Convenção Doutor Finanças

Honestidade, paixão e trabalho. Para João Garcia, estes são os três pilares essenciais para quem quer atingir o topo. O alpinista português falou na sessão que antecedeu a pausa para almoço da 2.ª Convenção da Rede Doutor Finanças e contou sobre a sua experiência nos picos mais altos do mundo, com especial destaque para a subida ao Evereste, em 1999.

Aí, admite, foram cometidos erros com consequências que ainda hoje lhe marcam o corpo. “O importante é não cometermos os mesmos erros”, disse aos vários intermediários de crédito da rede Doutor Finanças que assistiam no interior da tenda VIP do Rock in Rio, onde decorreu o evento.

João Garcia

A resiliência e a paixão impediram que parasse e permitiram que cumprisse o grande objetivo de escalar as 14 montanhas com mais de 8.000 metros. “Sobrevivi, tive uma segunda chance e continuei a gostar da montanha. Os limites não estão na nossa cabeça, estão na cabeça dos outros“.

Uma partilha que se aplica tanto ao desporto como a quem está a querer fazer crescer o seu negócio.

A manhã do evento terminava aí e os participantes aproveitaram o almoço para trocar palavras, partilhar experiência e falar com parceiros. Mas o dia tinha começado algumas horas antes.

“Já somos a melhor rede. É só continuarmos o caminho”

No dia em que as finanças e o crédito foram ter com a música, coube aos Co-CEO do Doutor Finanças, Nuno Leal e Vanda de Jesus, abrirem o palco da 2.ª Convenção da Rede Doutor Finanças.

Nuno Leal prometeu que “2026 vai ser um ano de grande investimento” e deixou a garantia de que o caminho feito até agora pela Rede Doutor Finanças é para manter: “Já somos a melhor rede. É só continuarmos o caminho que temos estado a fazer”.

Nuno Leal

Vanda de Jesus começou por pedir um aplauso para todos os franchisados da rede: “Por viverem os nosso valores todos os dias”, afirmou.

Destacou o facto de Portugal estar na cauda da Europa em literacia financeira e disse que a rede também tem o papel de ajudar neste tema: “Se queremos transformar a forma como os nossos clientes vêem a literacia, temos de os ajudar, temos de estar perto deles”.

Foi a ponte para anunciar o lançamento de um projeto que pretende formar Financial Trainers, colaboradores habilitados que possam ter conversas com pessoas que precisam de apoio na área das finanças pessoais.

Por fim, lembrou o que a empresa alcançou no último ano: “Crescemos em pessoas, dimensão, abrimos mais de 100 lojas e chegámos a Itália e Espanha. Mas o importante é que algo permanece igual: a nossa essência”.

Vanda de Jesus
A vida muda. O seu seguro acompanha?
Ajudamos a encontrar o seguro certo para si e para a sua família.

CEO do Banco de Fomento promete que instituição vai apoiar as famílias

Seguiu-se Gonçalo Regalado, CEO do Banco Português de Fomento (BPF), que destacou o papel que a instituição tem no financiamento das empresas: “70% do nosso financiamento é feito nas áreas da indústria, comércio e serviços”.

Reforçou que o setor empresarial “está bem e recomenda-se”, sem esquecer o papel que o BPF teve após a tempestade Kristin: “Cinco dias após as tempestades, o BPF lançou uma linha de apoio à reconstrução. Praticamente todas as empresas que apresentaram candidaturas foram apoiadas. O banco deu a resposta que era necessária às empresas”.

Mas o discurso de Gonçalo Regalado não se ficou pelas empresas. O CEO do Banco Português de Fomento anunciou que, em 2026, a instituição vai também “ser um banco para apoiar as famílias portuguesas”.

Aqui, destacou o papel que a garantia pública do Estado tem tido no acesso à habitação: “Pela primeira vez, vamos ter garantias para a habitação. São quatro mil milhões para financiamento da habitação. A habitação é um direito. Se encontrarem um jovem que não queira ou não recomende a garantia pública para a habitação, digam”.

Por fim, terminou deixando um desafio aos franchisados da Rede Doutor Finanças que assistiam à sessão: “Queiram liderar a mudança, de forma positiva”.

Gonçalo Regalado

É possível criar riqueza em Portugal?

Num painel que pretendia debater a criação de riqueza em Portugal, falou-se disso mas também de inteligência artificial, literacia financeira e crescimento empresarial.

