Imagem de uma mulher feliz

Além do ranking muito apetecível para comparações fáceis e imediatas entre os países, o Relatório Mundial da Felicidade, gerado pelo Centro de Pesquisa do Bem-estar, da Universidade de Oxford, evidencia também um conjunto de tendências a nível global no que toca à felicidade das pessoas.

A Europa converge para a felicidade

Já vimos que os países escandinavos estão em alta, ocupando vários postos cimeiros, mas os investigadores salientam que, quando se comparam os períodos de 2006-2010 e de 2023-2025, há mais países com ganhos significativos (79 países) do que com perdas significativas (41 países). Ou seja, nesta amostra de 136 países, o mundo, se visto como um todo, tornou-se um pouco mais feliz. É isso, convenhamos, é uma perspetiva que nos dá algum alento.

Nestes quase 20 anos, a maior parte dos 21 países que subiu um ponto ou mais na escala de avaliação da vida situa-se na Europa Central e Europa de Leste. Confirma-se assim a tendência de uma convergência dos níveis de felicidade europeus, que os investigadores dizem ser bastante clara desde há mais de uma década. Na face inversa, e sem grandes surpresas, a maior parte dos oito países que registaram perdas superiores a um ponto situa-se em zonas que têm sido palco de graves conflitos.

Há jovens menos felizes, pela América do Norte e Oceânia

Uma das métricas mais interessantes utilizadas pelos investigadores passa pelas emoções negativas e positivas das pessoas. A formulação da pergunta feita aos participantes do estudo, aparentemente, não podia ser mais simples: «Sentiu as seguintes emoções durante grande parte do dia de ontem?» A resposta é dada com um “sim” ou um “não”. Para as emoções negativas, são avaliadas a “preocupação”, a “tristeza” e a “raiva”. Quanto às emoções positivas, a pergunta tenta averiguar se existiu “riso” ou “prazer”, bem como se houve “interesse” nalguma coisa, ou seja, se a pessoa fez algo de interessante no dia anterior.

Neste vaivém das emoções, regista-se a descida generalizada da maior parte dos países industrializados ocidentais, com 15 destas nações a verificarem quedas bastante significativas. E, feito o ranking de mudanças nos níveis de felicidade de pessoas com menos de 25 anos, países como os Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia aparecem no fundo da tabela, ocupando postos entre o 122.º e o 133.º, numa lista que contempla 136 países. Nesses quatro países, e em comparação com os resultados de outras regiões, verificou-se um aumento superior da emoção negativa da “tristeza” entre o grupo específico dos jovens.

E Portugal? 28,6% de emoções negativas em 2025, contra 62,1% de emoções positivas. Os vizinhos do lado? Não muito melhor: 66,1% de emoções positivas para os espanhóis e 29% de emoções negativas. Este índice emocional, aliás, coloca nos primeiros lugares países que talvez julgássemos improváveis: Guatemala (84,7% de sensações positivas com o dia anterior), Paraguai, Senegal, Indonésia, Costa Rica, Equador. Só depois aparece a Islândia, antes do Panamá, do México e de El Salvador que fecha os dez mais. E quanto às emoções negativas? O Vietname lidera o lado bom da escala (só 8,6% de pessoas que responderam terem sentido emoções negativas no dia anterior), seguido do Cazaquistão, Taiwan, Polónia e Japão. Na outra face da moeda, encontramos o Chade (50,9% de emoções negativas), o Congo, o Iraque, a Libéria. O resultado da Ucrânia, como seria de esperar, também é revelador da guerra que assola o país, com 39,8% de emoções negativas. E, ainda assim, não deixa de ser um resultado espantoso.

Relatório Felicidade - Portugal

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O quê? Os índices de raiva baixaram?

A nível global, o nível de “preocupação” subiu com especial incidência nos jovens. Mas, ao contrário do que se poderia supor com base no alinhamento dos telejornais ou nas polémicas recorrentes nas redes sociais, a frequência de sentimentos de “raiva” baixou em todo o lado, tanto entre os mais novos, como entre os mais velhos. Resumindo, estamos a viver num mundo mais preocupado, menos raivoso e, em certas partes do globo, mais triste.

Ainda assim, as emoções positivas continuam a ser duas vezes mais frequentes do que as emoções negativas. E isso talvez seja uma boia de salvação a que nos podemos agarrar, sempre que acharmos que o destino do planeta já está traçado. Tanto mais que, novamente ao contrário do que seria de imaginar, estas emoções positivas até atingiram um valor mais elevado nos mais novos do que nos pais e avós deles.

Ou seja, apesar de tudo, os jovens ainda têm alguma confiança no futuro. Não será isso uma boa razão para todos termos esperança num mundo melhor?

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