Imagem representativa de segurança digital

A segurança online já não depende apenas de ter um antivírus instalado. Palavras-passe, códigos de autenticação, dados bancários, documentos e informações partilhadas nas redes sociais podem abrir caminho ao acesso indevido às suas contas e ao seu dinheiro.

Os ataques também se tornaram mais convincentes. Uma mensagem pode parecer enviada pelo banco, uma chamada pode apresentar um número conhecido e uma página falsa pode reproduzir quase todos os elementos do site original. Proteger os dados exige, por isso, várias barreiras e atenção antes de cada operação.

Como proteger os dados pessoais e financeiros online?

Para reforçar a proteção, use palavras-passe diferentes, ative a autenticação de dois fatores, mantenha os equipamentos atualizados e nunca revele códigos bancários. Antes de fazer um pagamento, confirme o destinatário, leia a informação apresentada no ecrã e desconfie de qualquer contacto que exija uma resposta imediata.

Estes cuidados são importantes mesmo quando o sistema bancário é seguro. Segundo o Relatório dos Sistemas de Pagamentos 2025 do Banco de Portugal, a fraude nos pagamentos eletrónicos manteve-se reduzida no primeiro semestre de 2025. Ainda assim, as transferências fraudulentas atingiram, em média, 2.564 euros. Um único erro pode, assim, causar uma perda elevada.

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Comece por proteger as portas de entrada das suas contas

Uma palavra-passe repetida em vários serviços transforma uma fuga de dados num problema maior. Se as credenciais de uma loja online forem expostas, os criminosos podem testá-las no correio eletrónico, nas redes sociais e noutros serviços. Cada conta deve ter uma palavra-passe exclusiva, longa e difícil de adivinhar.

As frases-passe, compostas por várias palavras sem relação óbvia, podem ser mais resistentes e fáceis de memorizar do que combinações curtas. Um gestor de palavras-passe ajuda a criar e guardar credenciais diferentes. Também não deve usar informação acessível nas redes sociais, como nomes de familiares, datas de nascimento ou animais de estimação.

Leia ainda: Gestor de palavras-passe: Se ainda não usa, devia

Que contas devem ser protegidas primeiro?

Dê prioridade às contas que permitem recuperar ou controlar outras:

  1. Correio eletrónico;
  2. Homebanking e aplicações financeiras;
  3. Conta Google, Apple ou equivalente;
  4. Redes sociais;
  5. Plataformas de compras;
  6. Serviços onde guarda documentos ou dados de pagamento.

A autenticação de dois fatores é uma barreira essencial na segurança online

A autenticação de dois fatores exige uma segunda confirmação além da palavra-passe. Pode ser feita através de uma aplicação autenticadora, impressão digital, reconhecimento facial ou código temporário. Mesmo que alguém descubra a palavra-passe, terá mais dificuldade em entrar na conta.

Sempre que exista essa opção, prefira uma aplicação autenticadora ou uma chave de segurança. Os códigos enviados por SMS também reforçam a proteção, mas podem ser expostos se o número de telefone for comprometido. Nenhum código deve ser partilhado por mensagem ou chamada, ainda que o interlocutor diga trabalhar para o banco.

Elemento de segurança

Para que serve

Cuidado principal

Palavra-passe

Impede o primeiro acesso à conta

Não repetir noutros serviços

Segundo fator

Confirma a identidade do utilizador

Nunca divulgar o código

Biometria

Protege o equipamento ou a aplicação

Manter um código alternativo seguro

Alertas de movimentos

Permitem detetar operações rapidamente

Ativar notificações no telemóvel

Limites de pagamento

Reduzem o valor que pode ser movimentado

Ajustar às necessidades reais

Leia ainda: Autenticação multifator: Por que deve utilizá-la já na internet

Na segurança online, o telemóvel merece atenção especial

O telemóvel concentra mensagens, contactos, fotografias, correio eletrónico, aplicações bancárias e códigos de autenticação. Se estiver desprotegido, a perda ou o roubo do equipamento pode permitir o acesso a várias áreas da vida pessoal e financeira.

Use um código de bloqueio difícil de adivinhar e associe-o à biometria, quando disponível. O PIN do cartão SIM deve ser diferente do código do equipamento. Ative ainda a localização e eliminação remotas, esconda o conteúdo das notificações no ecrã bloqueado e não deixe palavras-passe guardadas em notas ou fotografias.

Cuidados que deve aplicar no telemóvel

  • Instale aplicações apenas através das lojas oficiais;
  • Verifique as permissões pedidas por cada aplicação;
  • Elimine aplicações que já não utiliza;
  • Não permita a instalação de programas sugeridos numa chamada;
  • Atualize o sistema operativo e as aplicações;
  • Bloqueie imediatamente o equipamento em caso de perda;
  • Contacte a operadora se suspeitar de problemas com o cartão SIM.

Atualizações e redes seguras reduzem a exposição dos dados

As atualizações não servem apenas para alterar o aspeto ou acrescentar funcionalidades. Muitas corrigem vulnerabilidades que podem ser usadas para instalar programas maliciosos, observar a atividade do utilizador ou aceder a informação guardada no equipamento.

O Banco de Portugal recomenda que os equipamentos tenham antivírus, ferramentas contra programas espiões e firewall, e desaconselha o uso de computadores públicos em operações bancárias. Estas orientações podem ser consultadas na página “Como proteger-se da fraude online“.

Também deve evitar consultar o banco ou introduzir dados de pagamento numa rede Wi-Fi pública. Numa operação urgente, a rede móvel é normalmente uma alternativa mais prudente. Em casa, altere a palavra-passe original do router, escolha uma combinação forte e mantenha o equipamento atualizado.

