Imagem de moedas de euro

Quando se mantém o dinheiro parado na conta, não se perde nem um euro. Muitas vezes, encaramos este cenário como o mais seguro. Usamo-lo apenas para pagar as despesas do dia a dia e, de resto, não lhe mexemos.

Uma coisa é certa: o dinheiro que aí deixamos não perde o seu valor nominal. Se temos 100 euros e não lhes tocarmos, vamos continuar a ter 100 euros.

No entanto, este comportamento também traz alguns riscos. Conheça-os e saiba como pode fazer com que esses 100 euros valham mais nos anos seguintes, mesmo que não se veja a fazer investimentos mais arriscados.

Porque deixar dinheiro parado também é um risco?

Pôr o dinheiro a render tem riscos, dependendo do produto escolhido. Mas deixá-lo parado tem também o risco (ou mesmo certeza) da perda de valor real, de não aproveitar oportunidades para fazê-lo crescer ou de ter de abdicar ou adiar objetivos.

A inflação reduz o valor do dinheiro

Mesmo que o valor na conta se mantenha igual, o dinheiro perde valor ao longo do tempo. Isto acontece por causa da inflação, ou seja o aumento generalizado dos preços de bens e serviços.

Em Portugal, a inflação foi de 2,34% em 2025, o que significa que, de um modo geral, os preços dos bens e serviços eram 2,34% superiores no final do ano, face ao início. A 1 de janeiro, eram precisos 100 euros para comprar algo, mas no final do ano já eram necessários 102,34 euros.

As últimas projeções da Comissão Europeia apontam para uma inflação de 3% para 2026. Olhar para estes valores ano a ano e no curto prazo pode parecer quase irrelevante. No entanto, ganham dimensão à medida que o tempo passa e a inflação de um ano se soma à dos anos anteriores.

Quando os preços aumentam e o dinheiro não acompanha esse crescimento, o seu poder de compra diminui. Ou seja, com o mesmo valor, consegue comprar menos do que antes.

Vamos ver isso usando os valores reais da inflação em Portugal entre 2015 e 2025. Nesses 10 anos, a inflação média foi de 2,20%, com o valor mais baixo a ser registado em 2020 (deflação de 0,01%) e o mais alto em 2022 (7,83%).

Em média, um bem que custasse 100 euros no início de 2015 passou a custar cerca de 124 euros no final de 2025.

Os 100 euros que tinha continuaram a ser 100 euros (manteve-se o valor nominal), mas deixaram de conseguir comprar o que compravam em 2015 devido à perda de valor real.

Leia ainda: O que é a inflação e como é calculada?

Perde a oportunidade de fazer o dinheiro crescer

Além da perda de poder de compra, deixar o dinheiro parado também tem outro impacto menos visível: o custo de oportunidade. Este conceito refere-se aos ganhos de que abdica quando escolhe não investir. Ou seja, ao manter o dinheiro parado, está a perder a possibilidade de obter rendimentos, mesmo que sejam baixos.

Por exemplo, imagine que tem 1.000 euros parados numa conta à ordem que não paga juros. Ao fim de um ano, continuará com os mesmos 1.000 euros. No entanto, se aplicasse esse valor num produto conservador com uma rentabilidade de, por exemplo, 2% ao ano, teria mais 20 euros no final do período.

A diferença pode parecer reduzida num único ano, mas tende a aumentar com o tempo. Isto acontece porque os rendimentos gerados podem ser reinvestidos por si ou até automaticamente, criando um efeito de acumulação.

Assim, ao deixar o dinheiro parado, não só perde valor real com a inflação, como também abdica de fazê-lo crescer.

Perde objetivos ou demora mais tempo a atingi-los

Deixar o dinheiro parado não afeta apenas o presente. Também pode comprometer a sua capacidade financeira no futuro e dificultar a concretização de alguns objetivos financeiros.

Por exemplo, se estiver a juntar dinheiro para comprar casa, os preços podem subir mais rapidamente do que consegue poupar. Mesmo mantendo o mesmo ritmo de poupança, vai precisar de mais tempo para atingir o valor necessário. O mesmo pode acontecer com outros objetivos, como a reforma ou a educação dos filhos.

