O último trimestre de 2024 foi marcado por um aumento da procura no crédito habitação, de acordo com as respostas das instituições ao Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito do Banco de Portugal.
A versão mais recente foi publicada em janeiro deste ano e tem como referência o último trimestre do ano passado. Ao mesmo tempo, procura perceber as expectativas dos bancos para o primeiro trimestre de 2025, que apontam para novo aumento.
Taxas de juro e alterações fiscais contribuíram para aumento da procura
De acordo com as repostas dos bancos, “o nível geral das taxas de juro e, em menor grau, a confiança dos consumidores e o regime regulamentar e fiscal do mercado da habitação contribuíram para o aumento da procura neste segmento”.
2024 ficou marcado pela descida de juros por parte do Banco Central Europeu (BCE), invertendo a tendência de subida de juros, iniciada em julho de 2022. Só no ano passado, o banco central reviu as taxas diretoras quatro vezes, a primeira das quais em junho.
Como consequência, os juros associados ao crédito habitação desceram e tornaram os empréstimos mais baratos para os consumidores, ajudando a explicar o maior interesse registado pelos bancos.
Apesar de o Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito não especificar de que forma é que o “regime regulamentar e fiscal do mercado da habitação” contribuiu para o aumento da procura, é expectável que as medidas destinadas aos jovens até aos 35 anos justifiquem parte do aumento. Fazem parte das medidas a garantia pública no crédito habitação e a isenção do pagamento de IMT, imposto do selo e emolumentos.
Quando, em janeiro deste ano, o Banco de Portugal publicou as estatísticas de taxas de juro e de montantes de novos empréstimos relativas a novembro de 2024, destacou que “o crédito concedido a mutuários com menos de 35 anos representou 48% do montante de novos contratos para habitação própria permanente concedidos” nesse mês.
Para o primeiro trimestre de 2025, os bancos esperam que a procura por crédito habitação continue a aumentar. Sobre o crédito ao consumo e para outros fins, a expectativa é de que não haja grandes alterações em relação ao último trimestre do ano passado, quando este segmento registou um ligeiro aumento da procura.
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