Figuras representativas de uma família com moedas

Um orçamento pessoal ou familiar é um instrumento fundamental para manter as finanças organizadas. Saber onde gasta o dinheiro todos os meses, definir objetivos claros de poupança e fazer ajustes sempre que necessário vai ajudá-lo a antecipar necessidades, a tomar decisões informadas e, no limite, a evitar situações de endividamento.

Neste artigo, explicamos como elaborar um orçamento familiar de forma prática e simples, desde o registo de rendimentos à gestão da poupança. Para facilitar este processo, disponibilizamos um ficheiro Excel, que o ajudará a organizar a informação.

Registar rendimentos e despesas em 3 passos

O ponto de partida de qualquer orçamento é conhecer, com rigor, a sua realidade financeira. Para isso:

  1. Registe todos os rendimentos do agregado familiar. Inclua salários, pensões, abonos, recibos verdes, ou rendimentos patrimoniais, como rendas, por exemplo. Caso tenha dinheiro investido em aplicações financeiras, registe também os juros obtidos.
  2. Em paralelo, deve mapear todas as despesas. Registe os encargos com a prestação da casa ou a renda, seguros e condomínio. Inclua também as despesas com serviços (água, luz e telecomunicações), e, caso tenha filhos, despesas de educação e atividades extracurriculares. Não se esqueça das despesas ocasionais, mesmo que o seu valor seja reduzido, pois também têm impacto no orçamento.
  3. Para garantir que não se esquece de nada, consulte os extratos bancários dos últimos três a seis meses. Este exercício ajuda a identificar padrões de consumo e pequenas despesas que, somadas, têm impacto significativo no orçamento.

O que deve constar num orçamento?

Para manter o orçamento organizado e facilitar a identificação e registo das despesas, aloque-as a diferentes categorias. Veja o exemplo que se segue:

Categoria

Despesas

Habitação

Prestação de crédito habitação ou renda, condomínio, seguro de vida, seguro multirriscos-habitação.

Serviços

Água, eletricidade, gás, telecomunicações.

Alimentação

Supermercado, pastelaria/café, talho, peixaria, frutaria.

Educação

Escola/creche, atividades extracurriculares, material escolar, ATL, propinas.

Saúde

Consultas, exames médicos, farmácia, prémio do seguro de saúde.

Transportes

Combustível, passe mensal.

Refeições fora

Restaurantes, take away.

Lazer

Cinema, viagens, alojamento.

Poupança

Fundo de emergência, outras aplicações em produtos de poupança ou investimento.

Outros créditos

Crédito pessoal, crédito automóvel, cartão de crédito.

Outras despesas fixas

Ginásio, serviços de streaming (Netflix, Disney+, por exemplo), quotas de clube desportivo, etc.

Despesas periódicas

Seguro automóvel, revisão do carro, IUC, IMI.

Despesas ocasionais

Vestuário, calçado, eletrodomésticos, reparações.

Depois de distribuir as despesas pelas diferentes categorias, associe os respetivos montantes a cada uma delas.

Tente integrar as despesas ocasionais, mas previsíveis, como a manutenção do carro ou as férias, numa lógica mensal, para que consiga fazer uma gestão mais suave do seu orçamento ao longo do ano. Para isso, faça uma estimativa desses custos e divida-os por 12. Por exemplo:

1.500€ (férias) + 420€ (seguro automóvel) + 512€ (IMI) = 2.432€

2.432€/12= 203€

Neste caso, pode prever 203€ no seu orçamento mensal para cobrir estas despesas pontuais.

Depois de listar rendimentos e despesas, compare os valores. Subtraia as despesas aos rendimentos e, se o saldo for positivo – ou seja, se sobrar dinheiro – pode reforçar a poupança, seja numa ótica de longo prazo ou para suprir outras necessidades mais imediatas. Se, pelo contrário, as despesas superarem os rendimentos, deverá fazer alguns ajustes.

Como organizar e equilibrar o orçamento

Antes de mais, destine uma percentagem, por pequena que seja, para a poupança. Não poupe somente o que sobra, sob pena de raramente conseguir pôr dinheiro de parte. Considerar essa parcela como uma despesa fixa mensal pode ajudá-lo a ser bem sucedido nesta tarefa.