Antes de pagar, confirme mais do que o valor

As transferências exigem uma verificação cuidada porque, depois de concluídas, podem ser difíceis de recuperar. Confirme o IBAN, o nome do beneficiário, o montante e a descrição da operação. Se a aplicação indicar que o nome não corresponde à conta de destino, interrompa o pagamento e valide os dados por outro meio.

A confirmação de beneficiário permite apresentar o nome associado ao IBAN antes de algumas transferências. Já a verificação de beneficiário compara o nome introduzido com os titulares da conta. De acordo com o Banco de Portugal, a confirmação de beneficiário foi consultada mais de 161 milhões de vezes em 2025, enquanto a verificação registou 94 milhões de pedidos nos primeiros três meses de utilização.

Quando uma empresa ou prestador de serviços comunica uma alteração de IBAN, não confirme essa mudança respondendo à mesma mensagem. Contacte a entidade através de um número que já conheça ou que tenha obtido no site oficial. Este segundo canal pode impedir que uma fatura verdadeira seja paga para uma conta controlada por terceiros.

Leia os códigos antes de autorizar uma operação

Os códigos enviados pelo banco não são meras formalidades. A mensagem pode indicar que está a confirmar uma transferência, associar um cartão, alterar contactos ou instalar a aplicação noutro equipamento. Leia sempre o texto completo antes de introduzir o código.

Não autorize uma operação apenas porque alguém lhe diz que é necessário anular uma transferência, proteger a conta ou receber dinheiro. Para receber uma transferência não precisa de revelar o PIN do cartão, o código de acesso ao banco, o número de segurança do cartão ou códigos enviados por SMS.

Dados bancários que nunca deve divulgar

  • Credenciais de acesso ao homebanking;
  • Palavra-passe da aplicação bancária;
  • PIN do cartão;
  • Código de segurança do cartão;
  • Códigos temporários recebidos por SMS;
  • Chaves de confirmação de operações;
  • Fotografias que mostrem todos os dados do cartão.

Limites e alertas podem travar perdas maiores

Os alertas de movimentos permitem detetar rapidamente uma compra ou transferência que não reconhece. Ative notificações para pagamentos, levantamentos, transferências e alterações relevantes na conta. Quanto mais cedo identificar uma operação suspeita, mais depressa poderá contactar o banco.

Também pode reduzir os limites de transferências, compras online e levantamentos para valores próximos das suas necessidades habituais. Se precisar de fazer uma operação excecional, aumente temporariamente o limite e volte a reduzi-lo depois. Nos pagamentos online, os cartões virtuais com valor limitado diminuem a exposição dos dados do cartão principal.

Partilhar menos informação também reforça a segurança online

Uma fraude pode começar fora da conta bancária. Fotografias, datas de férias, locais frequentados, nomes de familiares e contactos profissionais ajudam a criar abordagens personalizadas. Quanto mais informação estiver pública, mais fácil será construir uma mensagem credível.

Reveja as definições de privacidade das redes sociais, limite quem pode ver as publicações e evite mostrar documentos, cartões de embarque ou correspondência. Também deve desconfiar de pedidos de ligação de desconhecidos e confirmar por outro meio qualquer mensagem inesperada enviada por um amigo ou familiar.

O relatório conjunto do Banco Central Europeu e da Autoridade Bancária Europeia sobre fraude nos pagamentos mostra como a manipulação do utilizador ganhou peso. Em 2024, os utilizadores suportaram cerca de 85% das perdas associadas à fraude em transferências, muitas vezes porque tinham sido convencidos a iniciar ou autorizar a operação.

O que fazer quando suspeita que os dados foram comprometidos?

Se introduziu credenciais numa página duvidosa, partilhou um código ou autorizou uma operação que não reconhece, contacte imediatamente o banco através dos canais oficiais. Peça o bloqueio dos cartões, acessos e operações que ainda possam ser travadas. Não use o número indicado na mensagem que originou a suspeita.

Além disso, altere as palavras-passe a partir de um equipamento seguro, termine as sessões abertas e remova aplicações de acesso remoto. Guarde mensagens, números, endereços, IBAN e comprovativos. Depois, apresente denúncia às autoridades e acompanhe regularmente os movimentos das contas e cartões afetados.

Leia ainda: Burlas informáticas: O que devo fazer para me proteger?

Perguntas frequentes

Confirme cuidadosamente o endereço, incluindo as letras e o domínio. O símbolo do cadeado indica que a ligação está cifrada, mas não prova que o site pertence à entidade verdadeira. Evite abrir páginas bancárias através de ligações recebidas e escreva o endereço diretamente no navegador.

O banco pode contactar o cliente para confirmar uma ocorrência, mas não deve pedir as credenciais completas nem códigos que permitam entrar na conta ou autorizar uma operação. Perante um pedido deste género, desligue e contacte a instituição através do número oficial.

Guardar o cartão torna os pagamentos mais rápidos, mas aumenta a informação associada à conta. Faça-o apenas em serviços de confiança, proteja o acesso com autenticação de dois fatores e elimine cartões guardados em plataformas que já não utiliza.

Não. Uma palavra-passe pode ser descoberta através de uma fuga de dados, de uma página falsa ou de um programa malicioso. Deve ser acompanhada por autenticação de dois fatores, atualizações, alertas de acesso e cuidados na utilização do equipamento.

Use o serviço de localização para bloquear o equipamento, contacte a operadora e informe o banco se tiver aplicações financeiras instaladas. Altere as palavras-passe das contas mais importantes e termine as sessões abertas noutros dispositivos.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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