Homem atrás de mesa a fazer monte com cubos de madeira com símbolos de saúde simbolizando a ADSE Direta

Vivemos mais tempo. É uma das grandes conquistas das últimas décadas. Mas há uma pergunta mais importante do que a simples contagem dos anos: estamos também a viver melhor? Para mim, a discussão sobre longevidade só faz sentido quando inclui saúde, autonomia, liberdade de escolha e capacidade financeira para continuar a viver com dignidade.

Os dados ajudam a perceber a dimensão da mudança. A chamada silver economy, associada à população com mais de 50 anos, é apontada como responsável por 34% do PIB mundial, podendo chegar a 39% em 2050. Ao mesmo tempo, a relação entre trabalhadores e pensionistas terá passado de 4 para 2,1, a caminho de 1,7. Não estamos perante um tema distante, mas uma transformação da sociedade, da economia e das necessidades de proteção.

É também aqui que o Outubro Rosa e o Novembro Azul ganham uma dimensão maior. Estas campanhas lembram-nos da importância da literacia em saúde, do acompanhamento médico e da deteção precoce do cancro da mama e da próstata. Mas a prevenção não pode ficar concentrada em dois meses do calendário. Deve fazer parte da forma como cuidamos da vida ao longo de todo o ano.

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Prevenir não elimina a incerteza

A prevenção reduz riscos e cria melhores condições para agir, mas não oferece garantias absolutas. Mesmo com diagnóstico atempado e acesso a tratamento, uma doença grave pode alterar profundamente a rotina de uma pessoa e da sua família.

Quando pensamos em cancro, a atenção vai naturalmente para os exames, tratamentos e recuperação. Em paralelo, surgem perguntas concretas: será necessário deixar de trabalhar? Como ficará o rendimento familiar? Quem assegurará o apoio aos filhos ou familiares dependentes? Que despesas adicionais poderão surgir?

A prevenção deve ser vista como investimento e não apenas como recomendação. Estudos como os da Discovery e Vitality Group sugerem benefícios relevantes entre pessoas que investem na prevenção, incluindo uma redução da mortalidade e melhorias em indicadores como a hipertensão. Os resultados devem ser lidos no contexto de cada estudo, mas reforçam uma ideia essencial: prevenir pode gerar ganhos de saúde e também valor económico.

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Os seguros não evitam a doença, mas podem reduzir as consequências

É importante dizê-lo sem ambiguidades: os seguros não previnem um cancro e nunca substituem o acompanhamento médico. Podem, contudo, integrar um ecossistema de prevenção e proteção.

Dependendo do contrato, um seguro de saúde pode facilitar o acesso a consultas, exames, segunda opinião ou tratamentos. Um seguro de vida ou uma cobertura de doenças graves pode disponibilizar capital nas situações previstas na apólice, ajudando a proteger o rendimento e a liquidez da família.

São respostas diferentes, mas potencialmente complementares. E existem necessidades que vão além dos produtos tradicionais: cuidados de longa duração, soluções de desacumulação, utilização da casa como fonte de rendimento ou saúde sénior sem limite de idade. Uma vida mais longa exige novas respostas pensadas a partir das necessidades reais das pessoas.

Por isso, a conversa sobre seguros não deve começar e terminar no preço. Deve começar pelas necessidades: quem depende do meu rendimento? Que compromissos tenho? Que reserva financeira existe? Que riscos consigo suportar sem comprometer a estabilidade da família? Comprar uma apólice não é necessariamente o mesmo que construir uma estratégia de proteção.

A longevidade começa nas decisões de hoje

Pensemos numa pessoa com 68 anos, com mais de 20 anos de vida potencialmente pela frente, uma mãe com 93 anos num lar, um PPR de nove mil euros e uma casa que representa 80% do seu património. É uma pessoa autónoma, que se cuida, está nas redes sociais e viaja. Já não corresponde ao estereótipo do idoso de antigamente.

Este exemplo resume o desafio. Falar de longevidade apenas como preparação para a reforma é insuficiente. Uma vida mais longa traz novos projetos e mais tempo com a família, mas também maior exposição à doença, dependência e necessidade de cuidados. Uma estratégia responsável deve combinar prevenção, poupança, investimento e seguros.

Vejo os seguros como uma ponte entre a vida que temos e a vida que queremos preservar. Não garantem que tudo correrá bem. Ajudam a impedir que um acontecimento grave destrua de uma só vez aquilo que demorou anos a construir. E é aqui que o mediador tem um papel relevante: conhecer a pessoa, identificar necessidades, explicar diferenças, detetar lacunas e rever a proteção à medida que a vida evolui.

O Outubro Rosa e o Novembro Azul devem, por isso, ser oportunidades para agir: conversar com profissionais de saúde, seguir recomendações de prevenção e rastreio, rever hábitos e avaliar se a família está preparada para as consequências financeiras de uma doença grave.

A prevenção ajuda-nos a viver mais e melhor. A proteção ajuda-nos a enfrentar aquilo que não conseguimos prever. No final, a pergunta é também esta: se a vida mudar amanhã, teremos hoje condições para continuar a cuidar de nós e de quem depende de nós?

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A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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