Imagem onde uma figura suspeira segura uma nota de dez euros

Que esperar de uma série documental sobre o tema da economia mundial protagonizada por um antigo ator de comédias independentes? Talvez um mergulho refrescante num tema nem sempre fácil de esmiuçar para o público geral. O ator e autor Kal Penn, muito conhecido por fazer parte da dupla cinematográfica Harold & Kumar, também acabou por trabalhar com o presidente Barack Obama quando integrou o departamento de Relações Públicas da Casa Branca. Não será, portanto, um ignorante nas matérias a abordar, mas isso não o impede de colocar as perguntas que um leigo gostaria de fazer. Algumas dessas questões até podem tornar-se um título de episódio. Como este: “As pessoas ricas são cretinas ou os cretinos é que ficam ricos?”

A tentativa de encontrar a eventual correlação entre riqueza e idiotice passa, em grande parte, por averiguar se as pessoas que têm muito dinheiro não revelam grandes problemas em espezinhar seja quem for para conseguirem ganhar mais dinheiro. Nesta busca por um padrão na personalidade dos ricos, Kal Penn encontra-se com Justin Ross Lee, cujo negócio é vender artigos de luxo a pessoas que gostam de se pavonear. Os clientes de Ross Lee são pretensiosos e irritantes; gente que não se importa de ser detestada. E também são pessoas que não se importaram com terem de pisar os calos dos concorrentes como forma de alcançar o sucesso. Vencer no mundo dos negócios, às vezes, pode significar que alguém vai perder. A Uber já sabia que ia irritar muitíssimo os taxistas. Mas isso não a impediu de avançar.

Apostar na crueldade dos psicopatas

Segundo Justin Ross Lee, o caminho para o sucesso está pejado de cadáveres da concorrência. Mas, se esta falta de empatia atingir extremos, a palavra mais adequada deixará de ser “cretino”, “parvalhão” ou “idiota”, para passar a ser “psicopata”. Altura, então, para Kal Penn averiguar se os ricos também têm alguns traços de psicopata. Vale mesmo tudo na sede de atingir a fama, o sucesso, de ganhar mais e mais dinheiro? Para alguns, certamente. Basta relembrar os casos de burlões sem escrúpulos, capazes de criar esquemas de pirâmide para ficarem com o pouco dinheiro das pessoas mais pobres. Ou dos desportistas que fazem batota, recorrendo ao doping, na ânsia de ganhar. 

Especificamente no mundo dos negócios, alguns empresários veem-se como predadores. No seu desejo de chegar ao topo, desenvolvem certos traços de crueldade que lhes permitem, sem grandes problemas de consciência, explorar as fraquezas dos outros. Ainda para mais quando, em geografias como a dos Estados Unidos da América, os conselhos de administração das empresas até adoram pessoas com este tipo de personalidade implacável, atribuindo-lhes cargos de direção.

Giant Beast Economy

Leia ainda: O jogo do dinheiro: Querem mesmo entrar? (vol. I)

Os oásis no meio do deserto

Segundo outro entrevistado, é possível aprender a ter um coração frio. E a desenvolver a astúcia necessária para, sempre que necessário, pregar uma rasteira ao adversário. Todo o episódio, aliás, parece indiciar que é preciso dispor de alguma dose de cretinice para se obter êxito nos negócios e, consequentemente, ficar rico. Mas será inevitavelmente assim, questiona-se? Não dependerá o sucesso sobretudo de uma grande dose de autoconfiança?

Para o final, talvez como sinal de esperança, Kal Penn visita uma empresa que parece dar-se bem com o sucesso, sem que para tal tenha de recorrer a idiotices. Nesta enorme besta que é a economia mundial, também se encontram patrões e diretores dispostos a tratar os seus trabalhadores de forma justa. É gente que não associa o sucesso a um mau ambiente de trabalho. Gente que tem uma confiança tão grande nas suas capacidades que não precisa de tornar-se um parvalhão para atingir o patamar da riqueza.

Leia ainda: O jogo do dinheiro: Querem mesmo entrar? (vol. II)

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

Cultura e LazerVida e família
Preferências de cookies
Preferências de cookies

Usamos cookies para lhe proporcionar a melhor experiência possível enquanto utilizador do portal Doutor Finanças e personalizar conteúdos e anúncios. Saiba mais sobre as funcionalidades dos cookies aqui.
Respeitamos a sua privacidade e estamos comprometidos com a transparência no uso de cookies no nosso website. Não recolhemos, processamos ou armazenamos quaisquer dados pessoais através de cookies durante a navegação normal no nosso website.
Os cookies utilizados no nosso website são limitados a cookies essenciais e funcionais que melhoram o desempenho do site e a experiência do utilizador. Estes cookies não contêm informações pessoalmente identificáveis e não rastreiam a sua atividade fora do nosso site. Conheça a nossa Política de Privacidade
O business.safety.google usa cookies da Google para oferecer os respetivos serviços, melhorar a qualidade destes e analisar o tráfego. Saiba mais.

Sempre ativos