Finanças pessoais

10 atitudes para mudar a sua vida financeira

O primeiro passo para mudar a sua vida financeira é querer. Analise a sua situação e adote as 10 atitudes descritas neste artigo.

A estabilidade financeira é o sonho de muitos. No entanto, a má gestão do dinheiro e a falta de antecipação de contas e impostos acaba por dificultar esta tarefa. É o seu caso? Quer mudar a sua vida financeira e não sabe por onde começar? Neste artigo encontra 10 atitudes, ou hábitos, essenciais para quem procura obter maior controlo das suas contas. 

Mudar a sua vida financeira exige esforço

Independentemente do valor do ordenado, a má gestão financeira impossibilita a poupança e faz com que a pessoa chegue ao final do mês sempre sem - ou quase sem - dinheiro. Muitos pensam que se ganhassem mais dinheiro, todos os seus problemas financeiros desapareceriam. Mas, na verdade, pessoas com bons ordenados também têm dificuldades a gerir as contas. Porquê? Porque no caso destas, quanto mais dinheiro recebem, mais gastam. Ou seja, atingir a estabilidade financeira significa aprender a gerir o dinheiro e essa gestão deve ser adaptada à situação particular de cada um ou de de cada família. 

É um processo fácil? Não, exige esforço. Se pretende mudar a sua vida financeira precisa de adquirir novos hábitos e inseri-los na sua rotina. O processo é similar a quem procura deixar de fumar, ter uma alimentação mais saudável ou praticar atividade física regularmente. Adquirir novos hábitos leva tempo porque requer habituação a novas rotinas que até então eram desconhecidas. Em 1960, o cirurgião plástico Maxwell Maltz concluiu que eram necessários 21 dias para criar um hábito. Mais tarde, um estudo da University College de Londres descobriu que na verdade eram necessários 66 dias para incorporar um novo comportamento na rotina. Portanto, quanto mais cedo começar, mais rapidamente começará a colher os frutos financeiros. 

Faça um auto-exame 

Muitas vezes temos tendência para procurar desculpas para os nossos problemas. Não conseguimos poupar porque o ordenado é baixo, temos uma dívida porque não estávamos a contar com a conta da oficina do automóvel, entre outras situações. Mas, enquanto se desculpa ou aponta culpados para os seus problemas, vai continuar sem identificar o verdadeiro responsável: você mesmo. 

O primeiro passo para mudar a sua vida financeira é reconhecer a culpa e criar consciência sobre a situação. Olhe para a sua vida, individual ou familiar e analise o que está bem e o que está mal. Identifique os sinais que indicam que não está a fazer uma gestão eficaz. Que objetivos financeiros gostaria de alcançar? Estabeleça pequenas metas, razoáveis e que façam sentido para o seu caso e perceba se realmente precisa de mudar algo para as atingir. 

Anote os gastos diários 

A forma mais eficaz de perceber para onde está a ir o seu dinheiro é através do registo de todos os gastos diários. É importante que anote mesmo todos os gastos. Desde a conta da eletricidade à gorjeta que deu a um empregado de mesa. É importante saber exatamente quanto gasta no supermercado, nas contas da casa, em roupa, extras, etc. 

Pode utilizar um simples caderno para fazer essas anotações, uma folha de excel ou aplicações de telemóvel. A vantagem das apps é que centralizam todos os gastos, dividem as despesas por categorias, criam gráficos, emitem alertas e auxiliam na preparação dos meses seguintes. 

 Há imensas opções disponíveis para fazer este registo, seja sites, documentos de computador ou um simples caderno. Escolha aquela que lhe der mais jeito e que seja mais prática para si. 

Pense a longo prazo

Pensar a longo prazo significa priorizar aquilo que temos hoje para, aos poucos, conquistar algo mais no futuro. Por outras palavras, é preciso dedicar-se hoje, no presente, para colher os frutos no futuro. 

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Esta atitude é válida não só para gerir despesas como para investimentos. Começando pelas despesas, tome como exemplo a compra de um novo automóvel. Hoje em dia o carro é considerado essencial para a maioria de nós e todos sabemos que eventualmente teremos de o substituir. Seja porque o carro já tem alguma idade ou porque temos planos para aumentar a família. Se consegue “prever” que daqui a uns anos vai precisar de comprar um automóvel novo, comece o mais rápido possível a poupar para essa despesa. Se o fizer com a devida antecedência, quem sabe se nem precisa de pedir empréstimo bancário. 

O mesmo se passa com os investimentos. Veja o caso da reforma. Quanto mais cedo começar a descontar ou a poupar para a altura da reforma, mais cedo chegará ao seu objetivo. Além disso, determinadas aplicações financeiras como depósitos a prazo, ações, obrigações ou fundos de investimento, têm um melhor desempenho em prazos mais alargados. Assim, quanto mais alargado for o período de investimento, maior será o rendimento que pode obter.

Poupe com um objetivo

Nem toda a gente tem facilidade em poupar. Para estes, uma boa dica é a definição de metas. Poupe com um objetivo. Ter bem presente a razão porque está a colocar dinheiro de parte é meio caminho andado para o sucesso porque sabe exatamente para onde irá essa poupança. Além disso, definir objetivos é também uma forma de gerar motivação. Quanto mais perto estiver de alcançar uma meta, mais motivado ficará para continuar e para chegar ao destino. 

