Na Dica do Doutor desta semana falamos de finanças para os mais pequenos. Ensinar as crianças a ter e a gerir um orçamento é fundamental para o seu futuro enquanto adultos. Assim apresentamos-lhe a regra 50-40-10.

As crianças são o futuro e serão a próxima geração que irá lidar com a economia, o emprego, os créditos e as dívidas. É assim muito importante que desde cedo as suas crianças entendam a importância de ter um orçamento e saber poupar. Não podemos viver sem dinheiro e a poupança é uma ferramenta essencial para uma boa saúde financeira. Contudo, nem sempre como adultos conseguimos fazer a melhor gestão, o que se torna difícil explicar aos mais novos como cumprir os compromissos financeiros. Assim, ensinar as crianças a poupar, a ter um mealheiro e a gerir a sua semanada ou mesada podem ser ensinamentos que permitirão ter uma boa relação financeira no futuro.

A Dica do Doutor de hoje passa por sugerir a regra 50-40-10.

Trata-se de uma dica simples, que divide o orçamento familiar em 3 grandes fatias. É uma prática que pode ser fácil para uma criança seguir assim que começar a receber a sua mesada. Esta dica prevê que 50% das receitas sejam usadas para investir; 40% para gastar em entretenimento e lazer; e 10% para doar em causas em que se acredita. Esta regra está bem ilustrada no exemplo da Time Growing.

Se der 1€ ao seu filho, pode utilizá-lo desta maneira:

  • 0,50€ servem para o mealheiro dos ativos, um valor disponível para despesas essenciais.
  • 0,40€ servem para o mealheiro dos passivos, um valor que pode ser utilizado para lazer, como cromos, plasticina e outras diversões.
  • 0,10€ servem para o mealheiro da ajuda, um valor que é doado a causas e instituições de ajuda à sociedade.

É uma regra simples e fácil de seguir e pode ser o começo da educação financeira das crianças. Desta forma, o seu filho ou filha não irá ter a ideia de gastar um euro inteiro. Terá a percepção de que esse dinheiro pode ser rentabilizado em várias frentes. Além disso, irá também perceber que existem várias fontes de despesas e que uma boa maneira de as gerir é ter mais fontes de receitas.

Uma regra que os adultos também podem aplicar

Para os adultos, esta poderá também ser uma boa regra a seguir para equilibrar as suas poupanças. Contudo, uma vez que os encargos financeiros na vida adulta são maiores, poderá utilizar a regra com a proporção 50-15-35:

  • 50% para as despesas essenciais.
  • 15% para poupanças e fundo de emergência.
  • 35% para atividades extra e de lazer.

Exemplo: para um salário de 900€, consideramos 450€ para despesas essenciais, 135€ para poupança e 315€ para atividades extra.

Se a sua taxa de esforço – o total de compromissos a cumprir a dividir pelo rendimento do agregado familiar – for superior a 50%, é caso para rever o seu orçamento familiar e perceber como poderá diminuir os seus encargos financeiros.

Ao diminuir as suas despesas, poderá aumentar a sua fatia de poupança e eventualmente viver de uma forma mais tranquila. A diminuição das suas despesas poderá passar por consolidar créditos que tenha, melhorar a sua prestação de crédito habitação ou reavaliar os prémios dos seguros que tem atualmente.

A educação financeira é uma ferramenta essencial que idealmente deveria fazer parte da vida das crianças desde sempre. Afinal, pequenos gestos na infância podem ajudar os futuros adultos a tornarem-se mais responsáveis e financeiramente autónomos, cultivando uma vida financeira saudável livre de dívidas.

Se esta a pensar como ensinar os seus filhos a gerir a sua mesada, poderá também consultar o artigo “Mesada para crianças – um guia prático”. Eduque financeiramente o seu filho desde cedo, ajudando a torná-lo um adulto que saiba gerir e utilizar o dinheiro.