Houve algumas notícias que alertaram para a possibilidade de os fundos disponibilizados para a garantia pública no crédito destinado à habitação concedido a jovens até aos 35 anos poderem esgotar antes do fim formal do apoio (2026). No entanto, para já, o Executivo diz que não são necessários mais reforços deste montante.
Importa, perceber o que está em causa, o que pode acontecer e quais os próximos passos.
Governo disponibiliza mil milhões de euros em garantias
Ao todo foram distribuídos por 18 bancos um total de cerca de mil milhões de euros. No entanto, na legislação ficou salvaguardado que os montantes podem vir a ser reforçados, antes do final da medida, previsto para dezembro de 2026, havendo para já uma reserva de 200 milhões.
Os dois bancos com maior quota da garantia criada pelo Estado para ajudar os jovens a comprar casa (CGD e Santander) já anunciaram que o valor atribuído se esgotou ou está muito próximo disso.
A Caixa Geral de Depósitos, que contou com 257.212.136 euros disponíveis para aplicar em processos de crédito habitação jovem, anunciou no início do mês que a verba já está esgotada. “No nosso caso, já temos mais processos [de crédito] aprovados do que os valores contratualizados na garantia, embora a concretização seja lenta”, disse o presidente executivo (CEO) da CGD, Paulo Macedo, citado pela SIC Notícias.
Também o Santander, banco com a maior quota de todas as 18 instituições de crédito que aderiram ao protocolo, no valor de mais de 259 milhões de euros, anunciou que a procura registada em um mês comprometeu um terço do valor. Prevê, por isso, que antes do verão a verba esteja esgotada.
Ao todo, quatro dos cinco maiores bancos receberam 11.500 pedidos, parte deles já aprovados, avançou o jornal Público no arranque deste mês. Contactados pelo Doutor Finanças, o Santander refere que já recebeu 3.200 pedidos, tendo produzido 84 milhões de euros, estando em pipeline 536 milhões de euros. Já a Caixa Geral de Depósitos (CGD) aprovou mais 300 milhões de euros, após terem sido aprovados cerca de 1.630 operações de crédito.
Além dos bancos, também as sociedades financeiras vão poder começar a poder conceder crédito, com garantia pública, de acordo com as mais recentes alterações aprovadas pelo Governo. No entanto, apesar deste alargamento, o Governo não acredita que tal deverá, pelo menos para já, levar a um reforço dos montantes. “Não se antecipa que esta alteração legislativa implique o aumento do valor do montante global da garantia que já foi autorizado (1,2 mil milhões de euros)”, esclarece o Ministério das Finanças em declarações ao Jornal de Negócios.
A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.
