O novo ano é sinónimo de novidades. Tal como é habitual, os preços de vários serviços sofrem alterações, como os transportes e as telecomunicações. Ao nível dos rendimentos, há atualização do valor das pensões e do salário mínimo.
Nos impostos, há uma ligeira descida das taxas de IRS entre o segundo e o quinto escalão, bem como a possibilidade de deduzir uma parte do IVA pago no acesso a atividades culturais.
Os juros não devem sofrer grandes oscilações e, relativamente ao crescimento da economia em Portugal, o Governo e o Banco de Portugal esperam melhores resultados do que a Comissão Europeia.
Preços em 2026
Entre rendas, portagens, transportes públicos, telecomunicações, energia e até seguros de saúde, são vários os preços que aumentam em 2026.
Rendas
Os senhorios podem aumentar as rendas em 2,24%. Este valor tem como base a variação média do Índice de Preços no Consumidor (taxa de inflação) excluindo habitação dos últimos 12 meses até agosto.
Mantém-se a regra que permite aos senhorios que não atualizaram as rendas nos dois anos anteriores somarem esses coeficientes ao deste ano. Nesses casos, a renda pode aumentar até 11,34%.
No entanto, a primeira atualização só pode acontecer um ano após a celebração do contrato, e o mesmo prazo deve ser cumprido entre atualizações. Ou seja, um contrato que tenha começado em junho só pode ser atualizado nesse mês.
Telecomunicações
A MEO, a NOS e a Vodafone vão aumentar os preços, em 2026. No caso da MEO, o preço dos serviços pós-pagos móveis sobe 50 cêntimos logo a partir de 1 de janeiro. Já os restantes serviços, como internet e televisão, vão ser atualizados de acordo com a taxa de inflação de 2025 e os novos preços entram em vigor a 1 de fevereiro.
Essa é também a data que a NOS definiu para a atualização de preços, que incide sobre os pacotes com televisão, os tarifários móveis pós-pagos e os tarifários fixos sem televisão. Tal como na MEO, o ajuste de preços tem como referência a inflação de 2025.
A Vodafone também se baseia na inflação, mas, deixa a nota de que “a atualização de preços não se aplica a novos contratos ou renovações, feitos a partir de 11 de novembro, do segmento particulares”.
Por fim, a Digi não anunciou atualização nos preços para 2026.
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Energia
A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) anunciou que as tarifas no mercado regulado vão ter um aumento médio de 1% em relação a 2025, no continente. Em comunicado, o regulador destaca que “este acréscimo é inferior à variação prevista para o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), o que representa uma redução em termos reais”.
A ERSE diz que isto representa um aumento de 18 cêntimos por mês no caso de um casal sem filhos com uma potência contratada de 3,45 kVA e consumo de 1900 kWh/ano.
Já um casal com dois filhos que tenha uma potência contratada de 6,9 kVA e um consumo de 5.000 kWh/ano vai sentir um aumento médio de 28 cêntimos por mês. Nos Açores e na Madeira, os aumentos anunciados são de 0,8% e 0,9%, respetivamente.
Estas subidas não afetam os clientes que estão no mercado liberalizado. No entanto, estes podem sentir o impacto do aumento anunciado de 3,5% da tarifa de Acesso às Redes. Tudo depende da forma como os comercializadores vão transferir este custo para os consumidores.
Portagens
Em 2026, chegam ao fim as portagens que ainda havia na A25. No Alentejo, vai haver isenção em alguns troços da A2 e da A6, mas apenas para os cidadãos e empresas das “áreas de influência” destas autoestradas.
No caso da A2, está abrangido o percurso entre o nó A2/A6/A13 e Almodôvar. Na A6, deixa de haver portagens entre o nó A2/A6/A13 e Caia. Em algumas partes da A8 e da A19, e na A41-CREP, os veículos pesados deixam de pagar.
De resto, as concessionárias podiam aumentar os preços até 2,29%. Este valor tem como base a inflação sem habitação homóloga registada em outubro, continente (1,19%), acrescida de 0,1 pontos percentuais de compensação às concessionárias pelo travão à subida de preços em 2022.
No caso da Brisa, os aumentos aplicam-se a 40 das 93 taxas de portagem de classe 1, incluindo a ligação Lisboa-Porto pela A1, que fica 45 cêntimos mais cara e passa a custar 25,05 euros. Já a viagem entre Lisboa e o Algarve pela A2 sobe 50 cêntimos e custa 23,80 euros.
Na ligação entre a margem sul do Tejo e Lisboa, atravessar a Ponte 25 de Abril em veículos de classe 1 fica 10 cêntimos mais caro e custa 2,25 euros. Na Ponte Vasco da Gama, o preço para a mesma classe sobe 10 cêntimos e passa a custar 3,40 euros.
Transportes públicos
Quem anda regularmente de transportes nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto e tem passe mensal não vai sentir diferenças em 2026. Tanto o passe Navegante (Lisboa) como o Andante (Porto) vão manter os preços: 30 euros para andar num município e 40 euros para viajar em mais do que um.
De resto, a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes fixou a atualização tarifária em 2,28%, com base na variação média da inflação sem habitação nos últimos 12 meses terminados em setembro. Os títulos a que se aplica a atualização tarifária dependem sempre da região ou das operadoras.
Os bilhetes da Carris/Metro sobem cinco cêntimos e passam a custar 1,90 euros. Comprar a viagem a bordo também fica mais caro e passa a custar 2,30 euros no autocarro e 3,30 euros no elétrico (ambos com aumentos de 10 cêntimos). Ainda em Lisboa, a Carris Metropolitana decidiu aumentar os bilhetes de bordo entre cinco e 15 cêntimos.
No Porto, os bilhetes ocasionais Andante (que permitem viajar na STCP, Metro do Porto, CP-Urbanos do Porto e UNIR) mantêm o preço na zona Z2. Acima disso, aumentam entre cinco e 10 cêntimos. Já a tarifa de bordo da STCP mantém o mesmo preço (2,50 euros) e a da rede UNIR aumenta entre cinco e 15 cêntimos.
Inspeção de veículos
O preço da inspeção de veículos também aumenta em 2026. A subida tem como base a taxa de inflação (sem habitaão) média anual registada em novembro, que foi de 2,24%.
Assim, a inspeção de veículos ligeirios sobe 83 cêntimos e passa a custar 37,47 euros e a dos pesados sobe 1,23 euros para 56,08 euros.
No caso dos motociclos, triciclos e quadriciclos o aumento é de 42 cêntimos e passa a custar 18,87 euros. Por fim, a reinspeção passa a ter um custo de 9,40 euros, mais 21 cêntimos do que em 2025.
Seguros de saúde
O preço dos seguros de saúde é atualizado regularmente de acordo com a idade da pessoa segura, mas, em 2026, pode ter um aumento expressivo. De acordo com o estudo 2026 Global Medical Trend Rates Report da Aon, os preços podem subir 10%.
Em declarações ao jornal ECO, um representante da Aon Portugal explica que este aumento vai afetar sobretudo os seguros de saúde empresariais, mas avisa que “é provável que os seguros individuais acompanhem esta tendência, embora com variações”.
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