Numa das últimas intervenções onde estive presente no INMAN Connect em Nova Iorque, falou-se sobre redes sociais e a sua evolução no mercado norte-americano de mediação imobiliária, o mercado que, para muitos, é o mais evoluído do mundo.
Em formato de painel, falou-se abertamente sobre redes sociais e da ilusão que alimentam de que basta “estar nas plataformas certas” para chegar ao sucesso.
A conclusão foi simples, não chega.
A discussão deixou claro algo que muitos preferem ignorar: as redes sociais são uma ferramenta poderosa, mas não são o produto. O produto é o profissional.
O Agente Imobiliário como pessoa é o produto a promover: a sua ética de trabalho, a sua competência, a sua identidade e a forma como serve os seus clientes.
Quando surgiu a comunicação nas redes sociais como um meio válido para o setor, optava-se por comunicar apenas imóveis. Fotografias, vídeos de visitas, características, preços. Apesar de ser relevante, é preciso criar contexto pois comunicar imóveis já não chega, a forma e a pessoa que os comunica é o que desperta a ligação.
Hoje, comunicar identidade, lifestyle, rotina real e envolvimento com a sua comunidade é essencial. O objetivo é mostrar como se vive o mercado, e não apenas o que vende no mercado.
Para muitos clientes, especialmente para os segmentos de maior valor, as redes sociais, apesar de não serem o fulcro, tornaram-se uma forma silenciosa de “entrevistar” o agente antes do primeiro contacto.
E aqui surge um ponto crítico.
Autenticidade não substitui trabalho. Mas trabalho sem autenticidade também já não atrai, nem convence.
Vários exemplos partilhados no painel a que assisti reforçam esta ideia.
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Alguns pontos-chave
– Visibilidade sem competência é fogo de artifício. As redes não substituem o trabalho, apenas o amplificam.
– Profissionais com grande visibilidade digital deixaram claro que os resultados não vêm dos likes, mas da rotina diária planeada que expõem abertamente nas redes: prospeção, reuniões, negociações, visitas, follow-ups, experiência de cliente.
– As redes sociais não fazem negócio sozinhas. Despertam curiosidade, fazem perguntas, captam leads e, por isso, abrem portas. Mas quem fecha o negócio continua a ser o profissional que souber como chegar lá.
– As plataformas sociais estão a transformar-se em motores de pesquisa. Pessoas procuram agentes, mercados e recomendações diretamente no Instagram ou no TikTok. Estar ausente destes espaços é o equivalente a não aparecer num evento onde todos os decisores estão presentes.
– Não é preciso estar em todo o lado, é preciso estar bem onde se está; com consistência, com intenção e com presença real.
– Não existe a “plataforma certa”. As tendências vão e vêm. O Clubhouse foi um exemplo e, hoje, apesar de o TikTok ser o local a estar para muitos, amanhã será com certeza outro formato.
– Valorização do conteúdo, criatividade e relevância são essenciais. Quer-se conteúdo que fuja ao formato mais tradicional, que entretém, que quebra o ruído.
– Há uma linha ténue que deve ser clara entre criatividade e falta de profissionalismo.
– Captar leads é diferente de converter leads. Converter continua a exigir técnica, experiência e maturidade profissional.
– Visibilidade atrai. Mas é o carácter, o trabalho, a consistência e a competência que convertem.
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