Em julho, os créditos habitação com taxa mista passaram a dominar o stock de empréstimos para aquisição de habitação própria e permanente. De acordo com os dados do Banco de Portugal, este tipo de taxa representa já 48,27% do total de empréstimos em vigor, contra 47,01% de taxa variável e apenas 4,71% de taxa fixa.
Já desde outubro de 2023 que a taxa mista tem sido a preferida nas novas operações de crédito habitação, mas continuava atrás da taxa variável quando o universo incluía contratos novos e contratos já existentes.
Assim, julho de 2026 marca uma mudança de paradigma que, olhando para o histórico recente, se deverá consolidar nos próximos meses. Esta novidade ganha ainda mais destaque se recuarmos até dezembro de 2018, o primeiro mês com dados disponíveis.
Nessa altura, o stock de crédito habitação era totalmente dominado pelos contratos com taxa variável, que representavam mais de 93% do total, enquanto a taxa mista estava presente em pouco mais de 5%.
Valor da taxa de juro justifica preferência pela taxa mista
A contratação da taxa mista surge num contexto em que este tipo de taxa tem sido consecutivamente aquela com os juros mais baixos, desde dezembro de 2022.
Em julho, os juros aumentaram em todos os tipos de taxa, mas a mista continuou a ser a mais competitiva. Fechou o mês com uma média de 2,83%, contra 3,19% da taxa variável e 3,78% da taxa fixa, de acordo com a nota de informação estatística sobre novos empréstimos e depósitos a prazo do Banco de Portugal.
Olhando apenas para as novas operações (novos contratos e renegociações), julho foi também o mês em que os contratos com taxa mista tiveram mais relevância (86%).
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Crédito habitação: Montante de novos contratos e prestação mensal batem recordes
“Os novos contratos de empréstimos para habitação aumentaram 166 milhões de euros, para 2.345 milhões de euros, o valor mais elevado da série”, destaca o Banco de Portugal. Já as renegociações caíram 109 milhões de euros, de 600 milhões para 491 milhões de euros.
A taxa de juro das novas operações de crédito habitação aumentou 0,02 pontos percentuais, para 2,96%. “Esta subida resultou dos novos contratos e dos contratos renegociados, cujas taxas de juro médias aumentaram 0,02 pp, para 2,95% e 2,97%, respetivamente”, explica a nota do regulador.
Ao mesmo tempo, a prestação média do stock de crédito habitação aumentou pelo 11.º mês consecutivo e atingiu um novo máximo de 441 euros, mais cinco euros do que em junho e mais 23 euros do que no final de 2025.
O aumento global “resultou do acréscimo quer da prestação média dos contratos já existentes, quer dos novos contratos, estes últimos com prestações médias mais elevadas”.
Empréstimos a particulares aumentaram 70 milhões de euros
Em julho, as novas operações de empréstimos a particulares aumentaram 70 milhões de euros em relação a junho, fixando-se em 3.839 milhões de euros.
O crédito habitação foi o principal responsável, com uma subida de 57 milhões de euros impulsionada, como referido acima, pelo montante recorde de novos contratos.
Já os montantes de novas operações das finalidades de consumo e de outros fins subiram nove e cinco milhões de euros, respetivamente, fixando-se em 663 e 340 milhões de euros.
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Montante aplicado em depósitos bate recorde, mas remuneração é das mais fracas da Zona Euro
O montante de novas operações de depósitos a prazo de particulares totalizou 13.704 milhões de euros, mais 1.686 milhões de euros do que em junho e um novo máximo histórico.
Os depósitos até um ano continuam a ser os mais relevantes e representaram 95% do total de novos depósitos efetuados por particulares.
Apesar de a taxa de juro ter aumentado pelo sexto mês consecutivo, de 1,55% para 1,59%, Portugal é dos países da Zona Euro que pior remunera este tipo de produto e está abaixo da média de 2,14% do conjunto de países. Abaixo de Portugal estão apenas a Croácia, a Eslovénia, a Grécia e o Chipre.
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