As intervenções couberam a Adolfo Mesquita Nunes, advogado e ex-deputado, Leonor Freitas, CEO da Casa Ermelinda Freitas, Luís Pereira Coutinho, administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD), e Mafalda Rebordão, responsável pela área de transformação digital e inteligência artificial (IA) da Microsoft.

Questionado sobre porque é difícil criar riqueza em Portugal, Adolfo Mesquita Nunes apontou uma aversão cultural a empresas grandes: “Ficamos sempre muito chocados com lucros de grandes empresas. E não podemos criar riqueza se só quisermos pequenas empresas. As grandes empresas pagam melhores salários, têm maior diversidade e são mais capazes de responder a desafios”.

Para Luís Pereira Coutinho, a criação de riqueza não depende só do rendimento e considera que a compra de casa pode ser um passo para o atingir.

“Com o apoio dos bancos consegue-se alavancar a capacidade de investimento e depois, ao longo da vida, sistematizar a capacidade de poupança. A habitação e o crédito habitação têm um papel muito importante na literacia financeira”, afirmou.

Convenção Doutor Finanças

É precisamente com literacia financeira que arranca a intervenção de Mafalda Rebordão, a participante mais jovem do painel.

Considera que os jovens portugueses têm cada vez mais interesse em temas financeiros, mas deixa um alerta: “Os jovens vêem muita dessa informação nas redes sociais e perguntam a chatbots, e isso também preocupa. O modelo de inteligência artificial não tem contexto sobre as nossas poupanças e situação familiar“.

Da conversa fez também parte Leonor Freitas, que partilhou a experiência de liderar e fazer crescer uma empresa familiar: “A Casa Ermelinda Freitas cresceu muito porque passou a ter visibilidade, passou a ter uma marca, que nunca foi dissociada da família. Nunca nos desligámos da família. O nosso crescimento foi dando resposta à necessidade do cliente”.

Leia ainda: Afinal, o que falta a Portugal para criar riqueza?

“A maioria das organização são bem geridas, mas não bem lideradas”

Depois do almoço, os participantes voltaram aos seus lugares para ouvir António Ribeiro, vocalista dos UHF, partilhar histórias e experiências de uma carreira de 47 anos. Logo a seguir, subiu a palco o orador que mais risos e gargalhadas provocou, o professor da Nova School of Business and Economic Nadim Habib.

Com um estilo enérgico e irreverante, procurou descontruir as diferenças entre gestão e liderança, “competências críticas numa organização”, mas que servem propósitos diferentes.

“Quando uma empresa cresce ganha complexidade. Por isso, aprendemos a gerir melhor, porque a gestão ajuda a lidar com a complexidade. Mas só é útil até um certo ponto. Depois torna-se destrutiva”.

Assim, a mudança só se consegue com liderança, afirma o professor da Nova SBE, que considera que “a maioria das organização são bem geridas, mas não bem lideradas”.

Por isso, não se cansa de reforçar que a liderança é uma competência chave nas organizações que querem mudar e crescer: “Um gestor sabe como fazer o rumo, o líder sabe como seguir o rumo. A liderança é a forma de organizar para o crescimento”.

Nadim Habib

Governo está a desenvolver Caderno Digital do Edifício

As palestras terminaram com a intervenção da secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa, que reconheceu os problemas no setor, agravados pelo défice de 300 mil habitações.

Para a secretária de Estado, outro problema está num “setor da construção muito artesanal, com poucas empresas”, que foi afetado pela crise de 2008 e pela emigração de muitos trabalhadores desta área.

Patrícia Gonçalves Costa

Elencando várias medidas já tomadas pelo atual Governo, destacou uma que ainda não tem data de lançamento: o Caderno Digital do Edifício.

O objetivo, diz, é concentrar toda a informação relevante sobre um imóvel, para que as pessoas possam tomar decisões informadas: “Se quero comprar ou arrendar, dá jeito que seja disponibilizado o que é a vida útil daquele edifício. Qual a licença de utilização, qual o regulamente do condomínio, qual a vulnerabilidade sísmica? É bom que tenhamos conhecimento. É conhecimento para as famílias tomarem melhores decisões”.

Leia ainda: Pacote habitação: O que muda no IVA, IRS, IMT e arrendamento

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

EmpresasLiderançaNegóciosRede Doutor FinançasVida e família