Imagem de vários cartões de crédito

Ter vários créditos ao mesmo tempo não significa, por si só, que esteja numa situação de sobreendividamento. Há muitas famílias com crédito habitação, crédito automóvel e cartões de crédito, por exemplo, sem dificuldades em gerir os pagamentos mensais. Ainda assim, quando o peso das prestações começa a pressionar o orçamento familiar, isso pode ser sinal de que os encargos financeiros já são demasiado elevados para o rendimento disponível.

Mas como perceber se já ultrapassou o limite? E o que fazer se for esse o caso? Neste artigo explicamos quais os principais sinais de alerta, como consultar os créditos registados em seu nome e que estratégias podem ajudá-lo a reorganizar as suas finanças pessoais.

Existe um limite para o número de créditos?

Em Portugal, não existe um número máximo de créditos por pessoa definido por lei. Isto significa que pode ter mais do que um crédito pessoal ou um crédito habitação, cartões de crédito e crédito automóvel, em simultâneo, por exemplo.

Não havendo esta limitação, a aprovação de um financiamento não dependerá, à partida, do número de créditos detidos pelo mutuário. O fator decisivo para a concessão de empréstimo passará sobretudo pela sua capacidade de cumprir o contrato e pagar as prestações dentro do prazo acordado. É, precisamente, para aferir a solvabilidade dos clientes que os bancos analisam critérios como:

  • Os rendimentos e encargos mensais;
  • O tipo de vínculo profissional;
  • A taxa de esforço;
  • Outros créditos já existentes;
  • Registos no Banco de Portugal.

Através destas informações, os bancos ficam a conhecer a situação financeira do cliente, avaliando, assim, o seu nível de risco.

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Sabe quantos créditos tem?

Muitas pessoas não têm uma noção exata do número de créditos que têm em seu nome. É precisamente para saber quantos contratos tem a decorrer e em que situação se encontram que existe o mapa de responsabilidades de crédito do Banco de Portugal. Este documento, que pode ser consultado gratuitamente online, reúne a informação comunicada pelas instituições financeiras sobre os créditos de cada mutuário, incluindo aqueles em que é fiador.

Neste mapa podem constar:

  • Créditos habitação;
  • Créditos pessoais;
  • Créditos automóvel;
  • Cartões de crédito;
  • Linhas de crédito;
  • Descobertos bancários;
  • Garantias prestadas;
  • Situações de incumprimento.

Além dos montantes em dívida, o documento identifica a situação de cada crédito, incluindo eventuais atrasos ou prestações vencidas.

Como consultar o mapa de responsabilidades de crédito do Banco de Portugal?

A consulta pode ser feita online através da Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal.

Para aceder, deve:

  • Entrar no portal do Banco de Portugal;
  • Clicar na área para particulares;
  • Selecionar “Central de Responsabilidades de Crédito”;
  • Autenticar-se com as credenciais de acesso ao Portal das Finanças ou cartão de cidadão (leitor de cartões);
  • Clicar em “Obter mapa”.

Leia ainda: Como saber se as minhas dívidas de crédito estão liquidadas?

Como saber se tem créditos a mais

Se tem mais do que um crédito, é importante que perceba até onde vai a sua capacidade financeira para suportar esses encargos sem que o endividamento se torne excessivo. Para isso, é fundamental que conheça a sua taxa de esforço, ou seja, a fatia do seu rendimento mensal que é usada para pagar créditos. Além disso, há que ter em atenção sinais que indicam que pode, efetivamente, ter créditos a mais.

A taxa de esforço é elevada

A taxa de esforço é um dos principais indicadores para avaliar a saúde financeira de um determinado agregado familiar, sendo também decisiva para a concessão de crédito. Este indicador representa a percentagem do rendimento mensal destinada ao pagamento das prestações de créditos.

De um modo geral, uma taxa de esforço equilibrada situa-se entre os 30% e os 35%. Valores acima desta percentagem podem indiciar situações de endividamento excessivo. Veja o exemplo:

Rendimento líquido mensal

Prestações de crédito

Taxa de esforço

Situação financeira

2.000€

600€

30%

Saudável

2.000€

1.200€

60%

Preocupante

No segundo caso, mais de metade do rendimento mensal desta família é canalizada para o pagamento de créditos. Isso reduz significativamente a sua margem financeira para pagar outras despesas, garantir a poupança ou fazer face a imprevistos.

Usa crédito para pagar despesas correntes

Um sinal de que pode ter créditos a mais é recorrer ao cartão de crédito ou a outro tipo de financiamentos para suportar despesas do dia a dia, como a fatura do supermercado ou do combustível ou as contas da casa.

Quando o crédito deixa de ser utilizado pontualmente e passa a servir para equilibrar o orçamento mensal, isso pode indicar que os encargos já são demasiado elevados para o rendimento disponível.

Vive com pouca margem financeira

Se, depois de pagar as prestações e algumas despesas fixas, pouco sobra do salário, deve pensar em reavaliar a sua situação financeira.

