartão Europeu de Seguro de Doença. Este cartão permite aceder aos serviços públicos de saúde destes países, nas mesmas condições dos residentes locais.
Os cuidados de saúde podem não ser gratuitos – nalguns casos, pode ter de pagar taxas moderadoras ou comparticipações -, sendo que estas despesas não são reembolsáveis.
Apesar da sua utilidade, este cartão europeu de saúde não deve ser visto como um substituto do seguro de viagem ou de outros seguros. Encare-os antes como um complemento às coberturas previstas nestes produtos.
7. Verifique as condições de roaming antes de viajar
Se vai passar férias fora de Portugal e quer garantir que continua ligado sem comprometer o orçamento que definiu para a viagem, tenha também atenção aos custos das telecomunicações. Se viajar para um país da União Europeia, para a Islândia, Liechtenstein, Noruega ou Reino Unido, pode fazer chamadas, enviar mensagens e utilizar dados móveis nas mesmas condições do seu tarifário nacional, sem ter pagar valores adicionais.
No entanto, há uma exceção importante: o plafond de dados móveis disponíveis em roaming pode ser inferior ao que tem em Portugal, sobretudo se tiver dados ilimitados. Tudo depende das condições do seu tarifário. Por isso, antes de partir, consulte a operadora e confirme qual o plafond de dados para utilização fora do país.
Os cuidados devem ser redobrados quando viaja para destinos fora da União Europeia, em que os custos da utilização do telemóvel pode ser significativamente mais elevados. Nestas situações, vale a pena considerar algumas alternativas antes de partir. Dependendo do destino e da duração da viagem, poderá fazer sentido:
- Contratar um tarifário ou pacote de roaming específico junto da sua operadora;
- Adquirir um cartão SIM local à chegada;
- Utilizar um eSIM, que pode ser comprado e ativado digitalmente antes da viagem;
- Limitar a utilização dos dados móveis e privilegiar redes de wi-fi seguras.
Se optar por utilizar redes wi-fi públicas, deve ter cuidados acrescidos: evite aceder a aplicações bancárias e realizar operações como pagamentos ou transferências, pois estas redes podem facilitar o acesso de terceiro aos seus dados pessoais e financeiros.
8. Registe as despesas durante a viagem
Se, antes de partir, criou um orçamento detalhado, é importante que mantenha o controlo financeiro ao longo das férias. Acompanhar os gastos que for fazendo permite perceber rapidamente se está dentro do orçamento previsto.
Assim, tente registar todas as despesas, mesmo as mais pequenas, como:
- Cafés;
- Gelados;
- Bebidas;
- Snacks;
- Pequenas compras;
- Transportes ocasionais.
Embora, individualmente, estes gastos pareçam insignificantes, podem representar uma parte relevante do orçamento final. Para registar estas despesas, pode recorrer a uma folha de cálculo, a uma aplicação – há inúmeras criadas para o efeito – ou a uma simples nota no telemóvel. O mais importante é que saiba quanto já gastou e quanto ainda pode gastar de modo a manter as contas equilibradas.
9. Tenha um plano para emergências financeiras
Mesmo com todo o planeamento, há situações que escapam ao nosso controlo. Perder um cartão, ser vítima de furto ou, por algum motivo, ver o meio de pagamento recusado são situações que podem, até, não estragar as férias, mas causam, certamente, algum transtorno. Para reduzir o impacto destes imprevistos, além da almofada financeira de que falámos inicialmente, tenha ainda os seguintes cuidados:
- Levar uma segunda forma de pagamento;
- Guardar os contactos do banco (para resolver problemas como cartão roubado ou perdido, por exemplo);
- Saber como bloquear cartões à distância;
- Não transportar todo o dinheiro, cartões e valores no mesmo local.
Ter estas alternativas disponíveis pode fazer toda a diferença numa situação de emergência.
Note que, em caso de perda, roubo ou utilização fraudulenta de um cartão bancário, quanto mais rapidamente conseguir bloquear o cartão, menor será o risco de prejuízo financeiro. Além disso, a menos que tenha havido negligência da sua parte, depois de ter comunicado a situação ao banco, não pode ser responsabilizado por quaisquer movimentos indevidos.
10. Defina um plano para o regresso
Sobretudo nas férias de verão, para muitas famílias, o regresso a casa pode coincidir com encargos sazonais ou extraordinários, como:
- A compra de material escolar;
- O pagamento de anuidades da escola ou de modalidades desportivas;
- Manutenção da habitação;
- Reparações do automóvel;
- Outros encargos.
Por isso, antes de partir, tente antecipar os gastos que prevê ter nos meses seguintes e reserve uma parte do orçamento para esse efeito. Caso contrário, corre o risco de regressar de férias com mais preocupações e sem margem financeira para suportar essas despesas.
Em suma, umas férias financeiramente bem-sucedidas dependem, sobretudo, de planeamento: antes, ao longo desse período e depois. Além de controlar os gastos diretamente relacionados com o período de descanso, é fundamental garantir que o regresso à rotina não traz dificuldades adicionais para o orçamento familiar.
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Perguntas frequentes
Definir um orçamento detalhado antes da viagem e acompanhar as despesas ao longo da estadia são duas das medidas mais eficazes. Registar os gastos, mesmo os de pequeno valor, ajuda a identificar rapidamente eventuais derrapagens e a corrigir comportamentos a tempo.
Depende do destino, da duração da viagem e das coberturas de que já beneficia através de outros seguros ou cartões bancários. Antes de contratar um seguro de viagem, confirme se já tem proteção para situações como assistência em viagem, despesas médicas, repatriamento ou cancelamento da viagem.
Ainda assim, para viagens mais longas, destinos fora da Europa ou férias que envolvam atividades de maior risco, um seguro de viagem pode proporcionar uma proteção mais abrangente.
Não. O Cartão Europeu de Seguro de Doença permite o acesso aos serviços públicos de saúde dos países abrangidos, mas não cobre situações como repatriamento, cancelamento da viagem, assistência privada ou extravio de bagagem. Por isso, pode ser complementar a um seguro de viagem.
Em regra, sim. Nos países da União Europeia, bem como na Islândia, Liechtenstein, Noruega e Reino Unido, as chamadas, mensagens e dados móveis são cobrados nas mesmas condições do tarifário nacional. No entanto, o plafond de dados móveis disponível em roaming pode ser inferior ao que tem em Portugal, pelo que deve verificar esta questão com a sua operadora.
O ideal é levar ambos. O cartão de débito é suficiente para a maioria dos pagamentos, mas alguns serviços, como o aluguer de automóveis, podem exigir um cartão de crédito. Além disso, ter mais do que um meio de pagamento reduz o impacto de eventuais problemas durante a viagem.
Deve contactar imediatamente o banco para bloquear o cartão e evitar utilizações indevidas. Por isso, antes de viajar, é aconselhável guardar os contactos da instituição financeira e saber como efetuar o bloqueio através da aplicação ou da área de cliente.
A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.