Cada um terá objetivos diferentes, e de certeza que uns serão a curto prazo e outros a longo prazo. Anote-os a todos, de preferência num local bem visível, como a porta do frigorífico ou um quadro no escritório. Sempre que completar uma meta, marque-a como completa e concentre-se na seguinte. 

Comece já a mudar a sua vida financeira

Qual é a melhor altura para mudar a sua vida financeira? No início do próximo ano? No próximo mês? Quando começar o novo trabalho? Não. A melhor altura é agora, neste exato momento. Se é realmente algo que pretende fazer, comece o quanto antes, porque quanto mais cedo começar, mais cedo atingirá o controlo financeiro. 

Faça um plano financeiro 

Da mesma forma que os empresários fazem planos financeiros para as empresas, cada um de nós pode, e deve, fazer um plano para o orçamento financeiro individual ou financeiro. Fazer um plano financeiro envolve todos os passos descritos anteriormente: anotar todos os gastos, definir objetivos e pensar a longo prazo. Envolve, também, apontar os rendimentos, categorizar as despesas e perceber quais são as essenciais e as supérfluas e criar um fundo de emergência. 

No caso de um plano financeiro anual deve constar todas as despesas certas desse ano (IUC, IMI, IRS, etc.), estimativa de gastos domésticos (eletricidade, comunicações, supermercado, roupa e calçado), escola das crianças, atividades extracurriculares, transportes e viagens, entre outras. Deve, igualmente, ter em conta possíveis imprevistos e ter um plano b para lidar com despesas inesperadas sem recorrer a cartões de crédito ou similares. Esse plano b pode e deve ser o fundo de emergência, uma poupança criada especialmente para estas situações fora do normal. 

Gaste menos do que o que ganha 

Agora que já registou todos os seus gastos torna-se mais simples comparar esse total com o valor do seu ordenado, ou de todos os rendimentos da família. Se quiser chegar ao final do mês, ou do ano com o saldo positivo terá que gastar menos do que aquilo que ganha. 

Não gaste mais do que aquilo que realmente precisa e calcule todos os seus passos com base na sua própria situação individual. Viver acima das suas possibilidades vai não só impedir que poupe como levar a situações de endividamento. Por mais que o banco lhe “facilite” o acesso a créditos, avalie se realmente precisa de “pedir emprestado” ou se com planeamento e disciplina consegue poupar o montante de que vai precisar. Qualquer tipo de crédito, seja um crédito pessoal, habitação, automóvel ou de cartões de crédito vai sair-lhe muito mais caro do que comprar a pronto. Por isso, antes de comprar um carro muito acima das suas possibilidades avalie se para si faz sentido ficar 10 anos a pagar um crédito ou se poderá, em alternativa, optar por um modelo mais em conta e pagá-lo mais rapidamente e com menos (ou nenhuns) juros. 

Pesquise antes de comprar

Evitar fazer compras por impulso é uma das melhor formas de poupar. Permite também pesquisar antes de comprar. Principalmente em gastos maiores, tirar um bocadinho de tempo para fazer um levantamento da oferta disponível é essencial para encontrar o melhor negócio. Hoje em dia, com a internet, este processo é ainda mais fácil. Há alguns serviços como o Kuanto Kusta que lhe permitem comparar o preço de determinado produto em diferentes lojas. Além disso, a partir do computador pode pesquisar nas lojas online, ler avaliações de outros consumidores e, com base em todas estas informações, tomar uma decisão sobre o que irá comprar. 

Invista o que puder 

Poupar é muito importante, mas se quer mudar a sua vida financeira, comece a investir. Muitas pessoas têm a ideia errada de que é preciso muito dinheiro para começar a investir quando, na verdade, existem opções para todas as carteiras. 

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Fazer investimentos significa colocar o seu dinheiro a trabalhar para si já que o aplica em instrumentos que lhe dão retorno. Pode investir em depósitos a prazo, num PPR, em seguros de capitalização, em certificados de aforro, ações, entre muitas outras opções. Comece por definir qual o seu perfil de investidor, quanto dinheiro quer investir e a partir daqui selecione o produto financeiro. Se precisar, consulte um especialista para o aconselhar. 

E tenha atenção aos riscos que corre. Há vários tipos de produtos financeiros, que estão associados a diferentes níveis de risco. Para investir é preciso ter consciência de que há produtos nos quais pode registar perdas avultadas, especialmente se não puder esperar que aqueles investimentos recuperem. Por isso, uma das regras é ter um fundo de emergência sempre garantido e só investir os "extras" deste fundo.

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Eduque-se financeiramente 

A educação financeira é a última atitude para mudar a sua vida financeira não por ser menos importante, mas sim por ser a base de todas as outras. O dinheiro faz parte de todas as fases da nossa vida, por isso, compreendê-lo é fundamental para o podermos controlar de forma eficiente. 

A literacia financeira ajuda-nos a compreender como funcionam os mercados, os impostos, ensina-nos a interpretar recibos de vencimento e outros aspetos do dia a dia. Quanto mais bem informado estiver, melhores serão as suas decisões financeiras, seja referente a investimentos, a poupança, ou na gestão do seu orçamento pessoal e familiar. 

Nas finanças como em qualquer outro setor, a informação é poder. O conhecimento traz-lhe liberdade de escolha, de decisão e permite-lhe definir qual o melhor caminho para alcançar os seus objetivos, de forma independente.  

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