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O Banco Central Europeu (BCE) decidiu manter as taxas de juro inalteradas na reunião desta quinta-feira, 29 de outubro, deixando a taxa de juro da facilidade de depósito, usada como referência na Zona Euro, nos 2,5%. É a segunda pausa de 2026, depois dos aumentos de junho e setembro, separados por uma manutenção em julho. O BCE alerta que os efeitos da subida dos preços da energia ainda não se fizeram sentir por completo, mantendo-se os riscos para a inflação e o crescimento económico. Ainda assim, a possibilidade de uma nova subida dos juros em dezembro continua em aberto.

Como ficam as taxas de juro do BCE?

Com a decisão de outubro, as três taxas diretoras permanecem inalteradas: a taxa de juro da facilidade de depósito mantém-se nos 2,50%, a taxa das operações principais de refinanciamento nos 2,65% e a taxa da facilidade permanente de cedência de liquidez nos 2,90%. Estes valores estão em vigor desde setembro, quando o BCE aumentou os juros em 25 pontos base.

BCE alerta para impacto da energia na inflação e no crescimento

A manutenção dos juros acontece num momento em que a inflação voltou a acelerar na Zona Euro. Segundo os dados definitivos do Eurostat, a taxa de inflação atingiu 3,8% em setembro, acima dos 3,2% registados em agosto. A energia continua a ser um dos principais fatores de pressão, com os preços a aumentarem 18,9% em termos homólogos, depois de uma subida de 14,3% em agosto.

Contudo, a subida dos preços não tem a mesma intensidade nos restantes bens e serviços. A inflação subjacente, que exclui energia, alimentos, álcool e tabaco, aumentou ligeiramente, de 2,4% para 2,5%. Já nos serviços, passou de 3% para 3,2%.

Na conferência de imprensa, Christine Lagarde destacou que a inflação subjacente permanece globalmente estável e que “não se verifica uma resposta significativa dos salários nesta fase”. Contudo, a presidente do BCE alertou que os efeitos do choque energético ainda não se fizeram sentir por completo.

A intensidade e a duração da subida dos preços da energia, bem como a possibilidade de esse agravamento se transmitir a outros setores da economia, poderão contribuir para uma inflação mais elevada e um crescimento económico mais fraco.

Por outro lado, o BCE assinala que as condições de financiamento se tornaram mais restritivas desde setembro. Este agravamento poderá contribuir para moderar as pressões inflacionistas, mas também penalizar a atividade económica.

Dezembro pode trazer uma nova subida das taxas de juro

Apesar da pausa de outubro, as previsões dos economistas continuam a apontar para um novo aumento dos juros antes do final do ano. Num inquérito divulgado pela Econostream a 27 de outubro, 23 dos 24 analistas consultados antecipavam uma subida de 25 pontos base em dezembro. Caso este cenário se concretize, a taxa de depósito passará dos atuais 2,5% para 2,75%.

Contudo, as previsões dos economistas não representam um compromisso do BCE. Na conferência de imprensa desta quinta-feira, Christine Lagarde voltou a afastar a definição antecipada dos próximos passos da política monetária. “Não nos comprometemos previamente com uma trajetória de taxas específica”, afirmou a presidente do BCE, reiterando que as decisões continuarão a depender da evolução dos indicadores económicos e financeiros, das perspetivas para a inflação e dos efeitos da política monetária na economia.

A próxima reunião está marcada para 16 e 17 de dezembro, em Frankfurt, e será acompanhada pela apresentação de novas projeções económicas.

Nas últimas previsões, divulgadas em setembro, o BCE apontava para uma inflação média de 3% em 2026, 2,5% em 2027 e 2,1% em 2028. As estimativas para 2027 e 2028 foram revistas em alta, apontando para uma inflação ainda acima do objetivo de 2% nos próximos anos.

Até dezembro, a evolução dos preços da energia e os seus efeitos sobre os restantes setores da economia serão determinantes. O BCE terá também de avaliar se o agravamento das condições de financiamento está a contribuir para conter a inflação e qual o impacto no crescimento económico.

Manutenção dos juros não garante estabilidade na Euribor

Para quem tem crédito habitação com taxa variável, a decisão de outubro não significa necessariamente que a prestação mensal se mantenha. Embora as taxas Euribor sejam influenciadas pelas decisões do BCE, também refletem as expectativas dos mercados sobre a evolução futura dos juros. Por isso, podem continuar a subir mesmo quando o banco central mantém as taxas diretoras inalteradas.

Christine Lagarde revelou ainda que as taxas de juro dos empréstimos para compra de habitação na Zona Euro aumentaram de 3,5% em julho para 3,6% em agosto. A procura de crédito habitação também diminuiu significativamente no terceiro trimestre, sobretudo devido ao aumento dos juros.

Para as famílias portuguesas com crédito habitação de taxa variável, o impacto na prestação depende da média da Euribor aplicada na revisão do contrato. Num empréstimo indexado à Euribor a seis meses, por exemplo, a prestação pode aumentar na próxima revisão, caso a média do indexante seja superior à utilizada anteriormente. Já quem tem um empréstimo com taxa fixa não é afetado pelas oscilações da Euribor durante o período contratado.

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Perante a possibilidade de uma nova subida dos juros em dezembro, importa acompanhar a evolução dos indexantes e confirmar quando será atualizada a prestação. Antecipar o impacto no orçamento permite avaliar se é necessário renegociar as condições do empréstimo ou comparar alternativas de financiamento.

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Perguntas frequentes

São as taxas de referência definidas pelo Banco Central Europeu para orientar a política monetária da Zona Euro. Existem três: a taxa da facilidade de depósito, a taxa das operações principais de refinanciamento e a taxa da facilidade permanente de cedência de liquidez. Estas taxas influenciam o custo do dinheiro para os bancos e, indiretamente, as condições de crédito e de poupança das famílias e empresas.

O principal objetivo é controlar a inflação. Ao aumentar as taxas diretoras, o BCE procura tornar o financiamento mais caro, reduzindo os incentivos ao consumo e ao investimento. Uma menor procura pode ajudar a aliviar as pressões sobre os preços e contribuir para que a inflação regresse ao objetivo de 2% a médio prazo.

Embora o BCE não defina diretamente a Euribor, as suas taxas diretoras influenciam as condições de financiamento na Zona Euro. As expectativas dos mercados sobre futuras subidas ou descidas dos juros também são refletidas na Euribor. Por isso, este indexante pode alterar-se antes de o banco central anunciar uma nova decisão.

Não. Nos contratos com taxa variável, a prestação só é atualizada na data de revisão prevista no contrato. Se o crédito estiver indexado à Euribor a três meses, a revisão ocorre trimestralmente. Com a Euribor a seis ou 12 meses, ocorre semestralmente ou anualmente, respetivamente. O banco aplica a média mensal da Euribor correspondente ao mês anterior ao da revisão.

Pode beneficiar, sobretudo quem tem depósitos a prazo ou outros produtos com remuneração associada às taxas de mercado. Contudo, os bancos não são obrigados a acompanhar integralmente os aumentos dos juros do BCE. A evolução da remuneração depende das condições de cada produto e da política comercial das instituições financeiras.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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