Foram mais de dois anos em queda, mas os juros do conjunto de contratos de crédito habitação voltaram a subir em março de 2026. De acordo com a informação do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre as taxas de juro implícitas no crédito habitação, o aumento de 0,9 pontos base em relação a fevereiro foi o primeiro desde janeiro de 2024.
Em março de 2026, a taxa de juro implícita dos contratos de crédito à habitação foi de 3,088%, um valor ainda assim inferior aos 4,657% de há mais de dois anos. Se é um episódio pontual ou o início de uma tendência, só os próximos meses podem confirmar.
No entanto, esta subida coincide com o mesmo mês em que todos os prazos da Euribor viram as taxas aumentar. Embora esse aumento da Euribor ainda não se reflita nos contratos analisados pelo INE, pode ser uma pista para o que aí vem, sobretudo numa altura marcada pela subida dos preços após o início da guerra no Médio Oriente, o que pode obrigar o BCE a agir no curto prazo e a aumentar as taxas de juro (a próxima revisão está agendada para 30 de abril).
Taxa de juro dos contratos celebrados nos últimos três meses com o valor mais baixo desde 2022
Se na totalidade dos contratos se assistiu a uma subida, nos contratos celebrados nos últimos três meses o percurso foi o inverso. A taxa de juro fixou-se em 2,830% (menos 4,1 pontos base do que em fevereiro), o valor mais baixo desde dezembro de 2022.
O INE explica que esta análise trimestral inclui os contratos celebrados entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, excluindo, assim, aqueles celebrados em março.
Para o destino de financiamento Aquisição de Habitação, o mais relevante no conjunto do crédito à habitação, o comportamento foi semelhante ao de todo o crédito habitação. Ou seja, a taxa de juro subiu no total dos contratos (de 3,077% para 3,086%) e desceu naqueles celebrados nos últimos três meses (de 2,730% para 2,691%).
Prestação média subiu ligeiramente no último ano
O valor médio da prestação da totalidade dos contratos foi de 402 euros, um aumento de cinco euros em relação a fevereiro e de quatro euros relativamente a março de 2025. O valor da prestação divide-se entre 196 euros de juros e 206 euros de amortização de capital.
“Nos contratos celebrados nos últimos 3 meses, o valor médio da prestação aumentou 5 euros, fixando-se em 700 euros (subida de 15,9% face ao mesmo mês do ano anterior)”, aponta o INE.
Já o capital médio em dívida para a totalidade dos contratos subiu 584 euros comparativamente ao mês anterior, fixando-se em 77.078 euros. Para os contratos celebrados nos últimos três meses, o montante médio em dívida foi 175.838 euros, mais 3.976 euros que em fevereiro.
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