Qual é a melhor forma de poupar na eletricidade?

É uma poupança tão óbvia que até parece mal dizer isto, mas alguém tem de o dizer: cada kWh que não gastar é uma poupança de 100%.

Tenho a ideia de que nós, portugueses, só poupamos realmente a sério quando somos obrigados a isso: durante o período da Troika e, mais tarde, durante a pandemia. Culturalmente, vemos a poupança como uma coisa má, cheia de sacrifícios e que só levamos a sério quando é uma necessidade.

O que lhe quero transmitir, de uma forma clara, é que ganharíamos muito enquanto povo e como indivíduos, se passássemos a encarar os nossos gastos e consumos de uma forma eficiente e não na perspetiva da poupança como um fim.

Por onde começar?

O nosso objetivo diário em tudo deveria ser usar só o que precisamos e que queremos, e não gastar sem critério para depois termos de poupar quando não conseguimos aguentar o andamento. É o que se passa na eletricidade.

Veja o seguinte cenário: gasta 400 kWh por mês - não interessa em quê - em eletricidade, e paga 21 cêntimos por cada kWh. Ou seja, vai pagar 84 euros de eletricidade no total. E queixa-se de que é muito, mas paga. Aí, vai tentar encontrar uma empresa mais barata para “poupar”. Se conseguir baixar o preço do kWh para 19 cêntimos, vai pagar pelo mesmo consumo 76 euros. Poupa 7 euros, mais ou menos, por mês.

Mas se - conscientemente - decidir gastar só a eletricidade de que realmente precisa, sem desperdícios, e conseguir reduzir os seus consumos para 300 kWh, mesmo com o preço mais caro, consegue reduzir a sua fatura mensal para 63 euros. Menos 21 euros por mês. Estamos a falar de 252 euros por ano. Fora a eventual poupança da redução de preço por mudar de empresa.

O que é que envolve reduzir os consumos? Envolve reunir a família e traçar estratégias e objetivos. O critério até pode ser ambiental e não financeiro.

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Como pode reduzir os seus consumos de eletricidade

Pode obter poupanças de 100% nos seus consumos de eletricidade se adotar alguns comportamentos que, se regulares, são mesmo uma poupança real na soma de todos eles:

  • Não ligar luzes durante o dia
  • Não ligar o ar condicionado sem real necessidade
  • Não usar a máquina de secar roupa se a puder estender ao sol (sim, antes da invenção destas máquinas era assim que se fazia)
  • Passar a ferro só o tempo indispensável (não deixe o ferro ligado sem o utilizar)
  • Desligar o computador se não o estiver a usar
  • Desligar da tomada todos os standby
  • Ao usar o forno, fazer vários cozinhados ao mesmo tempo
  • Optar por aquecimentos mais eficientes (aquecedores a óleo são impensáveis, substitua por aquecimento a gás)
  • Fazer obras de eficiência energética em casa (mudar as janelas pode evitar ligar aquecimento no próximo Inverno)
  • Frigoríficos e arcas congeladoras antigos são para deitar fora (reciclar) o mais depressa possível
  • Lâmpadas que não sejam LED já não deviam existir em sua casa há muitos anos
  • Se puder instalar pelo menos um painel solar vai reduzir a zero todos os pequenos consumos durante o dia
  • Ser um caça-watts implacável em sua casa

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Poupança está no não-desperdício

Com estas pequenas sugestões, garanto-lhe que vai conseguir reduzir o seu consumo de eletricidade em muitas dezenas de kWh. Essa é a grande poupança que está nas suas mãos se quiser reduzir a sua fatura de eletricidade. Claro que todas as outras são cumulativas. 

Sei que é muito complicado quando alguém lhe diz que tem de mudar comportamentos se quiser mudar alguma coisa. Mas depois de entrar na rotina, vai ficar admirado como é que não começou mais cedo na sua vida a fazer as coisas corretamente e com inteligência

A poupança não está em desperdiçar e depois tentar pagar o desperdício o mais barato possível. A maior poupança está no não-desperdício. As outras formas de poupança são secundárias. E essa lição pode levá-la para todas as áreas da sua vida.

Leia ainda: Cuidado com a sua fatura de eletricidade

Pedro Andersson nasceu em 1973 e apaixonou-se pelo jornalismo ainda adolescente, na Rádio Clube da Covilhã. Licenciou-se em Comunicação Social, na Universidade da Beira Interior, e começou a carreira profissional na TSF. Em 2000, foi convidado para ser um dos jornalistas fundadores da SIC Notícias. Atualmente, continua na SIC, como jornalista coordenador, e é responsável desde 2011 pela rubrica "Contas-Poupança", dedicada às finanças pessoais. Tenta levar a realidade do dia a dia para as reportagens que realiza.

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