No universo dos seguros, é comum muitas empresas assumirem que estão devidamente protegidas apenas por terem uma apólice em vigor. Porém, há um risco muitas vezes desvalorizado que pode pôr em causa a capacidade de recuperação financeira depois de um sinistro: o infra-seguro.
O que é o infra-seguro?
O infra-seguro verifica-se quando o capital seguro definido na apólice é mais baixo do que o valor real do bem ou do risco que se pretende proteger. Quando isso acontece, a seguradora pode aplicar a chamada regra proporcional, ajustando o valor da indemnização à mesma proporção em que o bem se encontra subavaliado.
Dito de forma simples, ter um seguro contratado não significa, por si só, estar protegido na totalidade.
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Um exemplo prático
Pense numa empresa cujas instalações têm um custo de reconstrução estimado em 500.000 euros. No entanto, a apólice foi subscrita apenas com um capital seguro de 250.000 euros. Caso ocorra um incêndio que cause prejuízos de 100.000 euros, a seguradora poderá pagar apenas 50.000 euros, uma vez que só metade do valor real estava protegido.
Nesta situação, caberá à empresa assegurar os restantes 50.000 euros com meios próprios.
Como é que acontecem estas situações?
Entre os motivos mais frequentes para a existência de infra-seguro estão:
- Ausência de revisão regular dos capitais seguros;
- Evolução ou crescimento da empresa sem atualização das coberturas;
- Subida dos custos de construção, equipamentos ou mercadorias;
- Avaliações desajustadas ou incompletas dos ativos;
- Redução intencional do capital seguro para baixar o valor do prémio.
Embora possa parecer uma forma de reduzir custos no prémio anual, esta opção pode traduzir-se em perdas muito superiores quando ocorre um sinistro.
Não espere pelo imprevisto.
O impacto nas empresas do infra-seguro
No contexto empresarial, o infra-seguro pode provocar consequências como:
- Insuficiência de liquidez para repor instalações ou equipamentos;
- Paragem da atividade durante um período prolongado;
- Quebra de clientes e de volume de negócio;
- Recurso a financiamento externo para suportar a recuperação;
- Risco acrescido para a continuidade da empresa.
Num contexto em que as empresas estão expostas a riscos cada vez mais exigentes, desde eventos climáticos extremos a ameaças cibernéticas, assegurar capitais adequados é tão relevante como escolher as coberturas certas.
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Como evitar o infra-seguro?
Evitar o infra-seguro exige uma gestão contínua e atenta da apólice. Há quatro passos fundamentais para garantirmos que não corremos este risco de estarmos mal protegidos.
- Rever regularmente os capitais seguros
Os capitais devem refletir a realidade atual da empresa e ser revistos com regularidade. - Avaliar corretamente os ativos
Instalações, equipamentos, stocks e demais bens devem estar valorizados de acordo com o respetivo custo de substituição ou reconstrução. - Considerar a inflação
A subida dos custos de construção, matérias-primas e equipamentos pode fazer com que capitais definidos há alguns anos deixem rapidamente de ser suficientes. - Procurar aconselhamento especializado
O apoio de especialistas permite detetar falhas de proteção e ajustar o programa de seguros à evolução e às necessidades do negócio.
Mais do que um seguro, uma estratégia de proteção
Muitas empresas olham sobretudo para o custo do prémio e deixam para segundo plano a qualidade da proteção contratada. Mas é no momento do sinistro que se percebe se a apólice responde verdadeiramente às necessidades.
A finalidade dos seguros empresariais não deve ser apenas cumprir uma exigência ou transferir riscos para terceiros, mas sim garantir que a empresa consegue manter a sua atividade e recuperar perante acontecimentos inesperados.
O infra-seguro é um risco “escondido”, mas com impacto potencialmente elevado na gestão de uma empresa. A boa notícia é que pode ser prevenido com revisões periódicas, avaliações rigorosas dos ativos e acompanhamento especializado.
Em seguros, poupar na proteção hoje pode significar pagar muito mais amanhã.
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