Quase 6 em cada 10 contratos de crédito habitação assinados por jovens elegíveis para a garantia pública não foram feitos ao abrigo do regime da garantia do Estado, que lhes permitiria ter acesso a um financiamento até 100% do valor da casa.
Os dados, do Banco de Portugal, constam do Relatório de Estabilidade Financeira de maio de 2025, que dá mais detalhes sobre os créditos realizados com garantia pública no primeiro trimestre deste ano.
De acordo com o supervisor, entre janeiro e março, o crédito com garantia representou 9% do número e 13% do montante total dos novos contratos de crédito para compra de casa. “Quando considerados apenas os mutuários elegíveis — com e sem garantia — verifica-se que 59% dos novos contratos a mutuários elegíveis não recorreram à garantia. No crédito concedido a mutuários elegíveis no primeiro trimestre de 2025, 44% do montante é ao abrigo do regime da garantia”, revela o relatório.
Jovens que recorreram à garantia pública têm rendimentos mais altos
Segundo o Banco de Portugal, os jovens que recorreram a este regime, em vigor desde janeiro deste ano, têm rendimentos mais elevados do que aqueles que obtêm crédito sem utilizar a ajuda do Estado para garantir a percentagem do empréstimo não financiada pelos bancos. Diz o relatório que “os mutuários com rendimentos mais baixos têm uma representatividade inferior neste regime, tanto em montante de crédito como em número de contratos, quando comparados com os mutuários elegíveis”.
Já no que respeita à localização dos imóveis adquiridos no âmbito do regime, a maioria concentrou-se nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, com destaque para os concelhos de Sintra, Vila Nova de Gaia e Seixal.
No total das instituições bancárias que aderiram ao protocolo para aceder à garantia do Estado, o montante concedido situou-se em 10% do montante máximo disponível, com algumas a usarem mais de 30% do limite atribuído e outras a não chegaram a 5%.
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