Esta é uma época que convida a uma grande organização logística e financeira das famílias. Com isto, surge a necessidade de gerir expectativas de adultos e crianças em relação àquilo que é um Natal feliz e preenchido. Independentemente de a gestão financeira ser adequada ou não, não é pouco comum que as famílias tenham de se reorganizar de forma a garantir a aquisição de bens essenciais necessários, assim como gerir os gastos extra que o Natal traz, a quem o celebra.
Com crianças e adolescentes em casa, esta pode ser uma tarefa ainda mais árdua. Com a era digital a avançar a passos largos, os jovens estão cada vez mais expostos a brinquedos e gadgets que gostariam de ter. Longe vai a ideia de que são os adultos os únicos responsáveis por aquilo que adquirem. No fim do século passado, devido ao crescente estudo sobre o desenvolvimento da criança e o seu papel na família, os marketeers começaram a perceber que as crianças são muitas vezes a porta de entrada de determinado produto numa casa. Deixou de fazer sentido que as ações publicitárias fossem dirigidas exclusivamente a adultos, ainda mais com a crescente exposição dos mais jovens aos ecrãs.
Há alguns anos costumávamos rodear nos catálogos das grandes superfícies os brinquedos mais desejados. O que passava na televisão, também estava naquele catálogo: mas só podíamos estar expostos a esta publicidade se nos sentássemos à frente da televisão ou se abríssemos aquelas páginas. Já não é assim: à distância de um clique, temos dezenas de hipóteses de produtos a consumir. E, apesar de existir um lado positivo de ter mais oferta, há também um lado obscuro desta exposição excessiva a conteúdo publicitário. A imediatez de encontrar produtos na internet pode dar-nos a falsa sensação de que a obtenção do mesmo é simples. Bem, do ponto de vista logístico, até pode ser: dois ou três cliques e, passado uma semana, temos a encomenda à porta. Mas e quando estes cliques são na verdade, dezenas? Caminhamos cada vez mais para uma sociedade guiada pela recompensa imediata, com dificuldade em adiar a gratificação. Não só as crianças, nós também. E estas não têm ainda a capacidade que nós, adultos, temos, de filtrar informação (quando conseguimos fazê-lo!).
Crianças mais pequenas têm dificuldade em distinguir a fantasia da realidade, sendo facilmente levadas a pedir determinados brinquedos aos pais. À medida que crescem, ganham cada vez mais vontade própria e interesses específicos, mas até à adolescência, têm ainda dificuldade em interpretar corretamente mensagens dos media. Na adolescência, a vontade de adquirir os produtos que viralizam nas redes sociais já não tem apenas a ver com vontade própria, mas também com a necessidade de preencher o sentido de pertença, tão presente e fundamental durante estes anos do desenvolvimento.
Mas como navegar então estas águas turbulentas?
Alinhar expectativas e ser criativo
Com crianças mais pequenas, a criatividade é a chave! Desde fazer uma lista de brinquedos que vai ser dividida ao longo do ano e que poderão ser oferecidos noutras ocasiões (duvido que a lista se mantenha estável…); explicar que o Pai Natal tem regras em relação aos presentes que entrega (e vocês podem decidir quais são, vejam a sorte!); associar a entrega dos presentes a outra coisa divertida (o clássico tio mascarado; um concurso de quem é que abre os embrulhos mais rápido; entregar os presentes a cantar – vale tudo!).
Com crianças mais velhas e adolescentes, sejamos realistas e sinceros: não é possível obter tudo o que desejam. Pode ser uma boa época para conversar sobre gestão financeira: porque não um sistema de pontos onde o jovem pode receber quantias simbólicas como recompensa por determinados comportamentos, para conseguir depois adquirir ou contribuir para comprar aquilo que deseja? Este tipo de atividade pode fomentar o desenvolvimento de autonomia, resiliência, responsabilidade, gestão financeira, planeamento e outras competências cruciais a um desenvolvimento mais saudável.
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