A reforma é um momento de mudança na gestão das finanças pessoais. Para muitas pessoas, depois de anos de trabalho a acumular património, a nova etapa chega com o objetivo de preservar o capital e usá-lo da forma mais eficiente possível.
Nesta fase, é comum surgirem dúvidas sobre o destino das poupanças acumuladas ao longo da vida. Deve manter o dinheiro no banco? Aplicá-lo? Utilizá-lo para complementar a pensão?
A resposta, como em todos outros casos, depende da situação de cada pessoa, mas uma estratégia simples pode passar por dividir o dinheiro em diferentes objetivos, consoante o prazo em que será necessário.
Há aquele que pode ser necessário a qualquer momento, outro que servirá para despesas previsíveis nos próximos anos e o que poderá continuar investido durante mais tempo.
O fundo de emergência continua a ser importante
Se o fundo de emergência é importante durante a vida ativa, não deixa de o ser quando se chega a reforma. Aliás, num contexto em que os rendimentos tendem a cair (sobretudo se compararmos apenas o salário da vida ativa com a pensão de velhice), este instrumento torna-se ainda mais essencial.
Esta reserva pode ser particularmente importante numa fase da vida em que as despesas de saúde tendem a ganhar maior peso. Medicamentos, consultas, tratamentos, apoio domiciliário, reparações na habitação ou deslocações inesperadas são alguns exemplos de situações que podem exigir recursos financeiros de forma repentina.
Por esse motivo, a liquidez deve ser o principal critério nesta parcela das poupanças. A função desta reserva não é gerar rendimentos elevados, mas sim garantir segurança e acesso rápido ao dinheiro.
Não existe uma regra universal quanto ao montante que deve reservar para o fundo de emergência. Este depende sempre do contexto e da realidade de cada pessoa. Por exemplo, quem vive sozinho, quem tem maiores necessidades de saúde ou quem enfrenta despesas mais imprevisíveis poderá precisar de uma margem de segurança superior.
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Na reforma, não esqueça o orçamento familiar
Para muitas pessoas, a passagem à reforma implica uma redução do rendimento mensal. Ao mesmo tempo, algumas despesas podem aumentar, sobretudo as relacionadas com saúde, medicamentos, assistência ou adaptação da habitação.
Por isso, antes de decidir o que fazer às poupanças acumuladas, vale a pena analisar a nova realidade financeira. Quanto recebe mensalmente? Quais são as despesas essenciais?
Esta análise ajuda a perceber que parcela das poupanças poderá ser necessária para suportar despesas regulares nos próximos anos e qual o montante que pode permanecer investido durante mais tempo.
Além disso, nem todas as despesas são opcionais. Habitação, alimentação, energia, água e saúde continuam a representar encargos regulares que devem ser considerados no planeamento financeiro da reforma.
Ter uma visão clara dos gastos habituais permite tomar decisões mais informadas sobre o que faz com o dinheiro acumulado e reduz o risco de utilizar as poupanças demasiado depressa ou de assumir compromissos financeiros difíceis de suportar no futuro.
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Pode manter alguns investimentos
Nem todas as poupanças acumuladas durante a vida ativa precisam de ser utilizadas imediatamente após a reforma. Quando há dinheiro que provavelmente não será necessário no futuro mais próximo, pode fazer sentido mantê-lo investido.
O objetivo continua a ser proteger o património, mas também evitar que o dinheiro perca valor devido à inflação. No entanto, é importante ter em atenção o fator tempo. Investir depois da reforma não é igual a investir durante a vida ativa, uma vez que há menos tempo para recuperar de períodos de queda.
Ou seja, a reforma é uma fase em que a prudência ganha maior importância. Ainda assim, é possível procurar alguma diversificação sem comprometer a segurança financeira.
Diversificar pode ajudar a equilibrar risco e liquidez
Uma estratégia para diluir o risco é distribuir as poupanças por diferentes tipos de aplicações, de acordo com os objetivos definidos.
Parte do capital pode permanecer em produtos muito líquidos para fazer face a necessidades imediatas. Outra parte pode ficar aplicada em soluções destinadas às despesas previstas para os próximos anos. O montante que não será utilizado tão cedo pode ser investido com um horizonte temporal mais longo.
Esta diversificação permite reduzir a dependência de um único tipo de investimento e equilibrar fatores como liquidez, rentabilidade e preservação de capital. O importante é evitar concentrações excessivas num único produto ou entidade financeira.
E embora a segurança seja importante, uma exposição excessiva a investimentos com rentabilidade abaixo da inflação pode traduzir-se numa perda gradual de poder de compra.
Como acontece durante a vida ativa, os investimentos e a forma de composição da carteira devem ter sempre em conta o perfil de investidor de cada pessoa.
Quem tem uma pensão mais baixa e menos poupanças tenderá a assumir uma postura mais conservadora, com foco em liquidez, proteção do capital e produtos simples. Neste caso, depósitos mobilizãveis ou certificados de dívida pública podem ser opções a considerar.
Um perfil moderado pode combinar produtos de capital garantido com uma exposição limitada a investimentos mais arriscados. Por fim, quem tem um património elevado e dinheiro que pode manter mais tempo investido, pode aceitar maiores riscos.
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