A importância de (saber) poupar

Ter um fundo de maneio é essencial nos dias de hoje. Não só para enfrentar as adversidades, como para aproveitar as oportunidades.

O cenário atual é marcado por instabilidade económica e social. A inflação e o aumento dos custos de financiamento são uma dupla penalização para famílias e empresas.

Contexto passado vs contexto atual

O contexto que estamos a atravessar não é particularmente fácil. Os últimos anos foram marcados por políticas monetárias ultra expansionistas que tiveram como consequência taxas de juro neutras ou mesmo negativas. Esta estratégia foi complementada por programas “agressivos” de compra de ativos por parte dos bancos centrais, que geraram uma enorme liquidez nos mercados financeiros. Houve várias consequências que acabaram por distorcer a realidade. Como exemplo, o ano de 2020 (Covid) foi o ano em que existiram menos falências.

As famílias e empresas, independentemente do risco ou do seu sector de atividade, conseguiram (quase) sempre financiar-se a custos reduzidos. Instalou-se um clima de facilitismo que proporcionou excessos e, sobretudo, uma crença de que os bancos centrais iriam sempre suportar a economia com juros baixos, que pressupunham custos de financiamento reduzidos.

O excesso de liquidez teve consequências em certos setores específicos. O imobiliário e os mercados financeiros são dois dos melhores exemplos com subidas abruptas.

Mudança de planos

Após tantos anos de políticas expansionistas, chegámos a um momento em que um fator veio colocar tudo em causa: a inflação. Se, ao longo dos últimos anos, o excesso de liquidez nunca gerou uma subida generalizada nos preços, a realidade é que um conjunto de acontecimentos em simultâneo proporcionaram a escalada deste efeito para números que ainda não tínhamos verificado no século XXI. Os responsáveis pelas políticas monetárias foram ignorando esta realidade, referindo que se tratava de um efeito momentâneo. Contudo, com o passar dos meses, e com a inflação a não desacelerar, nesta fase só existe uma solução: subir taxas de uma forma agressiva e reduzir abruptamente a liquidez que existe no mercado (redução e extinção dos programas de compras de ativos).

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Efeitos nos mercados financeiros e economia real

Naturalmente, estas medidas acabam por colocar entraves a muitos investidores, porque o suporte que tinham até aqui desaparece. Pior que isto é o facto de a urgência da retirada de liquidez dos mercados através do aumento dos custos de financiamento e de uma aproximação à realidade do risco/retorno das empresas, poder gerar dificuldades de financiamento para muitos players de mercado.

Na economia real, a mensagem que as autoridades estão a passar é que estamos numa fase em que devemos reduzir o consumo. Não só nos estão a querer dizer isto de uma forma clara, como nos estão a “obrigar” a seguir este caminho. De uma forma simples, a inflação já nos está a retirar poder de compra. Se juntarmos o aumento de taxas, os custos de financiamento (créditos pessoais, a habitação, …) irão ser superiores, logo ficaremos com menor liquidez para as despesas do dia-a-dia, o que nos irá “obrigar” a racionalizar as nossas decisões de consumo.

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A vantagem de Poupar SEMPRE

É nestes cenários mais adversos que percebemos a importância da poupança. Ter um fundo de maneio disponível para fazer face a circunstâncias adversas é fundamental para o nosso equilíbrio. Ajuda-nos a passar por momentos mais turbulentos, permite-nos estar mentalmente confortáveis para fazer frente às adversidades ou encarar de uma forma mais positiva as dificuldades que forem surgindo e, inclusivamente de uma forma mais dinâmica, ter a capacidade para poder aproveitar oportunidades que possam surgir.

Poupar não é uma necessidade. É uma atitude que pode fazer a diferença!

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Apaixonado pelo desporto e economia, foi jogador profissional de Futebol, tendo atuado em clubes como S.L. Benfica, Estoril, entre outros. Conciliou a carreira desportiva com a académica, terminando a licenciatura em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa (NOVA SBE). Continua ligado às suas duas paixões profissionais, desempenhando a função de Financial Advisor e colaborando como analista desportivo na CNN Portugal. Foi comentador residente no programa Jogo Económico do JE e Presidente do Conselho Fiscal da Federação Portuguesa de Footgolf. (FPFG). Participa com regularidade em eventos sobre Literacia Financeira.

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