Mesmo quem tem um rendimento estável pode ficar vulnerável perante um imprevisto – como desemprego, doença ou, até, o aumento das taxas de juro – quando vive com pouca margem financeira. É, precisamente, para acautelar estas situações que é tão importante garantir que tem algumas poupanças num fundo de emergência.

Tem prestações em atraso

Atrasos no pagamento das prestações, o saldo da conta à ordem sistematicamente no limite ou pagamentos mínimos do cartão de crédito são sinais de que pode ter créditos a mais. Nestes casos, é fundamental agir atempadamente para evitar o agravamento do endividamento.

Perante situações de não pagamento atempado das prestações ou de risco de incumprimento, os bancos devem acionar mecanismos que permitem aos clientes renegociar os empréstimos e/ou regularizar os pagamentos. Trata-se do PARI (Plano de Ação para o Risco de Incumprimento) e do PERSI (Procedimento Extrajudicial de Regularização de Situações de Incumprimento).

Leia ainda: Guia para dominar os cartões de crédito sem cair em dívidas

O que fazer se tiver créditos a mais?

Identificar cedo o aumento do endividamento pode ajudar a evitar problemas financeiros mais graves. Em caso de dificuldade, ser proativo pode fazer a diferença. Veja o que fazer se o peso das prestações dos seus empréstimos se tornar excessivo.

Faça um levantamento de todos os créditos e encargos associados

O primeiro passo é perceber exatamente quanto paga todos os meses, não só em prestações, mas também ao nível de seguros, comissões e outras despesas associadas aos empréstimos. Para isso, consulte os contratos com as condições dos créditos. O mapa de responsabilidades do Banco de Portugal também pode ajudar nesta análise.

Reveja créditos com juros mais elevados

Cartões de crédito e alguns créditos pessoais costumam ter taxas de juro superiores aos do crédito habitação ou automóvel, por exemplo. Amortizar parcial ou totalmente estes financiamentos, em primeiro lugar, pode aliviar o orçamento familiar.

Vejamos um exemplo:

Financiamento

TAEG

Montante em dívida

Crédito habitação

3,2%

145.000€

Crédito pessoal

12%

3.200€

Cartão de crédito

19%

600€

Por onde começar a amortizar? Embora a dívida do crédito habitação seja substancialmente superior às restantes, amortizar o(s) crédito(s) com a TAEG mais elevada diminuirá o montante total de juros a pagar. Neste caso, a prioridade seria pagar a dívida do cartão de crédito, pois tem uma TAEG bastante elevada, de19%.

Se a amortização não for uma possibilidade, tentar renegociar as condições dos contratos pode ajudar a obter alguma poupança.

Crédito consolidado: Pondere esta solução

Em alguns casos, optar pela consolidação de créditos, isto é, juntar vários empréstimos num só pode trazer algum equilíbrio ao seu orçamento, já que permite:

  • Reduzir a prestação mensal;
  • Obter taxas de juro mais baixas
  • Simplificar pagamentos – passa a ter um só credor em vez de vários.

Contudo, se optar por esta solução, deve avaliar bem o custo total do financiamento. Normalmente, a consolidação implica o aumento do prazo de liquidação, o que significa pagar mais juros no final.

Não contrate créditos para pagar outros créditos

Quando o orçamento já está pressionado, recorrer a novos financiamentos para liquidar prestações vencidas pode agravar o problema.

Antes de assumir novos encargos, é importante perceber a origem das dificuldades financeiras. Nalguns casos, pode tratar-se apenas de uma quebra temporária de rendimento ou de uma despesa inesperada. Noutros, o desequilíbrio pode ser estrutural e, se assim for, a solução pode não se limitar a reduzir os encargos com os créditos. Poder ser também necessário reorganizar o orçamento familiar, cortar despesas não essenciais e procurar formas de aumentar o rendimento disponível.

Leia também: 7 sinais de sobreendividamento e quando pedir ajuda

Perguntas frequentes

Em Portugal não existe um limite legal para o número de créditos que uma pessoa pode ter. No entanto, os bancos avaliam a capacidade financeira do cliente antes de aprovarem novos financiamentos.

Uma taxa de esforço elevada, dificuldade em poupar, atrasos nas prestações ou recorrer ao crédito para pagar despesas correntes são alguns dos principais sinais de alerta.

De modo geral, considera-se que uma taxa de esforço até 30% ou 35% do rendimento mensal líquido é equilibrada. Acima desse valor, o risco de dificuldades financeiras tende a aumentar.

Pode consultar gratuitamente o mapa de responsabilidades de crédito através do portal da Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal. Este documento reúne todos os créditos em seu nome comunicados pelas respetivas instituições financeiras.

A consolidação de crédito consiste em juntar vários empréstimos num só. Esta solução pode ajudar a reduzir a prestação mensal, a obter uma taxa de juro mais baixa e a simplificar pagamentos. Ainda assim, deve avaliar o custo total do financiamento, já que o aumento do prazo pode significar pagar mais juros no final.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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