Orçamento Familiar

Tem luxos? Ponha no seu orçamento familiar

João Raposo João Raposo , 20 Maio 2016

Quando faz o seu orçamento familiar começa por escrever as receitas ou as despesas? E nas despesas coloca todas as que tem ou apenas as mais relevantes? Verifique se está pronto para ter um orçamento familiar de excelência.

Por onde começa o orçamento familiar?

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A palavra orçamento pode ser utilizada em diferentes contextos, o que nos pode levar a alguns equívocos para construir um orçamento familiar de excelência. Se vamos fazer obras em casa ou se precisamos de levar o carro ao mecânico, perguntamos sempre pelo orçamento. Mas no fundo, o que está ali a ser apresentado é uma lista com a previsão de gastos. Este foco nos gastos faz com que muitos portugueses assumam que fazem orçamento, mas no fundo o que estão a fazer é um apontamento de todos os gastos que têm. É importante, mas não é suficiente.

Um orçamento familiar tem de começar sempre pelas receitas. De nada nos serve estar a apontar as despesas que temos num mês se antes não calculámos (ao cêntimo) as receitas que entraram. Se a base não é as receitas coremos o risco de chegar a meio do mês sem dinheiro para todo o mês.

Distinção das despesas fixas e variáveis

Além da distinção entre receitas e despesas é muito importante que as subdivida entre fixas e variáveis. Enquanto que nas receitas a distinção de fixas e variáveis está relacionada com a periodicidade, isto é, se são receitas que ocorrem todos os meses é uma receita fixa e se são receitas que só ocorrem esporadicamente são variáveis, o critério nas despesas é diferente.

O que nós sugerimos é que nas despesas faça a distinção entre despesas essenciais e de desperdício. Ou seja, pode ter compromissos fixos (por exemplo: ginásio) que não faz dela uma despesa essencial. Em vez de chamar despesas fixas e variáveis, procure fazer o exercício de ter as despesas subdivididas em essenciais e desperdício.

Não estamos a considerar as despesas de desperdício como algo de errado. Simplesmente são aquelas despesas que não são estritamente essenciais à vida.

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Quando começa a elencar todas as despesas que tem, provavelmente só se lembra daquelas que chamamos de essenciais e daquelas que são resultantes de compromissos assumidos com os bancos, seguradores ou telecomunicações. Mas há outras despesas que fazem parte da sua vida (cabeleireiros, cinema, jantar fora, DVD, uma viagem, etc). Pode não ter todos os meses este tipo de despesas, mas sempre que elas existirem tem de deixar espelhado no seu orçamento.

A este tipo de despesas mais superficiais, mas que são aqueles pequenos luxos que queremos ter (e que pode não ter mal nenhum que os tenha), devemos assumir sem complexos que existem. Ter o histórico de quanto representa este tipo de despesas pode ajudar a ter maior noção de quanto poderá conseguir poupar, mediante determinadas opções.

Cuidado com a rúbrica “outros”

Por último deixamos aqui uma chamada de atenção que passa pela rúbrica “outros” que está presente em todos os orçamentos e que pode vir a revelar-se como muito perigosa. É normal que não consiga tipificar todas as despesas que tem nas rubricas que criou para o seu orçamento e para isso utiliza a expressão “outros”. Mas se utilizamos este campo para colocar um grande número de pequenas despesas que incorremos, pode não nos dizer nada sobre a nossa vida financeira. A rúbrica “outros” não pode ser entendida como uma espécie de “varrer para debaixo do tapete”. Ela deve ser utilizada com parcimónia e não pode ter muita expressão no total das nossas despesas.

Estas são algumas dicas para conseguir ter um orçamento familiar de excelência. Quanto mais aprimorado e rigoroso for o seu orçamento, maior proveito terá no saldo final das suas contas mensais.

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