Se constatar que precisa de equilibrar o orçamento familiar, pode começar por fazer pequenos ajustes sem recorrer, imediatamente, a cortes drásticos. Pequenos ajustes efetuados de forma consistente tendem a ser mais eficazes e sustentáveis a longo prazo. Para isso, identifique hábitos de consumo menos sustentáveis para as suas contas – como jantares ou almoços frequentes fora de casa ou compras por impulso – e tente cortar custos.

Analise também os gastos fixos e perceba se consegue reduzir esses encargos. Pode, por exemplo, renegociar as condições do seu pacote de telecomunicações, do seguro do carro ou, até, do seu crédito habitação.

Cortar no montante destinado à poupança deve ser uma opção de último recurso.

Rever o seu orçamento todos os meses é um bom hábito e vai permitir-lhe corrigir desvios, adaptar estratégias e manter o controlo financeiro ao longo do tempo.

Leia ainda: Como sair das dívidas em 6 passos

Definir objetivos de poupança

A elaboração de um orçamento familiar também é útil para o ajudar a atingir metas de poupança que tenha estabelecido.

A primeira prioridade deve ser a constituição de um fundo de emergência, com um montante equivalente a três a seis meses de despesas. Este montante serve para fazer face a situações imprevistas, como desemprego ou doença grave, e deve estar aplicado em produtos com capital garantido, facilmente mobilizáveis. Neste caso, um depósito a prazo ou certificados de aforro são o destino ideal para o dinheiro. Na eventualidade de recorrer a esta reserva, deve ir repondo o montante utilizado, logo que possível.

Para além desta reserva, defina objetivos de curto, médio e longo prazo:

  • Curto prazo: férias ou a compra de um equipamento;
  • Médio prazo: entrada para uma casa ou propinas de um mestrado;
  • Longo prazo: reforma.

Ferramentas para gerir o orçamento familiar

A gestão do orçamento pode ser feita através de diferentes ferramentas: pode preferir métodos simples, como papel e caneta, uma folha de cálculo ou uma aplicação móvel de gestão financeira.

Dependendo da solução, obterá um nível maior ou menor de detalhe, sendo que algumas aplicações dão acesso a um maior leque de funcionalidades, nomeadamente, à possibilidade automatizar a poupança.

Para começar, pode descarregar o ficheiro criado pelo Doutor Finanças para gerir o orçamento familiar em Excel.

5 erros a evitar ao elaborar o orçamento familiar

Ao elaborar um orçamento, há alguns erros frequentes que podem comprometer a sua eficácia. Veja cinco exemplos comuns:

  1. Não incluir poupança como parte integrante do orçamento;
  2. Não adaptar o orçamento à realidade do agregado familiar – o que funciona para uns pode não funcionar para outros. Fórmulas genéricas que não têm em conta o seu nível de rendimento, composição do agregado familiar ou estilo de vida dificilmente funcionarão a longo prazo;
  3. Subestimar despesas, sobretudo as variáveis ou ocasionais;
  4. Ignorar pequenos gastos diários, que acabam por ter um impacto relevante no orçamento mensal;
  5. Desistir ao fim de pouco tempo. Para obter resultados, terá de gerir o orçamento familiar com consistência e disciplina.

Evitar estas falhas vai permitir-lhe tirar o maior partido possível deste instrumento de gestão de finanças pessoais e melhorar o controlo sobre o seu dinheiro.

Perguntas frequentes

Um orçamento familiar é um instrumento de gestão financeira que permite registar e organizar todos os rendimentos e despesas de um agregado. Esta ferramenta contribui para manter a situação financeira equilibrada e prevenir situações de endividamento.

Idealmente, deve destinar uma parte fixa do rendimento mensal à poupança, mesmo que seja um valor reduzido. A referência mais habitual é uma percentagem de 10% a 20% do seu rendimento.

Depende das preferências pessoais. Pode usar papel e caneta, uma folha de Excel ou aplicações móveis. O mais importante é escolher uma solução simples e fácil de manter.

As despesas fixas são encargos regulares e previsíveis, como a renda da casa ou a mensalidade das telecomunicações. Já as despesas variáveis, como alimentação, transportes ou lazer, podem oscilar de mês para mês, como, sendo mais fáceis de ajustar em caso de necessidade.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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