Encontrar produtos para investir pode não ser uma tarefa fácil ou, pelo menos, não tão imediata como se poderia desejar. Ao olhar para alguns dos mais populares, qual é o melhor? Depósitos, PPR ou certificados?

A resposta vai sempre depender dos objetivos e perfil de cada pessoa. Os fundos PPR oferecem rentabilidades potencialmente melhores, mas têm também um maior risco. Por outro lado, os depósitos ou certificados são mais seguros, mas com rendimentos mais fracos.

Perceber como funcionam ajuda a escolher a opção mais adequada aos seus objetivos e ao prazo em que precisa do dinheiro.

Depósitos

Os depósitos são produtos disponibilizados pelos bancos e dividem-se em duas categorias: depósitos a prazo e depósitos estruturados. Ambos implicam a aplicação de capital por um determinado período, mas funcionam de forma diferente.

Depósitos a prazo

Os depósitos a prazo são uma das formas mais simples e conhecidas de poupar dinheiro. Consistem em aplicar um montante por um período definido, com uma taxa de juro previamente conhecida.

A principal vantagem é a previsibilidade. Sabe à partida quanto vai receber no final, o que facilita o planeamento financeiro. O capital está protegido até 100.000 euros por pessoa e por banco, através do Fundo de Garantia de Depósitos.

Pode encontrar no mercado depósitos com diferentes prazos. Alguns duram apenas três meses, mas outros podem ir até aos três anos. A melhor opção vai sempre depender dos objetivos e daquele que prevê que seja o momento em que vai precisar do dinheiro.

É que embora muitos depósitos permitam pedir o dinheiro antes do final do prazo (mobilização antecipada), é frequente incluirem penalização quando isso acontece, como a perda total ou parcial de juros, por exemplo.

Em relação à rentabilidade, tende a ser baixa quando comparada com outros produtos, o que pode limitar a capacidade de compensar a inflação. Ainda assim, em momentos de subida dos juros, os depósitos tornam-se mais atrativos.

Nos últimos anos, a taxa de juro média mais alta dos depósitos até um ano foi registada em dezembro de 2023, com um valor de 3,1%, de acordo com o Banco de Portugal.

Depósitos estruturados

Os depósitos estruturados funcionam de forma diferente. Embora também tenham capital garantido, a rentabilidade está associada ao desempenho de um ativo ou de um conjunto de ativos, como ações, índices bolsistas ou matérias-primas.

Têm um rendimento mínimo garantido que pode ser inferior ao dos depósitos a prazo, mas a grande diferença está na componente variável. O banco pode decidir que essa remuneração está dependente do desempenho das ações de um conjunto de empresas. Se no final do prazo, todas elas tiverem subido, aplica-se esta componente variável.

Por exemplo, um depósito estruturado pode ter um rendimento mínimo de 1%, mas se os objetivos forem atingidos, o juro a aplicar passa a ser de 9%.

Normalmente, estes produtos têm menor liquidez, uma vez que, regra geral, não permitem mobilizações antecipadas.

Os depósitos estruturados podem ser soluções interessantes para quem procura uma alternativa aos depósitos tradicionais, mas não quer arriscar demasiado.

PPR

Os Planos Poupança Reforma (PPR) são produtos pensados para o longo prazo, sobretudo para complementar a reforma. Podem assumir duas formas principais: seguros PPR e fundos PPR.

Seguros PPR

Os seguros PPR funcionam de forma semelhante a um depósito a prazo, mas com horizonte mais longo. São contratados junto de seguradoras, o capital investido está garantido e existe uma taxa de juro definida ou ajustada periodicamente.

A principal vantagem é a segurança. Não há risco de perda de capital, o que os torna adequados para perfis conservadores. Além disso, permitem beneficiar de dedução no IRS, dentro de certos limites.

No entanto, a liquidez é reduzida fora das condições previstas na lei. Para que não se perca, esclarecemos quais os momentos em que pode levantar o PPR sem sofrer penalizações.

