O reembolso do IRS pode ser uma oportunidade para reorganizar as suas finanças, sobretudo se tiver dívidas para regularizar. Mas este dinheiro deve ser usado de forma estratégica. As dívidas não são todas iguais e, por isso, há que estabelecer prioridades.
Neste artigo, explicamos como avaliar as dívidas que tem e de que forma hierarquizá-las. Veja exemplos práticos e perceba qual a melhor forma de usar o reembolso do IRS para liquidar montantes em dívida, no seu caso particular.
Conheça bem as suas dívidas
Comece por fazer um levantamento de todas as dívidas: quanto deve, a quem e que impacto têm esses encargos no seu orçamento. Mas não basta contabilizar somente os montantes mais significativos, como a prestação da casa ou o cartão de crédito. É preciso incluir:
- Todos os créditos (habitação, pessoal, automóvel, cartões);
- Eventuais contas em atraso (água, luz, gás, telecomunicações);
- Dívidas ao Estado (Finanças e Segurança Social);
- Despesas com o condomínio;
- Encargos com educação (propinas ou mensalidades em atraso).
Este diagnóstico deve também ir além do valor em dívida. Importa analisar:
- Os montantes;
- A taxa de juro associada;
- As penalizações por atrasos no pagamento (como juros de mora);
- O risco de consequências imediatas (como corte de serviços ou processos legais).
Se tiver dúvidas sobre os créditos que tem, consulte o Mapa de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal. Este instrumento contém todos os financiamentos que tem contratados, os valores em dívida e eventuais montantes em incumprimento.
Nesta fase inicial, também é fundamental que calcule a sua taxa de esforço, ou seja, a percentagem do rendimento familiar destinada ao pagamento de prestações de créditos. Para isso, pode usar o simulador de taxa de esforço do Doutor Finanças. Valores acima de 30%-35% indicam que está na altura de reduzir os encargos com os créditos.
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Que dívidas deve pagar primeiro? Estabeleça prioridades
A falta de pagamento de um crédito habitação, de uma dívida às Finanças ou, até, de uma fatura de telecomunicações pode resultar na penhora de bens ou, no pior dos casos, da habitação. Apesar disso, a ordem pela qual opta por liquidar essas dívidas pode fazer uma diferença significativa nos encargos futuros. De modo genérico, pode hierarquizar as dívidas do seguinte modo:
1. Dívidas ao Estado são prioritárias
Se tem uma dívida às Finanças ou à Segurança Social deve, definitivamente, começar por aí. Se falhar a liquidação de um imposto, taxa ou contribuição, ficará sujeito ao pagamento de juros de mora, coimas e, em última instância, a um processo de execução fiscal.
Assim, mesmo que não seja possível pagar a dívida na totalidade, é crucial reduzir esse montante ou negociar um plano de pagamento com a entidade em causa.
No caso específico das dívidas às Finanças, o reembolso do IRS poderá ser penhorado para as liquidar antes mesmo de chegar às suas mãos.
2. Dívidas de serviços essenciais podem levar ao corte do fornecimento
Se falhou o pagamento de uma fatura de água ou eletricidade, deve regularizá-la o quanto antes. Embora a interrupção dos serviços essenciais obedeça a regras específicas e não possa ser imediata, quando o prazo do aviso de corte chega ao fim e o pagamento se mantém em falta, a consequência pode ser o corte do fornecimento.
Neste caso, além dos custos com a liquidação da dívida e os juros de mora, terá se suportar os encargos com a reativação do serviço. Assim, se tem faturas de serviços essenciais em atraso e recebeu reembolso de IRS, é o momento ideal para regularizá-las.
3. Não havendo pagamentos em falta, comece pelas dívidas com juros mais elevados
Se está a pagar vários créditos (habitação, crédito pessoal e cartões de crédito, por exemplo), começar pelo que tem os juros mais elevados pode ser a melhor solução. Uma dívida de 1.000 euros num cartão de crédito, por exemplo, pode gerar centenas de euros em juros ao longo de um ano, se não for amortizada.
No entanto, também pode preferir reduzir o total de juros a pagar ao banco, de uma forma global. Nesse caso, a amortizar o crédito habitação, normalmente com prazos mais longos e um maior capital em dívida, pode ser a melhor solução.