Assim, ao deixar o dinheiro parado corre o risco de ver esses objetivos afastarem-se no tempo. A capacidade financeira futura não depende só de poupar. Também é importante encontrar formas de fazer crescer o dinheiro.

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Quais as alternativas para não deixar o dinheiro parado?

A principal alternativa a deixar o dinheiro parado na conta à ordem é investir. A palavra pode assustar algumas pessoas, talvez devido à associação a investimentos em ações e outros ativos mais voláteis. Por considerarem que não têm o perfil certo, acabam por não o fazer.

Mas se pensarmos que os depósitos a prazo e os certificados de aforro ou do Tesouro também são investimentos, percebemos que há produtos para toda a gente (e que talvez muitas pessoas até já tenham investido sem terem atribuído o peso da palavra àquilo que estavam a fazer).

O objetivo é fazer crescer o dinheiro e, se possível, conseguir que a rentabilidade seja igual ou superior à inflação, de forma a manter ou aumentar o poder de compra ao longo do tempo.

Em que investir?

Acima de tudo, o importante é escolher um produto que conjugue da melhor maneira o seu perfil e os objetivos que quer atingir.

Uma pessoa com um perfil mais defensivo e conservador pode investir maioritariamente em produtos de capital garantido, como os certificados de aforro ou os depósitos a prazo que já referimos acima.

Um perfil mais moderado já vai arriscar mais e pode procurar o investimento em produtos com alguma volatilidade, como ações, ETF, fundos de investimento ou PPR sob a forma de fundo. Ainda assim, estes produtos terão um peso na carteira inferior ou pelo menos igual ao dos que garantem o capital investido.

Por fim, os investidores mais dinâmicos lidam bem com eventuais perdas do capital investido, pelo que a sua carteira vai ter uma maioria de produtos mais arriscados e voláteis, mas que têm rentabilidade potencialmente superior aos restantes.

Leia ainda: Perfil de investidor: Como adequar a carteira de investimento?

Perguntas frequentes

A inflação é o aumento generalizado dos preços ao longo do tempo. Isso faz com que o dinheiro perca poder de compra: aquilo que hoje custa um euro, daqui a uns anos pode custar mais. Por isso, investir pode ajudar a proteger o valor do dinheiro contra a inflação.

Investir é aplicar dinheiro em algo – como ações, depósitos, fundos ou imóveis – com a expectativa de receber mais no futuro. O objetivo pode ser aumentar o valor aplicado ou receber rendimentos, como juros ou dividendos. Investir é uma forma de fazer o dinheiro “trabalhar” para si, em vez de ficar parado.

Significa que, no final do prazo do investimento, recebe pelo menos o valor que aplicou, mesmo que não tenha tido ganhos. Produtos como depósitos a prazo ou certificados de aforro costumam oferecer esta garantia.

Os depósitos a prazo são produtos bancários em que o cliente aplica um montante por um período definido, recebendo no vencimento o capital e os juros acordados. Têm regras conhecidas à partida e, dentro de certos limites, o capital está protegido pelo Fundo de Garantia de Depósitos.

O valor mínimo para a subscrição inicial é de 100 euros. Os reforços podem ter um valor mínimo de 10 euros.

O PPR é produto financeiro de poupança a médio e longo prazo, criado para acumular capital que será utilizado na reforma, mas também pode ser resgatado noutras situações.

Pode assumir a forma de fundo de investimento ou de seguro, permitindo ao titular fazer entregas periódicas ou únicas.

As ações representam uma parte do capital social de uma empresa. Assim, ao investir nestes ativos, torna-se acionista e passa a ter direito a receber dividendos, o valor pago aos acionistas quando a empresa tem lucro.

Os exchange traded funds (ETF) são fundos de investimentos negociados em bolsa e que seguem um cabaz de ativos, como ações, obrigações ou matérias-primas. Permitem ter exposição a empresas de diferentes setores, países ou regiões sem ter de comprar ações ou obrigações de cada empresa.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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