Sem qualquer prazo mínimo após o respetivo investimento, pode pedir o reembolso antecipado em caso de:

  • Desemprego de longa duração;
  • Doença grave;
  • Incapacidade permanente para o trabalho;
  • Morte.

Noutras situações, só pode resgatar o PPR cinco anos após as entregas:

  • Reforma por velhice;
  • A partir dos 60 anos de idade;
  • Pagar prestações do crédito habitação.

Qualquer levantamento que não se enquadre nestes casos é considerado como sendo feito foras das condições e leva penalizações:

  • Devolução dos benefícios fiscais de que tenha usufruído;
  • Tributação entre 8,6% e 21,5%, em vez de 8%.

Em relação à rentabilidade tende a ser limitada e menos atrativa do que nos fundos PPR, refletindo o baixo risco do produto.

Fundos PPR

Os fundos PPR investem em ativos financeiros, como ações, obrigações ou matérias-primas. Por isso, não garantem o capital, mas têm potencial para oferecer maior rentabilidade ao longo do tempo.

O desempenho depende dos mercados. Em períodos favoráveis, os retornos podem ser superiores aos de outros produtos de poupança. No entanto, também pode haver perdas, sobretudo no curto prazo.

Tal como os seguros PPR, beneficiam de vantagens fiscais no IRS e os critérios de reembolso são os mesmos. A lógica de investimento também é de longo prazo, sendo menos adequados para quem precisa de liquidez no curto prazo.

São indicados para perfis moderados ou dinâmicos, que aceitam oscilações em troca de maior potencial de crescimento.

Leia ainda: Que tipos de PPR existem e como posso distingui-los?

Certificados

Os certificados são instrumentos de dívida pública, emitidos pelo Estado português e geridos pelo IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública). Dividem-se em duas categorias: certificados de aforro e certificados do Tesouro.

Certificados de aforro

Os certificados de aforro são uma solução de poupança simples e acessível. Além de terem capital garantido, beneficiam da capitalização de juros. Ou seja, de cada vez que os juros são calculados, o valor é englobado ao restante e volta a somar juros.

No fundo, apenas a primeira contabilização de juros após a subsrição é feita com base no valor investido. A partir daí, a referência passa a ser o valor acumulado.

Exemplo de capitalização para um investimento de 10.000 euros e taxa de juro de 2%

Primeiro cálculo de juros: 10.000€ + 2% = 10.200€
Segundo cálculo de juros: 10.200€ + 2% = 10.404€

Os juros são calculados trimestralmente, mas não têm um valor fixo, uma vez que são determinados pela média da Euribor a três meses. No entanto, há um limite de 2,5%. A isto acresce um prémio de permanência, que é de 0,25% e evolui até 1,75% nos últimos dois anos. Assim, a taxa máxima pode chegar a 4,25% (2,5% base + 1,75% prémio).

Não é preciso muito dinheiro para começar a investir em certificados de aforro: o investimento inicial mínimo é de 100 euros e os reforços começam nos 10 euros. No total, pode ter até 250 mil euros em certificados de aforro da série F, a única atualmente disponível.

Uma das vantagens dos certificados de aforro é a elevada liquidez, ou seja, a facilidade de levantar o dinheiro. É que embora estejam pensados para serem um investimento de longo prazo (o limite máximo para os manter é de 15 anos), pode pedir uma parte ou a totalidade do dinheiro logo a partir dos três meses sem pagar qualquer penalização.

A segurança é elevada, já que são garantidos pelo Estado, e são uma opção equilibrada para quem procura segurança, alguma rentabilidade e flexibilidade.

Certificados do Tesouro

Os certificados do Tesouro funcionam de forma ligeiramente diferente dos certificados de aforro. Começamos pelo investimento mínimo, que está fixado nos mil euros, podendo cada investidor manter até um milhão de euros neste produto.

O prazo de manutenção máximo é de sete anos, e o cálculo dos juros é feito anualmente (sem capitalização) de acordo com taxas previamente definidas:

  • 0,7% nos dois primeiros anos;
  • 0,8% no terceiro ano;
  • 0,9% no quarto ano;
  • 1% no quinto ano;
  • 1,3% no sexto ano;
  • 1,6% no sétimo ano.

O prémio de permanência aplica-se a partir do terceiro ano e corresponde a 20% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nos quatro trimestres antes da data de pagamento dos juros. Em todo o caso, não pode ser superior a 1,5%. Ou seja, no máximo, os certificados do Tesouro podem render 3,1% (1,6% do último ano + 1,5% do prémio de permanência).

Pode fazer resgates antecipados totais ou parciais a partir do primeiro ano sem penalização.

Leia ainda: Certificados de Aforro e do Tesouro: Quais as diferenças?

Perguntas frequentes

O depósito a prazo tem rentabilidade fixa e previsível. O estruturado depende do mercado, podendo oferecer ganhos superiores ou, pelo contrário, inferiores aos dos depósitos a prazo.

Os depósitos a prazo estão protegidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos até 100.000 euros por depositante e por banco. Esta proteção aplica-se em situações como insolvência da instituição, mas apenas até ao limite legal e por banco.

Normalmente, garantem o capital investido, mas a rentabilidade não é assegurada. É importante confirmar sempre as condições do produto.

Ainda assim, tal como os depósitos a prazo tradicionais, estão protegidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos até 100.000 euros por depositante e por banco. Esta proteção aplica-se em situações como insolvência da instituição, mas apenas até ao limite legal e por banco.

O PPR é produto financeiro de poupança a médio e longo prazo, criado para acumular capital que será utilizado na reforma, mas também pode ser resgatado noutras situações.

Pode assumir a forma de fundo de investimento ou de seguro, permitindo ao titular fazer entregas periódicas ou únicas.

É permitido resgatar o PPR antes da reforma, mas pode não beneficiar da tributação de apenas 8% sobre as mais-valias.

De forma simples, as situações em que beneficiar da taxa mais baixa são as seguintes:

  1. Sem qualquer prazo mínimo após as entregas nos casos de:

  • Desemprego de longa duração;

  • Doença grave;

  • Incapacidade permanente para o trabalho;

  • Morte.

  1. Cinco anos após a respetiva entrega nos casos de:

  • Reforma por velhice

  • A partir dos 60 anos de idade

  • Pagar prestações do crédito habitação

Ainda assim, pode pedir o reembolso da totalidade do dinheiro cinco anos após a primeiro entrega se tiver aplicado 35% do dinheiro na primeira metade do prazo do contrato.

Nos restantes casos não previstos nas condições legais, a tributação varia entre 8,6% e 21,5%.

O valor mínimo para a subscrição inicial é de 100 euros. Os reforços podem ter um valor mínimo de 10 euros.

Durante 15 anos.

Neste momento só é possível subscrever a série F dos Certificados de Aforro. E a taxa a aplicar é uma média da taxa Euribor a três meses, cujo valor é publicado pelo IGCP. Independentemente do comportamento da Euribor, a taxa a aplicar nos Certificados de Aforro não pode ser inferior a 0% nem superior a 2,5%.

Além da taxa base, os aforradores beneficiam ainda de prémios de permanência (ver resposta abaixo).

O valor mínimo para a subscrição inicial é de mil euros.

Durante sete anos.

Os Certificados do Tesouro têm taxa anual fixa, com os seguintes valores:

  • 0,7% nos dois primeiros anos;
  • 0,8% no terceiro ano;
  • 0,9% no quarto ano;
  • 1% no quinto ano;
  • 1,3% no sexto ano;
  • 1,6% no sétimo ano.

A partir do terceiro ano soma-se um prémio de remuneração que pode ser, no máximo, 1,5%.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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